A proximidade das festas de fim de ano anima as indústrias do PIM (Polo Industrial de Manaus), afinal, o número de pedidos do comércio aumenta com o Natal. Isso vale tanto para a indústria de bens finais quanto para o segmento de bens intermediários, a exemplo do polo termoplástico, que vem lutando para recuperar as perdas da crise de 2008/2009.
De acordo com o presidente do Simplast/AM (Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus), Carlos Monteiro, o segmento industrial deve obter um crescimento de 4% a 5% em relação a igual período do ano passado. “É a característica do Distrito crescer no final do ano”, frisou.
Avanço dos importados
Entretanto, o dirigente comenta que o percentual seria bem maior se não fosse a alta da importação de componentes e até de produtos acabados, por conta do dólar barato. “Se as empresas comprassem mais na região, haveria uma elevação de no mínimo 35%”, garantiu.
Atualmente, segundo Monteiro, há em torno de 30 empresas afiliadas ao sindicato. Em média 70% da produção destas indústrias é voltada para o polo eletroeletrônico, enquanto o restante é destinado ao segmento de duas rodas, em especial os fabricantes de motocicletas.
O presidente explica que o setor não tem problema com as fábricas de grande porte instaladas há mais tempo na ZFM (Zona Franca de Manaus). “Nossa preocupação é com estas empresas novas, que preferem a importação à regionalização”, ressaltou.
Para o próximo ano, Monteiro fala que ainda não há uma perspectiva do setor. “Começo de ano é sempre uma surpresa”, enfatizou.
Em 2010, por exemplo, o segmento teve um incremento com a Copa do Mundo, devido à procura de equipamentos eletroeletrônicos, especificamente televisores. De acordo com dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), até setembro, houve uma alta de 19,81% nas vendas em relação ao mesmo período de 2009, com US$ 1.33 bilhão (2010) contra US$ 1.11 bilhão (2009). É o maior resultado para o período desde 2005, ultrapassando o de dois anos atrás (US$ 1.31 bilhão).
A dor de cabeça dos representantes do Simplast é a concorrência com os produtos asiáticos, já que a carga tributária dos manufaturados chineses é bem menor que a dos similares da região. Monteiro garante que o setor tem condições para atender os pedidos das indústrias, mesmo que as importações fossem menores. “A produção não está lotada. Ainda existem máquinas ociosas nas indústrias”, argumentou.
Faturamento aumenta, mas lucro ainda é baixo
O presidente da empresa Masa, Ocimar Meloni, comenta que o pico de produção do segmento termoplástico para o Natal acontece em outubro e início de novembro. Segundo ele, já houve um aumento de 10% nas vendas da empresa, fabricante de componentes plásticos para eletrodomésticos. “Para se ter uma ideia, estamos chegando ao mesmo nível pré-crise”, sublinhou.
Um dos comportamentos que Meloni destaca é o fato de o polo vender 40% no primeiro semestre e 60% no segundo e, no evento da Copa, inverter este desempenho. No entanto, a Masa, segundo ele, conseguiu repetir o mesmo resultado do semestre anterior nestes últimos meses.
“Um dos motivos é que, durante a crise, a empresa manteve e até contratou mais funcionários, dando uma vantagem quando o mercado voltou a crescer”, frisou o executivo.
Neste ano, o faturamento da empresa deve chegar a US$ 100 milhões. Entretanto, o representante admite que apesar dos valores de faturamento serem por vezes destacados, o lucro ainda é muito baixo. “A indústria de termoplástico ganha em média 2% a 3%. Na nossa empresa o lucro é por volta de 3%. Não é um número desprezível, mas poderia ser maior”, defendeu Meloni.
Já na Amaplast (Amazonas Plástico), o proprietário Cristóvão José Cardoso, afirma que não existe disputa com produtos que vêm do exterior. “Até porque nosso equipamento é produzido apenas nacionalmente”, declarou.
Saldo positivo
Uma das mais antigas do Estado, a indústria trabalha há 30 anos com extrusoras e impressoras na produção de sacos plásticos. De acordo com o empresário, o faturamento mensal fica entre R$ 800 mil a R$ 700 mil, em média. Com o Natal, ele fala que a produção está normalizada, contudo, como o negócio é pequeno, o saldo é positivo. “Não está nem mais, nem menos, mas é satisfatório para empresa”, finalizou.







