As candidaturas presidenciais para as eleições de 2018 já parecem, até o presente momento, relativamente consolidadas. Se não tivermos nenhuma surpresa – boas ou ingratas – temos candidaturas das mais diferentes clivagens e colorações ideológicas, algo benéfico para a consolidação das instituições.
Desde as eleições presidenciais de 1989, vencida por Fernando Collor de Melo, a primeira desde 1960 e seguida pelo longo interregno autoritário, não temos tantos concorrentes e plataformas conflitivas, materializadas em partidos, interesses e ideologias.
É bem possível que esquerda e direita, na preferência de uns; conservadores, liberais e socialistas, na preferência de outros, incluindo a minha, prevaleçam como palavras de ordem na organização das campanhas eleitorais. Algo bastante recente nos debates eleitorais, pois a prolongada crise econômica e o ciclo inflacionário, dos anos de 1980 (a Década Perdida) até 1994 (aprovação do Plano Real), sequestraram a agenda pública brasileira para atribuir-lhe uma significação quase exclusivamente econômica.
O eleitorado não está refém, passivo nas estratégias eleitorais reinantes. O eleitorado hoje está muito mais preparado para os desafios da democracia brasileira, e parte desse amadurecimento se deve ao processo de modernização tecnológica traduzida na expansão da internet e das redes sociais para praticamente todas as classes, grupos e categorias. A mega-inclusão virtual, as novas dinâmicas do mercado e as microrreformas da burocracia pública dão as bases para a emergência de uma nova ordem social.
Porém, as expectativas negativas para as eleições deste ano são um irrefreável apelo populista, caso não apareça uma candidatura viável de centro. Em ambientes de elevada fragmentação política e ideológica, um verdadeiro pandemônio circense ganha espaço e ganha quem grita mais alto. Ganha a força, o impulso, a irracionalidade.
A lógica do sistema eleitoral brasileiro, que reproduz um dos sistemas partidários mais caros do mundo, cujos custos de governabilidade produzem crises sucessivas, tais como as testemunhadas nos últimos anos, é profundamente contraditória por apostar em incentivos comportamentais ambivalentes. Todavia, o sistema eleitoral não é a principal chave explicativa para este caso. O que está enraizada na cultura brasileira são as práticas do coronelismo e do populismo. O primeiro diz respeito à esfera de poder local e municipal; aos coronéis que usavam seus recursos de poder contra os seus desafetos para a manutenção do status quo. Já o populista tinha o país inteiro como seu.
O populismo no Brasil e na América Latina obedece aos seguintes critérios de legitimação. Em primeiro lugar, trata-se de uma relação pessoal, carismática e dependente. Em segundo lugar, o populismo estabelece uma relação entre o líder e as massas organizadas em sindicatos, falanges, milícias e partidos. Em terceiro, dada a relação de dependência entre líder e povo, as instituições políticas convencionais, como o parlamento, judiciário e os media são engolidos pelo poder pessoal do populista. O mais preocupante do populismo na sua faceta econômica é a irresponsabilidade com a economia popular. Um líder populista é capaz de destruir a economia inteira para manter o seu projeto de poder. A ampliação do Estado produz assimetrias e ameaça o ambiente de negócios, vale dizer, a existência da iniciativa privada, o que acaba provocando mais cedo ou mais tarde a fuga de capitais. Daí o delírio dos líderes populistas de que existem inimigos internos e externos. Um dos perigos que o cenário eleitoral de 2018 nos apresenta é a volta de práticas populistas em nossa democracia. O populismo e os populistas seriam, sem dúvida, personas non grata na festa de 30 anos da Constituição Federal. Oxalá que eles fiquem no passado.







