Portugueses criaram firma de tradição

Em: 26 de outubro de 2012
De uma simples conversa entre dois amigos nasceu a empresa que se tornaria referência em revelações de fotos na cidade de Manaus
De uma simples conversa entre dois amigos nasceu a empresa que se tornaria referência em revelações de fotos na cidade de Manaus

De uma simples conversa entre dois amigos nasceu a empresa que se tornaria referência em revelações de fotos na cidade de Manaus. A Foto Nascimento foi fundada em 1957 pelo português Fernando Nascimento. No ano seguinte, Fernando teve de retornar a cidade natal e indicou o amigo, Antônio Rodrigues para que ficasse à frente dos negócios.
O filho, Antonio Kizem concedeu entrevista ao Jornal do Commercio para falar um pouco sobre essa história de luta da família Rodrigues que comanda até hoje a empresa.

Jornal do Commercio – Como foi idealizada a Foto Nascimento?

Antonio Kizem – Meu pai, Antônio Rodrigues, que era português tinha um amigo chamado Fernando Nascimento (por isso Foto Nascimento). Numa conversa percebeu que seu amigo estava descontente em Manaus e queria voltar para Portugal, mas conseguiu convencê-lo a não desistir. Recomendou que ele fizesse algo que gostasse, e descobriu que Fernando gostava de fotografia, sugerindo que começasse a fotografar.
Assim ficou no mercado por volta de 16 meses sendo fotógrafo, até se mudar para Belém, onde foi ser sócio de um novo empreendimento de uma família muito rica de Manaus. Antes, Fernando Nascimento procurou meu pai para agradecer por tê-lo convencido a ficar em Manaus e informar que estaria indo para Belém, e por esse motivo estava fechando a Foto Nascimento. Meu pai, que na época era diretor da White Martins, sempre quis ter seu próprio negócio, e diante da oportunidade resolveu comprar o ponto do amigo, mantendo o nome de fantasia Foto Nascimento em homenagem ao amigo.

JC – Ao longo do tempo empresa passou por crises? Pensaram em desistir?

AK – Uma empresa com mais de 55 anos é claro que passou por dificuldades. A maior de todas foi em 1972, quando meu pai teve um AVC (derrame cerebral) e ficou em coma por 20 dias. Ao acordar tinha perdido todo movimento do lado direito e um dos rins. Foi quando minha mãe foi orientada a levá-lo de Manaus para o Rio de Janeiro se quisesse salvar sua vida. Como muita dificuldade, minha mãe o fez ir, e lá ele ficou internado sozinho por seis meses se tratando da infecção dos rins e fazendo fisioterapia. Esse foi uma dos piores momentos da nossa empresa e de nossas vidas. Nesse período minha mãe teve que tomar conta da empresa (sem conhecimento de compra e venda), cuidar de dois filhos de 3 e 5 anos (eu e meu irmão), não ter dinheiro para pagar os compromissos de mercadorias que estavam chegando, perdeu seu próprio pai e teve seu marido entre a vida e a morte. Mas, minha mãe foi uma guerreira em saber enfrentar as dificuldades com muita honra, sem baixar a cabeça, até o retorno do meu pai após os seis meses, com a previsão de vida para três anos. Com esse exemplo de superação, todas as outras crises são pequenas.

JC – Quantas lojas a rede possui? Existem lojas no interior? Quantos empregos são gerados?

AK – A Foto Nascimento possui oito lojas com 170 empregos diretos e no momento todas são em Manaus.

JC – A Foto Nascimento iniciou seus trabalhos com a revelação de fotos e hoje abrange vendas de equipamentos eletrônicos, inclusive trabalha com eventos. Vocês precisaram se enquadrar nas mudanças?

AK – Na verdade a Foto Nascimento atua na área comercial como você falou, na venda de equipamentos fotográficos, informática, telefonia móvel (celulares), telefonia fixa, na área de jogos eletrônicos (Playstation, Xbox, Nintendo e jogos), revelação de fotos desde 3×4 até ampliações 90cm x 150cm, book em estúdio interno e externa, cobertura fotográfica de qualquer evento e filmagem em alta definição. Para realizar essas três últimas atividades criamos a Foto Nascimento Eventos, que é a loja especializada nessa área.

JC – A empresa trabalha com projetos voltados aos funcionários, ou para a comunidade?

AK – Temos um trabalho forte na formação de nossos consultores de vendas e fotógrafos, além de vários benefícios. Quanto à comunidade temos um projeto de visita a duas entidades de crianças onde levamos nossos colaboradores voluntários a passar uma manhã, brincarem com as crianças e levamos alguns itens que as instituições mais necessitam. Posso considerar que também oferecemos curso de fotografia para amadores (básico e avançado), porém é cobrado.

JC – A empresa trabalha com o comércio eletrônico. E com as mídias sociais, como o sr. analisa esse mercado digital?

AK – No comércio eletrônico o que melhor trabalhamos é na revelação online, quanto à venda de produtos já trabalhamos. O site é mais uma vitrine, o cliente olha e vai até nossas lojas, uma vez que não vendemos para fora. Nosso site deve estar entrando todo remodelado agora em outubro. Nas mídias sociais já temos um trabalho atuante desde o início do ano tanto no Facebook como no Twitter e, em breve, em outras mídias sociais.

JC- O senhor tem algum conselho para os jovens empresários que estão iniciando um negócio?

AK – Somos uma empresa formal desde o início e sabemos como é difícil sobreviver, mas também somos sabedores que não existe outro meio correto que não seja a formalização da empresa. Hoje, já temos essas leis, temos o Sebrae que orienta através de seus vários consultores os novos e antigos empreendedores, as entidades de classes como CDL, ACA e Fecomercio que também têm cursos de formação e dão todo suporte na sua organização.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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