Seguindo a tendência do resto do país, no Amazonas cresce cada vez mais as operações de financiamento imobiliário com recursos da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Apenas no primeiro semestre, dos R$ 203,6 milhões disponibilizados pela Caixa Econômica Federal para o fechamento de mais de 2 mil contratos habitacionais, 69,25% (R$ 141 milhões) foram referentes aos recursos de poupança e 28,48% (R$ 58 milhões) ao FGTS. Os valores representam um aumento de 12,9% na comparação com o ano passado.
Devido a esse crescimento, a aposta de vários bancos brasileiros é de que o recurso dure apenas até 2013. Caso a previsão se concretize, de acordo com a presidente do Sindimóveis (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas), Jane Picanço, os maiores prejudicados serão as pessoas de menor poder aquisitivo. “O fim desse fundo iria afetar diretamente essas pessoas que dependem disso para adquirir um imóvel”, opinou.
Para o titular do Corecon–AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Mourão Júnior, um dos fatores que poderia estar diminuindo os recursos da poupança seria a ousadia dos pequenos investidores. “A poupança é a mais segura por não apresentar grau de risco. Mas, de uns tempos pra cá, os investidores, mesmo os pequenos, começaram a arriscar em investimentos que proporcionem rendimentos maiores”, esclareceu.
No entanto, mesmo sem possuir os números, o economista acredita que os saldos de Poupança e FGTS ainda são muito altos e não há risco para o Amazonas nesse sentido.
O Banco do Brasil, por meio da assessoria, garantiu que não existe, por parte da instituição, a previsão de esgotamento do recurso até 2013.
Já a assessoria da Caixa informou que a caderneta de poupança e o FGTS continuarão sendo as principais fontes de recursos para o crédito imobiliário. A explicação é de que devido à boa fase dos investimentos imobiliários, existe a possibilidade de, a partir de 2013 esses recursos, por si só, não serem suficientes para garantir a velocidade de crescimento. O que não significa, segundo a instituição, a necessidade de buscar fontes alternativas para substituir a caderneta de poupança, mas sim, para complementá-la.
Captação também é feita de fontes alternativas
A entidade informou ainda que já utiliza captação por meio de LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e via incentivo ao fortalecimento da securitização -transformação de uma dívida em um papel para investimento no mercado de capitais -.
No âmbito do governo federal, estuda-se a criação de um novo instrumento de captação, específico para o crédito imobiliário, ou seja, uma Letra Financeira Imobiliária.
“Nossa percepção é que, estamos diante de um ‘bom problema’ e que, ao final deste período, ao invés de uma desaceleração do mercado de crédito imobiliário, teremos um grande avanço deste rumo às soluções de mercado, com avanços tanto em termos de regulamentação, quanto de maior participação do mercado financeiro, tornando este segmento menos dependente de créditos direcionados”, finalizou a assessoria.







