Embora a indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus) esteja trabalhando com toda sua capacidade instalada para atender a demanda de fim de ano -fato que levou as empresas a contatar 6.000 temporários, conforme a direção do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas)-, produtos como TVs com telas de LCD (cristal líquido) e plasma podem faltar no comércio de Manaus por conta da escassez de matéria-prima.
O presidente do Sinaees, Wilson Périco, disse que alguns lojistas que vendem esses produtos estão com estoques praticamente esgotados. O dirigente explicou que isso se deve à refreada da produção industrial decorrente da crise econômica global, que respingou no PIM. “A retomada é muito mais lenta do que a refreada da produção”, lamentou, ressaltando que a demanda por equipamentos é intensa, mas a entrega de produtos prontos depende de fornecedores de partes e peças.
Em linhas gerais, Périco disse que os pedidos estão dentro do projetado pela indústria para o fim de ano. No entanto, a demanda de alguns produtos como as TVs de tela fina, ficaram acima do projetado. “As empresas estão trabalhando a todo o vapor, inclusive com maior número de trabalhadores em todos os turnos para fazer as entregas em tempo hábil”, assegurou.
Se a economia se mantiver em ritmo acelerado no início do próximo ano, o dirigente acredita que o primeiro trimestre de 2010 será bastante produtivo para a indústria do PIM a exemplo do que ocorreu em 2006 e 2007. Ele lembrou que o segundo semestre de 2009 está bem melhor do que o primeiro –prejudicado pelos efeitos da crise. “Se o cenário positivo se mantiver, os trabalhadores temporários que se adequarem ao ritmo de produção, serão efetivados”garantiu.
Comércio teme risco de desabastecimento no Natal
O diretor do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Motta, confirma que as empresas trabalham a todo o vapor para atender a demanda de fim de ano. Como o setor vinha de um marasmo por conta da crise, ele aponta que a retomada não vai conseguir atender todo o mercado brasileiro. “É claro que isso não está acontecendo em todos os segmentos, somente em alguns que atuam com produtos eletrônicos e de entretenimento, os mais procurados”, destacou.
Férias coletivas
Mesmo assim, Motta disse que não acredita que as férias coletivas das empresas –que sempre ocorrem entre a primeira e a segunda quinzena de dezembro- sejam postergadas. “A demanda do Natal tem que sair logo, não dá para deixar para depois”, frisou, ressaltando que se a demanda produtiva permanecer como está, janeiro e fevereiro vão ser meses de aquecimento, a exemplo do que aconteceu em 2007.
O economista José Laredo, que presta assessoria a várias empresas do PIM, garante que os segmentos mais populares como TVs de LCD e plasma, celular, motocicleta, ar-condicionado e DVD estão tendo boa performance de produção e venda no fim de ano. “As empresas que atuam com esses produtos estão trabalhando com sua capacidade instalada”, assegurou.
O presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, avaliou que havia previsão de crescimento da economia brasileira, mas os empresários não esperavam que ocorresse tão rapidamente. Ele disse que o resultado foi além da expectativas dos fabricantes. “Ninguém imaginava que houvesse superaquecimento, o que pegou a indústria no contrapé”, comentou.
Tadros aposta no aquecimento do comércio e torce para que a indústria atenda a demanda do mercado interno para evitar desabastecimento, principalmente de artigos eletroeletrônicos. “Do contrário o comércio vai ter que importar”, finalizou.







