Prerrogativas não podem incentivar impunidade, diz Tarso

Em: 29 de julho de 2008
As entidades argumentam que o projeto é inconstitucional e permite que advogados ocultem em seus escritórios provas e instrumentos utilizados em crimes.
As entidades argumentam que o projeto é inconstitucional e permite que advogados ocultem em seus escritórios provas e instrumentos utilizados em crimes.

Representantes de associações de juízes federais, procuradores da República e membros do Ministério Público fizeram um apelo ao ministro Tarso Genro (Justiça) para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete integralmente o projeto que torna invioláveis os escritórios de advocacia do país.
As entidades argumentam que o projeto é inconstitucional e permite que advogados ocultem em seus escritórios provas e instrumentos utilizados em crimes.
Tarso disse que o presidente Lula vai analisar pelo menos três fatores antes de decidir se vetará a proposta. O governo estuda se o projeto respeita a prerrogativa de inviolabilidade dos advogados mas, ao mesmo tempo, analisa se a norma favorece a impunidade no país. Outro ponto em questão, segundo Tarso, é o “caráter educativo” da proposta: sua repercussão junto à sociedade brasileira.
“Minha equipe está estudando a proposta não só do ponto de vista do seu conteúdo, mas de repercussão social. Devemos ter apreço às prerrogativas dos advogados, mas de outra parte essas prerrogativas não podem prejudicar a redução da impunidade no país”, disse o ministro.
O presidente da Conamp (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público), José Caros Cosenzo, disse que o projeto não pode “transformar um escritório em um local mais inviolável que a casa do cidadão”.
Consenzo argumenta que a Constituição Federal já prevê que os escritórios de advocacia são invioláveis, mas permite busca e apreensão se houver decisão judicial.
“Aprerrogativa da inviolabilidade já está prevista na Constituição Federal, não há porque aumentá-la. Isso ajuda o mau advogado”, afirmou.
Para o presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Fernando Mattos, o projeto é “equivocado” ao confrontar uma norma constitucional. “Pela atual sistemática, a Constituição já estabelece que pode se ingressar em escritório com um mandado expedido por um juiz. O sistema atual já protege a relação cliente/advogado. A Constituição diz que a casa é inviolável, mas pode se ingressar para o cumprimento de decisão judicial”.

Sanção presidencial

O projeto, aprovado pelo Senado no início de julho, foi enviado para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. O presidente tem até o dia 11 de agosto para decidir se vai sancionar ou vetar a matéria.
O texto modifica o estatuto da advocacia brasileiro ao estabelecer que escritórios de advogados não podem mais ser alvo de busca e apreensão mesmo que por ordem judicial. A lei também veta a utilização dos documentos e objetos de clientes do advogado investigado, assim como outros instrumentos de trabalho que reúnam informações sobre os clientes.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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