Positivo Informática perde ­incentivos e sofre com alta do dólar

Em: 19 de outubro de 2008
De grande promessa entre as empresas que abriram capital na safra recente da bolsa, a Positivo Informática se tornou uma grande frustração para os investidores
De grande promessa entre as empresas que abriram capital na safra recente da bolsa, a Positivo Informática se tornou uma grande frustração para os investidores

De grande promessa entre as empresas que abriram capital na safra recente da bolsa, a Positivo Informática se tornou uma grande frustração para os investidores. As ações da maior fabricante de computadores do país acumulam uma queda de nada menos que 90% este ano, uma das maiores entre todas as empresas listadas na bolsa. Apenas nos últimos 30 dias, a empresa perdeu mais da metade do valor de mercado.
De acordo com analistas, o comportamento dos papéis é consequência de uma combinação de notícias negativas e também do agravamento da crise financeira internacional. A avaliação é que, após a baixa, os papéis da companhia ficaram baratos, mas as incertezas do mercado podem inviabilizar uma recuperação no curto prazo.
A Positivo é uma das chamadas “empresas de crescimento”, que vieram a mercado com a perspectiva de forte evolução nas receitas por conta do aumento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, do emprego e da renda da população. Essa história ficou ameaçada com a crise, que deve restringir a oferta de crédito e, por consequência, a reduzir a venda de computadores.
A empresa também foi diretamente afetada pela alta do dólar, já que a maior parte dos componentes usados na fabricação dos equipamentos é importada, destaca o analista Alan Cardoso, da Ágora Corretora, que tem recomendação de manutenção para as ações. “Apesar de os papéis estarem depreciados, fica difícil indicar a compra antes de se conhecer os efeitos da desvalorização do real nas operações da companhia.” Segundo Cardoso, o impacto da variação cambial só deverá ser refletido integralmente nos resultados do quarto trimestre da empresa, que serão apresentados no ano que vem.
Para o analista Marco Saravalle, da Coinvalores, a alta do dólar representa um risco para a Positivo, mas os efeitos dependerão da capacidade de repasse do aumento dos custos para as redes varejistas. “Em um cenário de maior desaquecimento da economia, as vendas da empresa podem ser prejudicadas”, avaliou.
O desempenho das ações da Positivo tem deixado a desejar desde o início do ano. Segundo Saravalle, a empresa sofreu com a forte venda de investidores estrangeiros em razão do maior sentimento de aversão ao risco. A Positivo também foi afetada pela perda de parte de incentivos fiscais com o fim do crédito tributário do ICMS para produtos de informática em São Paulo.

Oportunidades de crescimento

A Coinvalores possui recomendação de compra para os papéis da Positivo, mas colocou o preço-alvo em revisão. “Mesmo com uma possível redução, o potencial de alta do papel ainda é grande”, disse.
Para o analista, a empresa assimilou os golpes que sofreu e, mesmo com o agravamento das condições macroeconômicas, deve manter o bom ritmo de crescimento, especialmente nas faixas de renda mais baixa e no segmento de notebooks. A tendência de convergência de tecnologias e a possibilidade de internacionalização também representam oportunidades que devem ser exploradas pela companhia, na visão de Saravalle. (IN)

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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