De acordo com o dicionário do Aurélio, praça pode ser definida como local público destinado à recreação, convivência e divertimento da população. Existente há milênios, esse lugar que já serviu de ponto de comércio para antigas civilizações; centro de debates e decisões políticas na Grécia Antiga; e de palco para as terríveis execuções da Santa Inquisição, na Idade Média; e das decapitações da Revolução Francesa, na Idade Contemporânea. As principais praças de Manaus encontram-se no Centro Histórico. São elas: praça Dom Pedro II, da Matriz, Heliodoro Balbi (da Polícia), Torquato Tapajós (dos Remédios), da Saudade e São Sebastião.
Na avenida 7 de Setembro, no antigo bairro de São Vicente, fica localizada a praça Dom Pedro II. Esse logradouro, no período provincial, era conhecido como Largo do Pelourinho, pois nele existia uma coluna de madeira ou pedra (pelourinho) utilizada para castigar criminosos. A ornamentação fica por conta da bela fonte de bronze, inaugurada em 1894; e do coreto de ferro, o mais antigo da cidade, trazido de Liverpool em 1882 e montado em 1888. Em seus arredores estão prédios de grande relevância histórica, como o Paço da Liberdade, antiga sede da prefeitura; as ruínas do Hotel Cassina; o Palácio Rio Branco e o edifício do Iapetec, o primeiro “arranha-céu” de Manaus, construído na década de 1950.
A praça da Matriz, localizada entre as avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro, “recebe” os visitantes que chegam à Manaus pelo roadway. Nela fica a maior igreja católica de Manaus, a catedral de N. Sra. da Conceição, construída em 1878. A mais bela e mais ornamentada fonte da cidade encontra-se nessa praça. Ela veio de Glasgow, na Escócia, e foi instalada em 1896, na administração de Eduardo Ribeiro. Nos arredores da catedral ficam o prédio dos Correios, construído em 1905; o Relógio Municipal, inaugurado em 1927, na gestão de Araújo Lima; e o obelisco comemorativo ao centenário da elevação de Manaus a categoria de cidade, de 1948. Atualmente, a praça está isolada para reformas, que ainda não foram iniciadas por causa da falta de recursos do programa federal PAC das Cidades Históricas.
Entre as ruas Miranda Leão, dos Barés, Coronel Sérgio Pessoa e Leovegildo Coelho, fica a praça Torquato Tapajós, popularmente conhecida como dos Remédios, inaugurada em 1899. A igreja de N. Sra. dos Remédios, construída em estilo neoclássico, domina a paisagem. Em 1945 foi inaugurado, no centro da praça, o monumento ao Sagrado Coração de Jesus. Na esquina das ruas Miranda Leão e Cel. Sérgio Pessoa, no canto da praça, ergue-se o, hoje abandonado, prédio da Faculdade de Direito, fundada em 1909 pelo jurista Dr. Astrolábio Passos. O local ficou abandonado por anos e, em 02 de outubro, após dois meses de restauro, foi reinaugurado.
A mais visitada
O Largo São Sebastião é o logradouro mais visitado da cidade, porque nele está assentado o Teatro Amazonas, o cartão postal mais famoso de Manaus. Antes de se tornar praça, o espaço era propriedade do tenente-coronel Antônio Lopes Braga, que doou o terreno para o município. A primeira mudança no local foi o levantamento, em 1867, por iniciativa do diretor de Obras Públicas, Antônio Davi Vasconcelos de Canavarro, de uma coluna em comemoração à Abertura dos Portos do Rio Amazonas à Navegação Estrangeira, fato ocorrido um ano antes. A casa de ópera começou a ser construída quase 20 anos depois, sendo inaugurada apenas em 1896.
Em substituição à antiga coluna comemorativa, foi erguido em 1900 um belo monumento em bronze (em comemoração ao mesmo fato), de autoria dos italianos Domenico de Angelis e Enrico Quatrini. Mais trabalhado e de maior valor artístico, ele possui vários significados, como os quatro navios representando os continentes conhecidos na época (América, Europa, África e Ásia); e o Deus do Comércio, Mercúrio, sentado em uma engrenagem, simbolizando a indústria, ao lado de uma figura feminina, que representa a Amazônia.
Um detalhe que chama bastante a atenção é o piso do local, semelhante ao do calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro. O desenho do passeio do Largo de São Sebastião foi inaugurado em 1901, quatro anos antes do carioca. Ambos foram inspirados no desenho do piso da praça do Rossio, existente em Lisboa desde 1842. Também fazem parte do conjunto a igreja de São Sebastião, construída em estilo gótico, inaugurada em 1888 e, mais tarde, na década de 1930, remodelada em estilo neoclássico; a antiga residência do mais rico comerciante da época da borracha, o português J.G. de Araújo, inaugurada como Casa das Artes, em 2004; e outras construções do final do século 19 e início do 20.
Clube da Madrugada
A praça Heliodoro Balbi, mais conhecida como da Polícia, por estar em frente ao antigo quartel da Polícia Militar, atual Centro Cultural Palacete Provincial, é a mais arborizada e mais ornamentada da cidade. Fica entre as avenidas 7 de Setembro, Floriano Peixoto e rua José Paranaguá. Na administração do prefeito Adolpho Lisboa (1902-1908) o logradouro foi ornamentado com esculturas em ferro, trazidas da França: Diana caçadora, Ninfa, Hermes, e Cão e Javali em luta, única peça assinada por um artista, o francês Charles Theodòre Perron. Essas obras, de acordo com vários pesquisadores, estão relacionadas à temática da caça, muito comum nas praças parisienses do final do século 19. Ainda digno de nota é o belo coreto art-nouveau, o maior e mais bem trabalhado da cidade.
Nessa praça, em 1954, conta a lenda que, debaixo de uma árvore de mulateiro ainda existente, foi fundado o Clube da Madrugada, movimento artístico e literário formado por jovens que tinham o objetivo de renovar a cultura amazonense, estagnada no tempo.
Na frente do Palacete Provincial existem duas esculturas em bronze, representado militares, do lado direito um soldado do Exército Regular e do lado esquerdo um zuavo da Força Colonial Argelina. O zuavo de Manaus é semelhante ao que fica na ponte de L’Alma, em Paris. Essa escultura serve como medidor para os níveis das águas do rio Sena. A única diferença, além da função, é que a escultura francesa é maior e feita em pedra; diferente da que fica na praça da Polícia, em tamanho natural e feita em bronze. Tombado em conjunto com a praça e o Palacete, o Gymnasio Dom Pedro II, mais conhecido como “Estadual”, é a escola mais tradicional de Manaus, fundada em 1886 e responsável por formar vários intelectuais de expressão dentro e fora do Amazonas. Fato interessante foi o de ter servido de moradia para o Conde d’Eu, em visita ao Estado em 1889.
A praça 5 de Setembro, conhecida como da Saudade desde que foi aberta, em 1860, por estar próxima ao cemitério São José (onde hoje fica o Atlético Rio Negro Clube), fica entre a av. Epaminondas e as ruas Ramos Ferreira, Ferreira Pena e Simão Bolívar. O maior atrativo desse espaço é o monumento em mármore e bronze, dedicado à memória do primeiro presidente da província do Amazonas, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha. Esse monumento veio da Itália, e aqui foi montado na praça Tamandaré, atual praça Tenreiro Aranha, em 1907. A obra foi transladada para o atual local apenas em 1932, época em que também foram construídos seus jardins.
Antigas ou recentes
Na esquina das ruas Ramos Ferreira e Ferreira Pena fica um palacete construído no início do século 20, que já foi propriedade do conceituado médico Dr. Fajardo e funcionou como Faculdade de Engenharia da antiga Universidade do Amazonas. Na esquina das ruas Simão Bolívar e Ferreira Pena fica o palacete Mourisco, antiga residência de Carlos de Figueiredo, presidente do Banco do Amazonas. O local funcionou como reitoria da Universidade do Amazonas e atualmente é sede da Esmam (Escola Superior de Magistratura do Amazonas).
Esse logradouro, que vem sofrendo modificações desde os anos 1960, sofre com a falta de segurança e o relativo abandono por parte das autoridades e dos próprios frequentadores. Vez ou outra ele sofre algumas “intervenções”, que não passam de meras maquiagens para esconder a verdade.
Outras praças, antigas ou recentes, podem ser encontradas ainda no Centro ou em outros bairros: praça N. Sra. Auxiliadora, av. Joaquim Nabuco, centro; praça do Congresso, av. Eduardo Ribeiro, centro; praça Dom Bosco, av. Epaminondas e rua da Instalação, centro; praça Chile, em frente ao cemitério São João Batista, N. Sra. das Graças; praça Ismael Benigno, São Raimundo; praça N. Sra. do Perpétuo Socorro, Educandos; e praça Francisco Pereira da Silva (Bola da Suframa), Distrito Industrial. As praças, verdadeiras “ilhas” de tranquilidade em meio à agitação dos tempos modernos, são elementos de grande importância histórica, social e cultural, pois nelas são erguidos monumentos, passam pessoas ilustres e ficam fatos.






