A inflação brasileira é a menor em mais de dois anos, mas essas baixas não chegaram a todos os itens. Após terem tido queda em fevereiro e março, as passagens aéreas voltaram a subir em abril, segundo o IPCA-15(Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) divulgado nesta quarta-feira (26).
O IPCA-15 é a prévia da inflação oficial, que indica a variação dos preços até meados de cada mês.
As passagens aéreas subiram 11,96% no IPCA-15 de abril, medido entre a segunda quinzena de março e a primeira quinzena de abril. Antes disso, a inflação das passagens vinha em queda desde o começo do ano, após ter tido altas recordes em 2022 (veja no gráfico 1).

Com a alta de quase 12%, o preço das passagens subiu bastante acima da inflação no mês, que desacelerou e ficou em 0,57% no IPCA-15 de abril.
- Ao todo, as passagens foram o terceiro subitem que mais subiu no IPCA-15 de abril;
- No mês, a alta das passagens ficou somente atrás do morango, que teve a maior alta do mês (17,04%) e da manga (13,03%).
Em um ano, passagens aéreas ficam 51% mais caras
Apesar das quedas vistas em janeiro, fevereiro e março, as passagens aéreas estão hoje 51% mais caras do que eram em abril do ano passado.
No acumulado em 12 meses, as passagens aéreas também tiveram a maior alta dentre todos os produtos e serviços pesquisados pelo IBGE para composição do IPCA.
A variação das passagens no período ficou acima da inflação geral, que está em 4,16% no acumulado em 12 meses (veja no gráfico 2).

O que levou à alta nas passagens
Após momentos de baixa na pandemia, o preço das passagens teve picos recentes com a vacinação e a reabertura dos países pelo mundo, além do retorno de viagens corporativas e custos de operação em alta.
Os preços de 2022, em especial, foram ainda afetados pela alta no preço dos combustíveis, que disparou no mundo em meio à guerra na Ucrânia. Parte desse aumento segue influenciando os preços das passagens, hoje em patamares muito superiores aos da pandemia.
No Brasil, ao longo de 2022, o preço do querosene de aviação teve alta de 49,6%, segundo a Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas). Além do cenário internacional, fatores como o câmbio e efeitos sazonais também costumam impactar o preço das passagens localmente.
Belo Horizonte é a capital com maior alta nas passagens
Dentre as capitais pesquisadas individualmente pelo IBGE, a cidade de Belo Horizonte (MG) teve a maior alta nas passagens aéreas no IPCA-15 de abril, com alta de mais de 27% na comparação com o índice de março.
A menor alta foi em São Paulo, onde as passagens subiram pouco mais de 6%.
Variação no preço das passagens aéreas nas capitais, segundo o IPCA-15 de abril:
- Belo Horizonte 27,18%
- Porto Alegre 20,25%
- Salvador 18,85%
- Goiânia 17,64%
- Distrito Federal 13,72%
- Belo Horizonte 12,56%
- Fortaleza 11,97%
- Recife 10,62%
- Rio de Janeiro 9,78%
- Curitiba 8,90%
- São Paulo 6,35%.







