Procurando dar um destino útil às garrafas PET (sigla para o polímero termoplástico Polietileno tereftalato, da qual são feitas as embalagens) que via acumular nos finais de semana no balneário da Praia Dourada, do qual é proprietário, o engenheiro agrônomo e de segurança e mestre em meio ambiente, Nelson Marinho, idealizou pranchas de sup ecológicas recheadas com a garrafa. As industrializadas têm em seu interior, ou poliuretano ou isopor naval, fabricados exclusivamente para esse fim. Com suas pranchas Nelson recicla as PETs.
Isso ele faz há quase dois anos, mas há apenas dois meses o engenheiro vem investindo, além das pranchas, num outro produto para deslizar sobre as águas: o caiaque ecológico, também recheado com PETs. “E fiz até uma variação, para quem gosta de pescar, com local para colocar a vara e encosto para a pessoa ficar comodamente sentada. Também estudei ergonomia, então fica fácil fazer essas adaptações”, explicou.
A produção das duas peças ainda é artesanal. “Atendemos à medida que nos pedem. Temos um custo alto para produzir tanto a prancha quanto o caiaque, então o preço fica em R$ 2.500, cada uma delas. Quem as tem comprado são proprietários de hotéis no interior e de selva, na beira do rio, para utilização de seus hóspedes. Aqui na Praia Dourada, atualmente, eu tenho 15 pranchas e oito caiaques, e estamos produzindo mais porque faz fila de pessoas querendo utilizá-los”, contou.
Caiaque para a família
Para chegar aos atuais modelos das duas peças, Nelson trouxe até Manaus o fibrador Leandro Souza da Silva. A dupla vem testando e buscando melhoras a cada nova produção. “Nas primeiras pranchas, quando a pessoa subia, ficava fazendo aquele barulho de garrafa plástica sendo amassada. Não era legal, apesar de ela ter sido idealizada para dar um fim útil àquelas garrafas. Então passamos a injetar poliuretano no interior das garrafas. Ele expande e ocupa o espaço vazio. Não é poluente e nem perigoso para os seres vivos, e o barulho sumiu”, garantiu.
Para produzir um caiaque é feita uma estrutura em madeira, depois, em seu interior, dependendo do tamanho da garrafa, podem ser acondicionadas em média 60 garrafas. Concluindo o trabalho é colocado o revestimento de fibra, a mesma utilizada na fabricação de lanchas. Atualmente o modelo de caiaque produzido por Nelson e Leandro pode transportar até três pessoas. “Mas tenho visto aqui famílias levando crianças como uma quarta pessoa e o caiaque aguenta bem”, afirmou Marinho.
Brincadeira relaxante
Apesar da rápida confecção (um caiaque ecológico leva em média dois dias para ser finalizado), o custo ainda é alto, já que a produção ainda é ‘artesanal’, conta marinho. “Ainda não é possível à grande massa de pessoas que gosta de praticar o sup ou andar de caiaque adquirir facilmente as peças. Parece que não, mas existe uma boa parcela de pessoas que curte esse tipo de lazer, e novos adeptos estão surgindo, principalmente depois que descobrem ser relaxante deslizar sobre as águas do rio Tarumã-Açu, aqui da Praia Dourada”, riu.
Desde o começo da produção das pranchas, e agora com os caiaques, marinho busca parcerias. “Parceiras seriam ótimas, seja para trabalhar conosco ou para vender as peças nas suas lojas ou ainda ser representante em outras cidades. O produto está aí, perfeito como um industrializado, levando a marca de ser artesanal e ecológico”, avisou. A próxima ideia de Nelson para reciclar PETs é construir um restaurante flutuante, bem em frente à praia, todo com as garrafas plásticas, sobre toras de assacu. “Já fiz o projeto e ele já está sendo levantado. Ainda este ano fica pronto”, adiantou.
Seiscentos quilos de lixo
Cerca de 30 voluntários do projeto Grito D’água recolheram no último sábado (29), mais de 600 quilos de lixo do igarapé do Tarumã. Grande parte do material recolhido era de garrafas PET, madeira, sacos, isopor e plástico. O lixo foi recolhido do igapó que se forma nesta época de regime de cheia dos rios amazônicos.
A cheia e a vazante dos rios amazônicos trazem, sempre à tona, um grande problema, todos os anos. Toneladas de lixo, deixadas nos igarapés próximos de Manaus aparecem nas margens assim que os rios descem e na medida em que sobem também poluem outras áreas como marinas e flutuantes.
O Grito D’água nasceu com o objetivo de, cada vez mais, tornar perene a “saúde” dos mananciais amazônicos. A ação é realiza com o apoio de pranchas de sup e caiaques e, com lanchas de apoio, todo lixo recolhido é destinado de forma correta.
A ação é o resultado de uma união de esforços do flutuante Abaré Sup e PontoComm Comunicação e Marketing e iniciativa privada, com o apoio da Manaus Ambiental, Postos Atem, Lilian Daniel Health, HI Confecções e Pump. O Grito D’água é um dos eventos mais importantes de limpeza de igarapés ao redor da capital e é também o primeiro a unir esporte e consciência ambiental.
“A intenção é unir esforços para que, neste dia, possamos obter resultados importantes quando o assunto é engajamento e marketing ambiental. A ideia sempre é motivar as pessoas pela ação e um único retorno que é um futuro melhor para nossos filhos e netos”, comentou Agnaldo Oliveira Júnior, da PontoComm & Marketing.
Esta é a quarta edição do evento que tem engajado cada vez mais pessoas. Atualmente, grande parte é presença contínua em todas as edições. Quanto ao que foi retirado, na primeira edição foram recolhidos 600 quilos de lixo; no Grito D’água 2.0, uma tonelada foi retirada das margens das ilhotas que se formam no Tarumã; na terceira edição saíram das águas duas toneladas.
Ao final a Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Pública) recolheu o lixo que foi organizado pelos voluntários. A próxima edição do evento que ocorre, sempre, na cheia e na vazante dos rios, acontecerá em novembro.







