Os preços de referência de energia elétrica no mercado atacadista mantiveram-se praticamente estáveis para a última semana do ano, conforme dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), fixando-se em R$ 199,76 por MWh, na média, para os quatro sub-mercados. Esses preços são praticamente iguais aos observados na última semana (R$ 200,48), com queda de 0,36%. Em relação ao ano passado, porém, os preços da CCEE representam aumento de 444% no Sudeste/Centro-Oeste; de 439% na região Sul e de 1.081% nas regiões Nordeste e Norte. Isso reflete o menor volume de água/energia nos reservatórios das grandes hidrelétricas este ano, em relação ao observado no final do ano passado.
Pelos dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), os reservatórios ainda estão em níveis confortáveis, com bastante folga em relação à CAR (Curva de Aversão ao Risco). O problema é que as chuvas este ano permanecem bastante abaixo da média histórica dos últimos 76 anos, o que faz com que o software que calcula os preços (chamado de New Wave) puxe os preços para cima A curva de aversão foi criada pelo governo após o racionamento de energia em 2001 e 2002 e visa a antecipar possíveis dificuldades de oferta de energia elétrica no horizonte de 24 meses.
Conforme dados do ONS, os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste estavam hoje em torno de 45,6% da capacidade máxima de armazenamento (86.641 MW médios armazenados), com folga de 35,6 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco. As chuvas na região, porém, continuam muito fracas, situando-se em 35% abaixo da média histórica dos últimos 76 anos. Nos primeiros 19 dias de dezembro os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste perderam 2,6 pontos percentuais no nível de estocagem de água.
No caso do Nordeste, a situação é mais complexa com os reservatórios situando-se em 26,5% da capacidade de armazenamento, com folga de 16,5 pontos em relação à curva de aversão ao risco. As hidrelétricas nordestinas perderam 2,9 pontos percentuais no nível de armazenamento em dezembro, mesmo com o ONS fazendo transferências maciças de energia do Sudeste e do Norte para o Nordeste.
Além disso, desde o início do mês, o ONS passou a despachar térmicas (autorizar o funcionamento) movidas a óleo diesel e óleo combustível, com custos bem maiores do que os registrados nas tarifas das hidrelétricas, para reduzir o deplecionamento (esvaziamento) dos reservatórios da região. Tradicionalmente, o ONS só aciona as usinas térmicas para complementar a oferta hídrica quando os reservatórios se aproximam dos 10% do nível de armazenamento.
A região Sul mantém-se em situação tranquila, já que os seus reservatórios estão em 72,2% da capacidade de armazenamento, com folga de 59,2 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco. Essa situação difere da observada em 2005 e início de 2006, quando as hidrelétricas do Sul registravam pequeno volume de água e o ONS teve de direcionar grandes blocos de energia do Sudeste para o Sul. Nas últimas semanas, o movimento tem sido o inverso, com o operador transferindo energia do Sul para o Sudeste. As chuvas no Sul estão cerca de 12% acima da média histórica.
Na região Norte, as chuvas também estão fracas, situando-se cerca de 54% abaixo da média histórica. As chuvas na região, porém, se acentuam nos meses de janeiro e fevereiro, resultando em vertimento (liberação de água sem gerar energia). Mantida a tradição, o ONS deverá ampliar a transferência de energia do Norte para o Nordeste a partir do mês que vem, complementando a geração na região nordestina.







