Com o primeiro alerta de cheias em Manaus, anunciado pelo CPRM (Companhia de Pesquisas e Recursos Naturais) na última segunda-feira, 31, a Semdec (Secretaria Municipal de Defesa Civil) estima que 150 casas à beira do igarapé do São Raimundo, bairros de São Raimundo e Glória, zona oeste da cidade, podem ser atingidas. Para evitar maiores transtornos por conta da enchente e da continuação de chuvas previstas para o município nos próximos 45 dias, a prefeitura de Manaus vai construir novas pontes e elevar o assoalho das casas nessas áreas além de dar continuidade à limpeza de igarapés e impedir novas construções irregulares.
“É importante que as pessoas tenham consciência de não jogar lixo nos igarapés, não morar em áreas irregulares e denunciar quando souber que alguém está construindo nessas áreas”, disse o secretário Alexandre Barbosa. Para denunciar, pedir informações ou solicitar socorro da Defesa Civil a população pode ligar para o número 199.
De acordo com o alerta, o rio Negro, no Porto de Manaus, deve atingir entre 28,62m e 29,32m, marca próxima dos 29,69m registrados em 1953, a maior enchente da história. Segundo o secretário, a construção de pontes e marombas (elevação dos assoalhos das casas) evitará maiores prejuízos das famílias para quem mora nas áreas de risco. As obras devem ter início logo após a licitação dos materiais, ainda em fase de cotação de preços. Outra ação prevista no plano preventivo da prefeitura é a limpeza dos igarapés, feita pela Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Urbana).
Em relação às chuvas em Manaus, que não tem relação direta com a enchente do rio Negro já que o que conta para isso são as chuvas que caem na cabeceira do rio, a Semdec está em alerta para atender as possíveis ocorrências como alagações de casas que ficam às margens de igarapés, queda de árvores e desmoronamento de casas em áreas irregulares.
Fiscalização ajuda a evitar construções irregulares
Só este ano, as duas equipes de fiscalização da Semdec evitaram 72 novas construções irregulares, principalmente nas zonas Norte e Leste. Nos últimos três anos foram mais de 1.000 impedimentos de moradias em áreas verdes, igarapés e de risco. “Se não fosse esse trabalho de evitar novas moradias irregulares os prejuízos por causa das chuvas do último domingo poderiam ter sido maiores”, diz o secretário. Além das equipes da Semdec, a Prefeitura conta ainda com os fiscais da Semma (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) e Semdurb (Desenvolvimento Urbano) para realizar esse trabalho preventivo.
Segundo Barbosa, o município ainda paga aluguel para 182 famílias desabrigadas pelas chuvas de abril do ano passado. Essas famílias serão colocadas nas casas populares previstas no Parque dos Buritis, que será construído nas proximidades do bairro Santa Etelvina, zona Norte. Cada unidade residencial, das 1.115 casas, medirá 36,04m² e será construída em concreto celular com cobertura em telha de fibrocimento.







