Polo têxtil fecha 1º semestre com déficit de US$ 1.5 bi

Em: 1 de agosto de 2010
No mesmo período, as importações brasileiras contabilizaram US$ 2.25 bilhões e 558 mil toneladas apresentando crescimento de 40,2%, em valor, e 63,3%, em volume
No mesmo período, as importações brasileiras contabilizaram US$ 2.25 bilhões e 558 mil toneladas apresentando crescimento de 40,2%, em valor, e 63,3%, em volume

No primeiro semestre de 2010, as exportações brasileiras da cadeia têxtil e de confecção, desconsideradas as fibras de algodão, contabilizaram US$ 675 milhões que equivale a 143 mil toneladas apresentando um crescimento de 20%, em valor, e 7,2%, em volume, comparadas ao mesmo período do ano anterior.
No mesmo período, as importações brasileiras contabilizaram US$ 2.25 bilhões e 558 mil toneladas apresentando crescimento de 40,2%, em valor, e 63,3%, em volume. Como resultado, a balança comercial do setor fechou o primeiro semestre do ano com déficit de US$ 1.5 bilhão contra US$ 972 milhões registrados no primeiro semestre do ano passado. Mantidas as mesmas condições, o setor têxtil e de confecção deverá fechar o ano de 2010 com mais de US$ 3,5 bilhões de déficit em sua balança comercial.
Segundo estudos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), relacionando valor de produção e empregos, o déficit equivale a não geração de pelo menos 135 mil postos diretos de trabalho no Brasil. “Os números da balança comercial mostram que mesmo com taxa de câmbio desfavorável à exportação, o setor tem se esforçado para manter e expandir mercados externos, agregando valor a produtos, através, principalmente, de significativos investimentos em tecnologia, inovação, design, moda e serviços oferecidos aos clientes”, explicou o presidente da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Aguinaldo Diniz Filho.

Níveis pré-crise

Os números também mostram que o mercado internacional , embora tenha apresentado reação positiva, ainda não retornou os níveis pré-crise, o que dificulta ainda mais o desenvolvimento das vendas externas do setor. Por outro lado, essa lenta recuperação dos grandes mercados importadores continua gerando gigantescos excedentes produtivos, principalmente nos países asiáticos que buscam novos mercados a qualquer custo. “Está claro que o Brasil tem sido um dos estuários desses excedentes produtivos, dado seu grande mercado consumidor e o bom desempenho econômico dos últimos anos”, explica Diniz.
O agravante do resultado na balança comercial do setor reside no desequilíbrio e deslealdade com que os produtos importados concorrem com os fabricados no Brasil, já que os países exportadores, mais uma vez com destaque para os asiáticos, praticam regularmente o dumping cambial, ambiental, social e trabalhista. Como se não bastasse, ainda contam com subsídios governamentais para produção e exportação.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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