Polo naval fatura 21,09% a menos no 1º trimestre

Em: 1 de junho de 2010
Vendas do segmento caíram de US$ 12.7 milhões (2009) para US$ 10.7 milhões (2010), segundo dados fornecidos pela Suframa
Vendas do segmento caíram de US$ 12.7 milhões (2009) para US$ 10.7 milhões (2010), segundo dados fornecidos pela Suframa

Números da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam queda de 21,09% para o faturamento do polo naval do Amazonas na comparação do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, com US$10.07 milhões (2010) contra US$12.7 milhões (2009).
Na avaliação do presidente em exercício do Sindnaval (Sindicato da Construção Naval do Amazonas), Matheus Araújo, os números se devem, principalmente à baixa ocasionada pela sazonalidade na época de enchente, além de carências em infraestrutura e oferta de crédito para fomento –fundos de investimento da Marinha Mercante e financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Para o dirigente, a criação do Distrito Naval também seria fundamental para o crescimento do setor.
“Os problemas são vários. As empresas enfrentam dificuldades em legalizar estaleiros. Outro fator é a falta de mão de obra especializada no mercado local. Precisamos preparar profissionais especializados em varias áreas como eletricidade naval, e riscador de moldes”, lamentou.
Em busca de apoio para fortalecer a construção naval no Amazonas, o presidente do Sindnaval participou da Feira Internacional de Navaglia, em Vigo (Espanha), onde obteve contato com vários empresários do segmento, com o objetivo de implementar novos negócios no Amazonas.
Apesar dos obstáculos, Matheus Araújo considera que o segmento, que hoje emprega 7.600 pessoas diretamente e 15.000 indiretamente no Amazonas, ainda está salutar e apresenta resultados positivos. “Somos o segundo maior polo do Brasil em volume de construção e perdemos somente para o Rio de Janeiro. Temos um grande potencial e hoje construímos aproximadamente 1.200 embarcações de variados portes por ano,” ponderou Matheus.

Cheia e qualificação

De acordo com o gerente do estaleiro Bibi, Ivan Samir, o momento é muito difícil para o setor, em virtude da cheia, que faz os estaleiros perderem área de trabalho e encomendas. “O mercado ainda não sofreu aquele aquecimento que tanto aguardamos. Está tímido diante de tantas promessas que visam projetos para a Copa de 2014, como o metrô de superfície, a construção de estádios e a logística de matéria prima. Há ainda a substituição de barcos de madeira por barcos de aço, um projeto que estamos aguardando a mais de dez anos”, comentou.
Para o gerente administrativo da Becoral, empresa responsável por 100% da produção da Bertolini em Manaus, além da sazonalidade, há também a questão da falta de mão de obra especializada, que os remetem a uma grande deficiência técnica. “Nossa empresa tem grandes projetos para o futuro, baseada nas expectativas geradas pelo advento da Copa de 2014. Estimamos um investimento para mais de R$ 20 milhões para os próximos dois anos, mas nossa maior preocupação é justamente com a mão de obra, que precisa ser qualificada”, destacou o executivo.

Segurança preocupa trabalhador

O diretor e primeiro secretário do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Edivaldo Souza Oliveira, estranhou os números da Suframa. “Se fizermos uma visita na orla fluvial da cidade vamos verificar que a realidade é outra. Penso que o polo naval é o único que não demite há algum tempo, pois os trabalhos estão de vento em popa”, assinalou.
Se o faturamento da indústria segmentada caiu no acumulado de março, em termos de contratações, os números fornecidos pela autarquia apontam crescimento de 14,83% junto às 404 empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) ouvidas para a confecção dos indicadores de março –de 843 (2009) para 968 (2010).
Edivaldo falou que a maior preocupação do sindicato atualmente diz respeito à questão da segurança do trabalhador. “Nossa maior preocupação esta relacionada com o equipamento que o funcionário precisa para exercer bem e com segurança sua função. Temos feito ainda, juntamente com a SRTE/AM [Superintendência Regional do Trabalho do Amazonas], fiscalizações para combater irregularidades como empresas irregulares, trabalhadores sem registro em carteira”, completou o dirigente.

Setor reivindica área no Puraquequara

Para o presidente em exercício do Sindnaval, Matheus Araújo, considera que o futuro do polo naval depende da boa vontade dos governos. A entidade reivindica a liberação de uma área com mais de sete quilômetros de frente por três de fundo, localizado no bairro do Puraquequara, zona leste, para transferência dos estaleiros que ficam localizados na orla de Manaus. “É um sonho dos empresários, pois os ganhos beneficiariam a todos e iriam desde as possibilidades de financiamento das atividades da indústria naval, os ganhos com custos, logística e instalação das empresas em imóveis próprios”, asseverou.

Solução definitiva

De acordo com o dirigente, a concretização da proposta permitiria ao governo ter uma solução definitiva e estruturada para suprir as necessidades do segmento naval, resolvendo o entrave da área própria e legalizada.
O presidente em exercício elogiou as iniciativas do governo Lula junto ao setor, e disse que está otimista quanto ao futuro da produção naval no Amazonas, principalmente agora, quando a Petrobras abre licitação para a construção de embarcações para atender as demandas do pré-sal.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar