Prefeitura desiste de reforma do Centro e de Camelódromo

Em: 25 de março de 2011
Se depender do ego dos políticos locais, Manaus pode perder em breve o título de subsede da Copa do Mundo de 2014. Um dos principais pré-requisitos estipulados pelo comitê organizador da FIFA para a realização do mundial
Se depender do ego dos políticos locais, Manaus pode perder em breve o título de subsede da Copa do Mundo de 2014. Um dos principais pré-requisitos estipulados pelo comitê organizador da FIFA para a realização do mundial

Se depender do ego dos políticos locais, Manaus pode perder em breve o título de subsede da Copa do Mundo de 2014. Um dos principais pré-requisitos estipulados pelo comitê organizador da FIFA (Federação Internacional de Futebol) para a realização do mundial, a retirada dos camelôs da área central, virou picuinha na mão de quem deveria solucionar os problemas da população.
Em entrevista coletiva dada na tarde de ontem, 24, o diretor do Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano), Manoel Ribeiro, informou que a prefeitura não possui um novo projeto para abrigar os quase 3 mil vendedores ambulantes, e que por conta disso também não implantará o projeto de revitalização dos prédios históricos situados no local.
As declarações vieram após os empresários do grupo Uai, responsáveis pela construção do Shopping Popular Uai Porto, anunciarem que não pretendem mais implantar o projeto na cidade. Eles, que vinham lutando desde julho do ano passado contra o embargo autorizado pelo Juiz Ricardo Sales, da 3ª Vara da Justiça Federal, feito a pedido da ANTAQ (Agência Nacional de Transporte Aquaviário) sob alegação de que a prefeitura Municipal não teria informado o órgão federal sobre a construção, foram informados na tarde da quarta-feira pela Polícia Federal que não poderiam mais efetuar nenhuma atividade no local, mesmo que seja de retirada do material já utilizado.
“No momento da ação da polícia, eu e o prefeito estávamos reunidos com os empresários. Recebemos isso com surpresa, já que eles possuem uma ordem judicial que autoriza a desmontagem do que já foi feito. Ele não sabe se obedece a Justiça Federal ou a Polícia Federal”, afirma, dizendo que o Ministério dos Transportes agil de má fé contra a cidade, já que no Rio de Janeiro o governo federal, através da gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, doou para a prefeitura do Estado todo o terreno do porto da cidade para revitalização.
“Manaus foi traída pelo Ministério, que ao invés de destinar seu trabalho para questões como as do Porto do Chibatão, que causou uma tragédia sem precedentes em Manaus, veio se meter em um problema social que já estava praticamente resolvido com o consenso dos empresários e principalmente dos camelôs. Tudo por questão política”, remetendo a culpa ao ex-candidato ao governo do Estado e atualmente Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.
“Por picuinha política, com medo de perder a eleição, que acabou perdendo e vai continuar perdendo, porque agora vai ficar estigmatizado, com todo mundo lembrando que não foi construído um camelódromo por culpa de um elemento”, comentou Ribeiro.
O diretor disse ainda que por várias vezes tentou convencer o responsável do grupo Uai, Elias Targilene, a continuar o projeto, mas que o empresário já sinalizou a transferência das obras para a cidade de Belém, no Pará. “Ficamos sem argumento diante de tudo, e dou razão a ele, que já gastou R$ 8 milhões por nada”, disse.
Ribeiro ressaltou que o impasse deveria ter sido solucionado em 20 de setembro de 2010, e que logo após essa data as obras de revitalização dos prédios históricos seriam iniciadas. Ele agora cobra das autoridades da ANTAQ a resolução desses gargalos que impedem não só a execução do mundial, mas a estruturação da cidade para as gerações futuras, que poderão perder a oportunidade de conhecer uma parte importante da história do Amazonas.
“Quem criou essa situação que crie a solução. Quero saber quem vai se responsabilizar se a cidade não puder sediar uma Copa do Mundo? É impossível receber turistas internacionais do jeito que a cidade está. Sem porto, aeroporto e com o Centro cheio de camelôs”, questionou.
Sobre a destinação dos valores que seriam empregados nas obras de revitalização dos prédios históricos, o diretor que não lembrou dos valores, disse que os mesmos poderão ser destinados para outros fins dependendo das necessidades da prefeitura.

Prefeitura descarta ação conjunta

Questionado pela reportagem, o diretor do Implurb, Manoel Ribeiro, afirmou que não vê possibilidade da prefeitura implantar junto ao governo estadual a famosa ‘Ação Conjunta’ no impasse do Shopping Popular. “O Estado sempre se manteve à margem dessa questão. Não vejo a possibilidade de uma ‘Ação Conjunta’”, falou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar