Após o anúncio da Petrobras sobre os reajustes no valor da gasolina que passam a valer a partir desta sexta-feira (11), alguns postos da capital e do interior, já estavam vendendo o produto com o novo preço de R$ 7,19, surpreendendo os motoristas.
“Fui pego de surpresa. Fui abastecer como de costume e ao chegar no posto me deparei com o valor maior e questionei o frentista justificando falou apenas que havia tido aumento. É complicado. Vamos trabalhar só para pagar pela gasolina”, reclamou o eletricista Fernando Oliveira.
O valor médio de venda da gasolina para as distribuidoras passará de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro, um aumento de 18,8% e o valor do litro do diesel saltará de R$ 3,61 para R$ 4,51. A pressão do governo pelo não reajuste no preço da gasolina não surtiu efeito e a Petrobras anunciou o aumento nesta quinta-feira (10).
O conflito entre Rússia e Ucrânia fez o preço do barril de petróleo disparar. Nesta quinta-feira, o valor do barril superou o patamar de US$ 115. No começo da semana, quase atingiu os US$ 140. Fator que pressionou os reajustes pela estatal.
Em nota, a Petrobras informou que, apesar da disparada dos preços do petróleo e seus derivados em todo o mundo, em decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia, a empresa “decidiu não repassar a volatilidade do mercado de imediato, realizando um monitoramento diário dos preços de petróleo”.
“Após serem observados preços em patamares consistentemente elevados, tornou-se necessário que a Petrobras promova ajustes nos seus preços de venda às distribuidoras para que o mercado brasileiro continue sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”, informou o texto.
Ao analisar o cenário, o Sindipetro-AM (Sindicato dos Petroleiros no Amazonas), discorda do posicionamento e por meio de nota manifestou-se. “O aumento de 18,7% para gasolina e 24,9% para diesel são consequências da atual política de preços aplicada pelo governo federal na Petrobras -o PPI (Preço de Paridade de Importação). Com o PPI, o Brasil fica refém do mercado internacional que inclui o aumento do preço do barril de petróleo e também do aumento do dólar”.
O Sindipetro-AM ressalta que é urgente a adoção de uma política de preços nacional assim como a suspensão de venda das refinarias e ativos que favoreçam a população.
Os reajustes colocam o Amazonas em um espécie de desvantagem, levando em conta o desafio logístico e o isolamento do Estado em relação aos demais. É o que avalia o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Marcus Evangelista. “Toda vez que se fala em aumento de combustível o Amazonas sofre um grande impacto. Tudo que nós consumimos aqui vem de fora. No momento que temos uma publicação de aumento desse nível, obviamente o frete encarecerá e consequentemente os preços dos nossos produtos irão subir também”.
Em resumo, ele disse que o Amazonas terá uma inflação regional diferente do restante do Brasil, em função do frete e agrega ao preço do que consome em Manaus.
Risco de desabastecimento
Em tese, o risco de desabastecimento de combustíveis no país, que vinha sendo ventilado diante do conflito externo entre Rússia e Ucrânia, está descartado. Ao mesmo tempo, é prematuro dizer que pode-se afastar essa possibilidade. Marcus Ribeiro, coordenador do Sindipetro-AM, explica que a ameaça pode ocorrer sim, mas está atrelado a venda das refinarias para o setor privado. “Caso a Reman seja vendida ao mercado privado, estaremos entregues ao que a empresa compradora escolher. Exemplo disso, é o que ocorre na Bahia. Após a RLAM ser vendida, o grupo comprador vende a gasolina mais cara do Brasil e importa o combustível do mercado internacional, correndo risco de ficar sem combustível”.
“A saída necessária e urgente é o fim da atual política de preço, aplicada pelo governo federal na Petrobras, conhecida como PPI (Preço de Paridade de Importação) para uma política de preços nacional, sendo o Brasil autossuficiente em petróleo. Assim também como a suspensão da venda das refinarias e demais ativos da Petrobras. Com isso, é possível aplicar preço justo ao consumidor e não depender de mercado externo e suas variáveis”, complementou
Ele não descarta que empregos podem ser afetados com o processo de venda das refinarias e ativos para o setor privado.







