As indústrias químicas anunciaram, no último fim de semana, um segundo aumento no preço do dióxido de titânio numa tentativa de acompanhar a alta dos custos de energia elétrica e matéria-prima (commodity) no mercado internacional. Com o reajuste, a ser efetivado a partir do dia 15 de julho, o produto salta de aproximadamente US$ 135 para US$ 150 por tonelada.
Em entrevista exclusiva ao JC, o gerente geral da DuPont Titanium Technologies do Brasil, Richard Olson, esclareceu que os aumentos anunciados na penúltima semana de junho seriam adequados para compensar o crescimento dos custos, mas o preço do barril do petróleo, cujo patamar alcança os US$ 140, não deixou alternativa para as empresas do setor. “Não tomamos estes passos sem precedentes de forma leviana, porque sabemos que eles eventualmente baixarão a cadeia de valor total”.
Olson disse ainda que a DuPont, apontada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) como uma das maiores produtoras mundiais de dióxido de titânio, já considerava que o efeito cumulativo dos aumentos anunciados desde o começo do ano resultaria em três quartos dos preços da commodity no mercado interno, aproximadamente 15% mais altos em moeda americana se comparada à cotação do produto no início deste ano. “Os detalhes do reajuste serão anunciados em breve nas várias regiões industriais, inclusive na ZFM (Zona Franca de Manaus)”, ressaltou o empresário, acrescentando que no leque de clientes da companhia se encontram empresas de revestimento, papel e plástico de todo o Brasil.
Além do dióxido de titânio, todas as linhas de especialidades estirênicas e plásticos de engenharia também sofrerão aumento a partir do dia 1º de julho. O anúncio foi dado pela empresa Basf Poliuretanos que aumentará os preços em até US$ 630 por tonelada em todos os produtos. Em nota oficial, a empresa afirmou que a medida foi tomada devido aos aumentos sem precedente nos custos de matérias-primas, energia e transportes.
“A ação é necessária para que o negócio de plásticos da Basf possa continuar provendo produtos de alta qualidade, serviços confiáveis e soluções inovadoras”, disse a empresa. Em Manaus, a multinacional alemã fornece produtos para o segmento automotivo, construção civil, médico-hospitalar, eletroeletrônicos e embalagens.
A notícia do aumento de commodities parece não ter agradado as empresas de termoplastia do PIM (Pólo Industrial de Manaus) que planejam reverter a crise nas vendas ampliando o leque de negócios para regiões circunvizinhas do Estado, incluindo a Colômbia, Peru e Venezuela.
O presidente do Sinplast (Sindicato das Indústrias de Materiais Plásticos de Manaus), Ulisses Tapajós, mostrou-se preocupado com a possibilidade de as indústrias locais arcarem com um terceiro aumento no preço das resinas termoplásticas, cuja alta já alcança a média de 15% no acumulado do ano. O dirigente frisou que, além do estímulo ao aumento das importações de peças plásticas chinesas sob a forma de produtos acabados, uma das causas da crise no setor produtivo foi justamente as constantes altas nas matérias-primas que fizeram a termoplastia amargar sucessivas quedas nos negócios com as empresas do PIM.
Sobre as retrações durante os primeiros cinco meses deste ano, Tapajós disse que chegaram a 35% do volume total do processo fabril observado no ano passado. “Ficamos preocupados com o cenário petroquímico nacional que vem apontando constantes oscilações no preço das resinas, justamente no momento em que a cadeia produtiva local, pensando em se expandir, não poderá repassar esse incremento no valor do produto final”, declarou.
Novos investimentos
Apesar da alta cotação no mercado internacional da principal matéria-prima da termoplastia ser encarada como desafio para o crescimento dos negócios, o preço do dióxido de titânio não deverá frear a injeção de investimentos no setor, pelo menos as que atuam no segmento de mídias gravadas e virgens, resinas plásticas e comércio eletrônico, como a Videolar, que anunciou







