A economia local sofre variações, mais negativas do que positivas, durante período de cheia dos rios no Amazonas com a escassez de produtos. Em Manaus os preços dos gêneros alimentícios sobem na mesma velocidade que a subida dos rios, da noite para o dia, podem atingir patamares superiores a qualquer estimativa.
De acordo com o Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), a capital amazonense não é autossuficiente em produtos agrícolas, precisa trazer de fora a maioria do que consome e o pouco que produz nas beiradas dos rios, não chega a suprir nem parte do abastecimento do mercado local. Por outro lado, a cheia favorece o aumento da demanda do transporte fluvial, principalmente para as pequenas embarcações nos beiradões do Estado.
Segundo o presidente do Corecon-AM, Marcus Evangelista, na economia local a cheia tem aspecto negativo na questão de produção agrícola que fica prejudicada fazendo com que os preços subam rapidamente. “A maior parte dos produtos consumidos em Manaus são trazidos de fora. O pouco que é cultivado nas beiradas dos rios, com a cheia, essa produção também se torna inócua, ocasionando o aumento nos preços dos produtos”, analisou.
Ainda segundo Evangelista, a parte positiva da cheia está na atividade fluvial, onde o transporte registra um aumento acentuado na demanda. É a hora em que o proprietário de pequenas embarcações aproveita o período da cheia para aumentar a renda e a movimentação de dinheiro nos beiradões. “Nesse momento, aqueles proprietários de pequenas embarcações aproveitam para fazer, também, um dinheirinho. A cheia da mesma forma que tem o lado negativo, ela tem essa parte positiva que favorece a movimentação de dinheiro nos beiradões”, avaliou.
Segundo o diretor do Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus, Deuticilan Franco Barreto, a cheia traz uma certa qualidade para a navegação e atracação nos portos de Manaus, entretanto acaba prejudicando o transporte e distribuição dos produtos no entorno dos grandes mercados, afetando de forma negativa o comércio local. “Os barcos têm essa facilidade para atracar, sem transtorno. Em qualquer canto eles atracam com facilidade. Já na questão da saída dos produtos, o fluxo de veículos fica prejudicado, com algumas ruas interditadas, causando um grande congestionamento no entorno da Manaus Moderna e da Feira da Banana”, informou.
Barreto explicou que o preço da banana subiu devido a cheia dos rios que assolaram o Acre, recorde neste ano naquele Estado, responsável por 50% do produto consumido em Manaus. “Não há produção local. No Acre, a cheia foi muito grande afetando as estradas, as BRs e hoje está com uma dificuldade muito grande de chegar a banana do Acre aqui, em Manaus, por isso que está muito caro o preço da banana”, disse.
Dados do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas) apontam que as culturas mais afetadas pela cheia foram: banana, com perda de 84,7 mil toneladas; macaxeira 39,2 mil toneladas; mandioca 11,8 mil toneladas, maracujá 1,5 mil toneladas e milho 1,1 mil toneladas, aproximadamente. Procurada pela reportagem, a Sepror (Secretaria de Estado da Produção Rural) não respondeu às questões apresentadas até o fechamento da matéria.
Estado de emergência
De acordo com a Defesa Civil do Estado, a cidade de Manaus permanece em estado de emergência, decretado em 26 de maio e segue até 25 de agosto. São 90 dias para que a verba emergencial oriunda do governo federal seja liberada, porém até o momento ainda não chegou no Amazonas. O fenômeno da cheia dos rios da Amazônia chegou ao fim nas principais bacias hidrográficas da região. O rio Negro, que banha a capital do Amazonas, entrou no período da vazante no início de julho.
No interior do Estado, 39 municípios foram afetados pela subida das águas nas bacias dos rios Madeira, Juruá, Jutaí, Purus e Amazonas. As cidades no Sul da Amazônia tiveram maiores problemas com a cheia entre março e abril. Os Estados de Rondônia e Acre decretaram calamidade pública.







