Pontes entre dois mundos

Em: 3 de dezembro de 2025
E-book mostra como Amazônia e Japão se conectam por meio da imigração, da cultura, da educação, da gastronomia e das experiências de intercâmbio.
Jonas Gomes e o cônsul-geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa
Jonas Gomes e o cônsul-geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa

No dia 27 de novembro passado, Jonas Gomes, professor de engenharia de produção da Ufam, recebeu um Diploma de Honra ao Mérito outorgado pelo cônsul-geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa. Durante o evento, Jonas promoveu o pré-lançamento do e-book ‘Um olhar amazônico sobre o Japão – aprendizados e experiências que transformam vidas’, organizado por ele com mais 17 autores. Na quinta-feira, dia 4 de dezembro, às 18h, o professor lançará o e-book no auditório Rio Jutaí, na Faculdade de Tecnologia da Ufam. Na entrevista, a seguir, Jonas Gomes falou mais sobre o livro.

 

Jornal do Commercio: Por que resolveu escrever este e-book?

Jonas Gomes: Trata-se de uma obra coletiva, elaborada por 17 autores, em sua maioria amazônidas. Esse projeto materializa um sonho antigo dos membros da Ameojapão (Associação de Ex-bolsistas do Governo Japonês na Amazônia Ocidental – www.ameojapao.org), fundada em 2006. Em janeiro de 2025, lançamos uma chamada pública aberta à sociedade, solicitando contribuições para os dez capítulos propostos, com o objetivo de valorizar vozes autênticas da Amazônia, independentemente de títulos acadêmicos ou experiências no Japão, fomentando narrativas pessoais que celebram os 130 anos de amizade Brasil-Japão.

No momento a obra está apenas na versão digital aguardando patrocínio para a versão impressa
No momento a obra está apenas na versão digital aguardando patrocínio para a versão impressa

JC: Qual o conteúdo do livro?

JG: Reúne relatos e pesquisas de autores amazônidas que mostram como a Amazônia e o Japão se conectam por meio da imigração, da cultura, da educação, da gastronomia e das experiências de intercâmbio. A obra revela como esse encontro transforma vidas, ressignifica identidades e constrói pontes entre dois mundos distantes, porém profundamente ligados por valores e sonhos comuns.

 

JC: Foi realizada alguma pesquisa sobre esses 130 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e o Japão?

JG: Há autores como Aristóteles Alencar e Rodrigo Dabela, que se dedicaram à parte histórica da imigração, bem como contribuições de médicos brasileiros para comunidades de japoneses no Amazonas.

 

JC: Manaus, depois de São Paulo, é onde mais vivem japoneses?

JG: Segundo o ranking de População Amarela por Estado, divulgada pelo IBGE, Censo 2022, a categoria ‘amarela’, que abrange principalmente descendentes de japoneses e outros asiáticos, serve como parâmetro oficial para estatísticas por unidade federativa. Os estados com maior percentual desta população são: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Goiás. O Amazonas está na 15ª posição. 

 

JC: Seu livro é indicado para qual tipo de leitor?

JG: A obra foca em públicos que buscam inspiração prática em gastronomia miscigenada (shoyu de tucupi), bem-estar (reiki, esportes), educação (bolsas Mext) e inovações sustentáveis. O prefácio e a introdução reforçam o apelo aos leitores, que se redescobrem no encontro entre a floresta amazônica e tradições nipônicas, priorizando equidade entre vozes diversas.

 

JC: Por que resolveu lançá-lo como e-book?

JG: Isso facilita a distribuição gratuita, alinhando-se ao desejo da Ameojapão de disseminar experiências transformadoras sem barreiras comerciais. Além disso, lançar como e-book capitaliza o crescente hábito de leitura digital no Brasil onde 75% dos leitores preferem o celular como dispositivo principal para livros eletrônicos, com 81% optando por esse formato entre os compradores digitais, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024-2025).

 

JC: Terá versão impressa?

JG: No momento a obra está apenas na versão digital, priorizando o acesso a um público amplo na Amazônia e em outras regiões. Fizemos convites formais à Câmara de Comércio e Indústria Nipo-Brasileira do Amazonas, às empresas Honda, Yamaha e Denso, para patrocinar a edição impressa, e estamos aguardando a resposta.

 

JC: Por que você recebeu o Diploma de Honra ao Mérito dado pelo cônsul-geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa?

JG: Interpreto como um reconhecimento generoso às modestas contribuições que tenho buscado oferecer ao consulado geral do Japão, desde 2003, após meu retorno do doutorado no Japão. Isso representa o mínimo que poderia fazer para retribuir os seis anos de generoso apoio recebido do governo japonês, por meio do Mext, que me permitiu aprender a língua japonesa, e realizar meu mestrado e doutorado no Japão. Esse diploma é concedido a indivíduos e instituições que promovem os laços bilaterais Brasil-Japão por meio de ações meritórias, como intercâmbios culturais e cooperação regional. Dedico esse reconhecimento aos meus pais, Francisco Gomes da Silva (in memoriam) e Luíza Nascimento da Silva, bem como ao espírito colaborativo da Ameojapão, Ufam e ao governo japonês, reafirmando meu compromisso de continuar servindo ao fortalecimento dessas relações.

 

Leia o livro:

https://www.ameojapao.org/publicacoes

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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