Polo de papel e papelão produz mais e fatura menos

Em: 28 de janeiro de 2010
De janeiro a novembro de 2009, vendas do segmento caíram quase 20%, ao mesmo tempo em que a manufatura avançou 10%, segundo a Suframa
De janeiro a novembro de 2009, vendas do segmento caíram quase 20%, ao mesmo tempo em que a manufatura avançou 10%, segundo a Suframa

A queda de quase 20% no faturamento do polo de papel e papelão de Manaus, que fechou 2009 com um acumulado de R$ 271,05 milhões ante os R$ 338,44 milhões obtidos em 2008, não impediu que algumas indústrias do setor tivessem sua produção incrementada em 10%, mesmo diante do clima de crise global.
Apesar do recuo no faturamento, a produção de papel obteve alta de 2,07%. Levantamento da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) aponta que em 2009 foram produzidas no PIM (Polo Industrial de Manaus) 85,96 mil toneladas de papel e papelão contra 84,21 mil toneladas em 2008. As vendas do produto, que em 2008 somaram 12,50 mil toneladas, subiram para 30,93 mil toneladas no ano passado.
Atualmente, conforme a autarquia, as 16 fabricantes de papel e papelão no PIM estão gerando 1.754 empregos diretos. Em 2008, o setor possuía 17 indústrias que juntas geravam 2.015 postos de trabalho.
A Bipacel (Benaion Indústria de Papel e Celulose), que produz papel toalha, papel higiênico e guardanapo (tradicionais e perfumado), realizou bons negócios no ano passado elevando sua demanda de papel em 10% em relação ao ano anterior. Para 2010, a expectativa da empresa é crescer nesse mesmo patamar.
O diretor industrial da Bipacel, Tocandira Benaion, credita o aumento da produção da empresa a dois fatores primordiais: a isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que incide sobre a energia elétrica, como parte do pacote de incentivo fiscal do governo estadual. Essa decisão deu maior competitividade aos fabricantes locais ante aos nacionais que são obrigados a pagar o imposto antecipadamente, para vender no mercado local. “Nós, do PIM, por enquanto, estamos isentos do pagamento desse imposto”, destacou.
Outro fator apontado pelo empresário diz respeito a uma procura maior por parte das classes D e E, principalmente por papel higiênico. “As pessoas dessas classes tiveram maior poder aquisitivo e passaram a ter um novo conceito do produto”, informou.
A Bipacel que em 2008 vinha tendo uma produção média entre 70 e 80 mil fardos de papel mês, atualmente está na casa dos 90 mil. Toda essa produção atende o mercado amazonense (capital e interior) e Estados que compõem a Amazônia Legal – Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins.
A fabricante de papel toalha, papel higiênico e guardanapo trabalha com tecnologia de última geração no processo de fabricação de seus produtos, com equipamentos adquiridos junto à fabricantes nacionais, compatíveis com as melhores marcas nacionais. A Bipacel gera, atualmente, 180 empregos diretos e em torno de 350 indiretos e é certificada com o ISO 9002.

Repetir performance

O Grupo Sovel, que é formado pela Indústria de Papel Sovel da Amazônia – fabricante de papel para embalagens – e a Sovel da Amazônia – cuja atividade é fabricar embalagens e chapas -, também cresceu 10% em 2009 ante 2008. A organização projeta repetir neste ano o mesmo êxito do ano passado, ou seja, alta de 10% sobre 2009.
A Copa do Mundo e as Eleições são motivos suficientes para impulsionar os negócios do grupo. O diretor-presidente da Sovel, Ali Atien Murh Yacub, disse que a partir do momento em que as empresas que necessitam de caixas e embalagens avançam, sua empresa também cresce. “Eles fabricam os produtos, nós fazemos as embalagens e ainda temos a matéria-prima principal que é o papel”, assinalou.
O empresário avalia o segmento de papel e papelão como um mercado cheio de desafios, o que é bom para os negócios do grupo, que tem como clientela da Indústria de Papel Sovel da Amazônia as quatro empresas do PIM que fazem essa conversão de embalagens – Rigesa, Orsa, PCE e Sovel da Amazônia. Já a Sovel da Amazônia tem entre seus clientes empresas de eletroeletrônicos, duas rodas, gráficas, entre outros segmentos. 
Ao avaliar 2009, Yacub disse que para o Grupo Sovel o ano foi parecido com o das demais empresas. “Iniciou devagar. A partir do segundo trimestre, o mercado aqueceu e voltamos a produzir com toda nossa capacidade instalada”, informou, ressaltando que a Indústria de Papel Sovel está dotada para produzir 100 toneladas por dia de papel marrom e 15 toneladas de papel Tissue. Enquanto a Sovel da Amazônia, que atua com embalagem, produz 616 toneladas por dia de onduladeira, 22.530 caixas por dia de impressoras, 600 caixas por hora de grampeadeira e 25.000 por dia de coladeira.
No tocante a mão de obra empregada, atualmente o grupo gera 400 empregos diretos e mais de 300 indiretos.

Fabricação diversificada

Levantamento da Suframa aponta que as 16 fabricantes do setor instaladas no PIM produzem desde papel ou cartão, ondulados (canelados), chapa de papelão ondulado, papel kraft, encrespado ou plissado, conjunto para impressão fotográfica digital, papel hectográfico, papel higiênico, a partir de papel reciclado; lenço e toalha de mão, de papel reciclado; toalha e guardanapo de mesa, de papel reciclado; caixa de papel ou cartão, ondulados (canelados); caixa de papel reciclado para embalagens, caixa e cartonagem, dobráveis de papel ou cartão; embalagens de papel (exceto caixas), artefatos a partir de tiras de papel, cartonagem, rotulo de papel ou cartão, tubete de papelão, capa e contracapa de discos de sistemas de leitura por raio.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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