No dia 27 de novembro passado, Jonas Gomes, professor de engenharia de produção da Ufam, recebeu um Diploma de Honra ao Mérito outorgado pelo cônsul-geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa. Durante o evento, Jonas promoveu o pré-lançamento do e-book ‘Um olhar amazônico sobre o Japão – aprendizados e experiências que transformam vidas’, organizado por ele com mais 17 autores. Na quinta-feira, dia 4 de dezembro, às 18h, o professor lançará o e-book no auditório Rio Jutaí, na Faculdade de Tecnologia da Ufam. Na entrevista, a seguir, Jonas Gomes falou mais sobre o livro.
Jornal do Commercio: Por que resolveu escrever este e-book?
Jonas Gomes: Trata-se de uma obra coletiva, elaborada por 17 autores, em sua maioria amazônidas. Esse projeto materializa um sonho antigo dos membros da Ameojapão (Associação de Ex-bolsistas do Governo Japonês na Amazônia Ocidental – www.ameojapao.org), fundada em 2006. Em janeiro de 2025, lançamos uma chamada pública aberta à sociedade, solicitando contribuições para os dez capítulos propostos, com o objetivo de valorizar vozes autênticas da Amazônia, independentemente de títulos acadêmicos ou experiências no Japão, fomentando narrativas pessoais que celebram os 130 anos de amizade Brasil-Japão.

JC: Qual o conteúdo do livro?
JG: Reúne relatos e pesquisas de autores amazônidas que mostram como a Amazônia e o Japão se conectam por meio da imigração, da cultura, da educação, da gastronomia e das experiências de intercâmbio. A obra revela como esse encontro transforma vidas, ressignifica identidades e constrói pontes entre dois mundos distantes, porém profundamente ligados por valores e sonhos comuns.
JC: Foi realizada alguma pesquisa sobre esses 130 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e o Japão?
JG: Há autores como Aristóteles Alencar e Rodrigo Dabela, que se dedicaram à parte histórica da imigração, bem como contribuições de médicos brasileiros para comunidades de japoneses no Amazonas.
JC: Manaus, depois de São Paulo, é onde mais vivem japoneses?
JG: Segundo o ranking de População Amarela por Estado, divulgada pelo IBGE, Censo 2022, a categoria ‘amarela’, que abrange principalmente descendentes de japoneses e outros asiáticos, serve como parâmetro oficial para estatísticas por unidade federativa. Os estados com maior percentual desta população são: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Goiás. O Amazonas está na 15ª posição.
JC: Seu livro é indicado para qual tipo de leitor?
JG: A obra foca em públicos que buscam inspiração prática em gastronomia miscigenada (shoyu de tucupi), bem-estar (reiki, esportes), educação (bolsas Mext) e inovações sustentáveis. O prefácio e a introdução reforçam o apelo aos leitores, que se redescobrem no encontro entre a floresta amazônica e tradições nipônicas, priorizando equidade entre vozes diversas.
JC: Por que resolveu lançá-lo como e-book?
JG: Isso facilita a distribuição gratuita, alinhando-se ao desejo da Ameojapão de disseminar experiências transformadoras sem barreiras comerciais. Além disso, lançar como e-book capitaliza o crescente hábito de leitura digital no Brasil onde 75% dos leitores preferem o celular como dispositivo principal para livros eletrônicos, com 81% optando por esse formato entre os compradores digitais, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024-2025).
JC: Terá versão impressa?
JG: No momento a obra está apenas na versão digital, priorizando o acesso a um público amplo na Amazônia e em outras regiões. Fizemos convites formais à Câmara de Comércio e Indústria Nipo-Brasileira do Amazonas, às empresas Honda, Yamaha e Denso, para patrocinar a edição impressa, e estamos aguardando a resposta.
JC: Por que você recebeu o Diploma de Honra ao Mérito dado pelo cônsul-geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa?
JG: Interpreto como um reconhecimento generoso às modestas contribuições que tenho buscado oferecer ao consulado geral do Japão, desde 2003, após meu retorno do doutorado no Japão. Isso representa o mínimo que poderia fazer para retribuir os seis anos de generoso apoio recebido do governo japonês, por meio do Mext, que me permitiu aprender a língua japonesa, e realizar meu mestrado e doutorado no Japão. Esse diploma é concedido a indivíduos e instituições que promovem os laços bilaterais Brasil-Japão por meio de ações meritórias, como intercâmbios culturais e cooperação regional. Dedico esse reconhecimento aos meus pais, Francisco Gomes da Silva (in memoriam) e Luíza Nascimento da Silva, bem como ao espírito colaborativo da Ameojapão, Ufam e ao governo japonês, reafirmando meu compromisso de continuar servindo ao fortalecimento dessas relações.
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