Preço de massas tem incremento a partir de abril

Em: 28 de março de 2008
Sindicato do setor afirmou que produtos vão estar mais caros na primeira quinzena de abril em média 12% e não descarta outra majoração de preços nos próximos 30 dias.
Sindicato do setor afirmou que produtos vão estar mais caros na primeira quinzena de abril em média 12% e não descarta outra majoração de preços nos próximos 30 dias.

A partir da primeira quinzena de abril o consumidor amazonense vai comprar biscoitos e massas alimentícias com os preços majorados entre 10% e 12%. O Sindicato das Indústrias de Massas e Biscoitos de Manaus não descarta outro reajuste, ainda em abril, caso o preço da farinha de trigo continue aumentando. Este será o primeiro reajuste do ano, pois até agora a indústria do setor tinha mantido os preços praticados desde agosto do ano passado.
O presidente da entidade, Américo Augusto Esteves, informou que o realinhamento de preços é decorrente da alta do grão de trigo, decorre da queda de safra nos mercados produtores. O dirigente explicou que a carência de matéria-prima nacional coloca a indústria do setor local a mercê do produto estrangeiro. Segundo Esteves, a aquisição de grão da Argentina está paralisada há mais de 15 dias. “O governo argentino está cobrando pedágio de suas exportações para manter a economia do país estabilizada, em virtude da crise que se instalou naquele país”, assegurou.
Diante da falta do grão argentino, Américo Augusto disse que as opções são os Estados Unidos, Austrália e o Canadá. No entanto, assegurou que entre março de 2007 e o mesmo mês de 2008 o grão de trigo teve alta de 104%. “Com esse aumento, as empresas do segmento são obrigadas a majorar seus preços, haja vista que o trigo representa entre 70% e 75% do custo final de pão, biscoitos e massas”, assinalou o presidente do sindicato.

Baixa
produção

O dirigente lamentou o fato de que a escassez do grão no mercado mundial não possa ser suprida com a demanda brasileira, oriunda das regiões Sul, Sudeste e principalmente Nordeste, especificamente de Fortaleza, porque juntos produzem apenas 15% da necessidade de consumo do país.
Em fevereiro o custo da farinha trigo da Indústria Moageira de Trigo -Trigolar- teve incremento de 6,7%, passando a ser vendido por R$ 80 a saca de 50 quilos. Por conta da greve na Argentina a fabricante de trigo, que em média compra 15 mil toneladas mensalmente de grão, está tendo dificuldade em importar o grão do país vizinho, que continua a ser mais vantajoso por questões de qualidade, logística e principalmente preço.
Do montante importado pela Trigolar, cerca de 7.000 são destinadas para o consumo local e o restante fica em estoque.

Indústria nacional do setor possui 600 empresas

A situação de Manaus não está diferente das demais capitais brasileiras. Na semana passada o presidente do Simabesp/Anib, (Sindicato de Biscoitos e Massas Alimentícias do Estado de São Paulo), José dos Santos Reis informou que esses produtos serão vendidos com reajustes de 10% a 15%. Ele explicou que este é o primeiro reajuste do ano, pois até agora o setor tinha mantido os preços praticados desde agosto do ano passado. “As empresas já estão arcando com os aumentos e chega um ponto em que precisam promover um realinhamento para que possam se manter sadias”, explicou.

Motivos
apontados

Entre os aumentos que forçaram esta reavaliação dos preços dos biscoitos e massas estão, segundo José dos Santos Reis a farinha, 30%; gordura hidrogenada, 35%, cacau, 15%. “A maioria dos insumos são commodities, ou seja, têm seus preços regulados pelo mercado internacional”, informou.
Em nível nacional, o mercado de biscoitos movimenta mais de 1,13 milhões de toneladas anualmente e tem um faturamento em torno de R$ 7,41 bilhões, o que coloca o Brasil na posição de segundo maior produtor mundial. Este setor está composto por 600 indústrias, sendo que as 20 maiores representam 70% do mercado.
O consumo anual per capita do consumidor brasileiro tem se situado em torno dos 6 quilos nos últimos cinco anos. No que se refere às massas, o Brasil detém o terceiro lugar no ranking dos países produtores, com um total de 1,3 milhões de toneladas produzidas em 2007 e um faturamento de R$ 4,67 bilhões. O consumo per capita anual é de 5,8 quilos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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