Preço da energia no atacado se mantém estável, segundo CCEE

Em: 22 de dezembro de 2007
Em relação ao ano passado, porém, os preços da CCEE representam aumento de 444% no Sudeste/Centro-Oeste; de 439% na região Sul e de 1.081% nas regiões Nordeste
Em relação ao ano passado, porém, os preços da CCEE representam aumento de 444% no Sudeste/Centro-Oeste; de 439% na região Sul e de 1.081% nas regiões Nordeste

Os preços de referência de energia elétrica no mercado ata­cadista mantiveram-se praticamente estáveis para a última semana do ano, conforme dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), fixando-se em R$ 199,76 por MWh, na média, para os quatro sub-mercados. Esses preços são praticamente iguais aos observados na última semana (R$ 200,48), com queda de 0,36%. Em relação ao ano passado, porém, os preços da CCEE representam aumento de 444% no Sudeste/Centro-Oeste; de 439% na região Sul e de 1.081% nas regiões Nordeste e Norte. Isso reflete o menor volume de água/energia nos reservatórios das grandes hidrelétricas este ano, em relação ao observado no final do ano passado.

Pelos dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), os reservatórios ain­da estão em níveis confortáveis, com bastante folga em relação à CAR (Curva de Aversão ao Risco). O problema é que as chuvas este ano permanecem bastante abaixo da média histórica dos últimos 76 anos, o que faz com que o software que calcula os preços (chamado de New Wave) puxe os preços para cima A curva de aversão foi criada pelo governo após o racionamento de energia em 2001 e 2002 e visa a antecipar possíveis dificuldades de oferta de energia elétrica no horizonte de 24 meses.

Conforme dados do ONS, os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste estavam hoje em torno de 45,6% da capacidade máxima de armazenamento (86.641 MW médios armazenados), com folga de 35,6 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco. As chuvas na região, porém, continuam muito fracas, situando-se em 35% abaixo da média histórica dos últimos 76 anos. Nos primeiros 19 dias de dezembro os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste perderam 2,6 pontos percentuais no nível de estocagem de água.

No caso do Nordeste, a situação é mais complexa com os reservatórios situando-se em 26,5% da capacidade de armazenamento, com folga de 16,5 pontos em relação à curva de aversão ao risco. As hidrelétricas nordestinas perderam 2,9 pontos percentuais no nível de armazenamento em dezembro, mesmo com o ONS fazendo transferências maciças de energia do Sudeste e do Norte para o Nordeste.

Além disso, desde o início­ do mês, o ONS passou a despachar térmicas (autorizar o funcionamento) movidas a óleo diesel e óleo combustível, com custos bem maiores do que os registrados nas tarifas das hidrelétricas, para reduzir o deplecionamento (esvaziamento) dos reservatórios da região. Tradicionalmente, o ONS só aciona as usinas térmicas para complementar a oferta hídrica quando os reservatórios se aproximam dos 10% do nível de armazenamento.

A região Sul mantém-se em situação tranquila, já que os seus reservatórios estão em 72,2% da capacidade de armazenamento, com folga de 59,2 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco. Essa situação difere da observada em 2005 e início de 2006, quando as hidrelétricas do Sul registravam pequeno volume de água e o ONS teve de direcionar grandes blocos de energia do Sudeste para o Sul. Nas últimas semanas, o movimento tem sido o inverso, com o operador transferindo energia do Sul para o Sudeste. As chuvas no Sul estão cerca de 12% acima da média histórica.

Na região Norte, as chuvas também estão fracas, situando-se cerca de 54% abaixo da média histórica. As chuvas na região, porém, se acentuam nos meses de janeiro e fevereiro, resultando em vertimento (liberação de água sem gerar energia). Mantida a tradição, o ONS deverá ampliar a transferência de energia do Norte para o Nordeste a partir do mês que vem, complementando a geração na região nordestina.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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