Presidente apaga incêndio e pede liberação de estradas 

Em: 4 de novembro de 2022

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) conteve os ânimos dos caminhoneiros que paralisaram as estradas em protesto contra o resultado das eleições no segundo turno. Foram praticamente três dias de manifestações, bloqueando estradas federais em aproximadamente 21 Estados do Brasil.

Ontem, o movimento começou a se arrefecer depois que o líder do Executivo nacional fez um apelo nas mídias sociais pelo fim dos atos públicos. “Agradeço a solidariedade de todos vocês, mas não podemos cercear o direito de ir e vir da população. Por favor, liberem as rodovias. É muito prejuízo, tanto para a população como para a atividade econômica do país”, recomendou o presidente.

No Amazonas, as rodovias BR-174 e parte da Transamazônica foram praticamente liberadas. A estrada que liga Manaus a Boa Vista retomou normalmente o tráfego. Na BR-319, uma balsa foi deslocada para transportar veículos no lugar de pontes que desabaram por falta de manutenção e pelas péssimas condições da infraestrutura logística.  

Na quarta-feira, porém, 5 mil pessoas se aglomeraram em frente ao CMA (Comando Militar da Amazônia), na Ponta Negra, zona Centro-Oeste de Manaus, pedindo que as Forças Armadas dessem um novo golpe.

As reivindicações pela intervenção militar também atingiram grandes centros urbanos da região Sudeste, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Os apoiadores do presidente tiveram, inclusive, ajuda de policiais militares e de integrantes da PRF (Polícia Rodoviária Federal), mobilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para dispersar os manifestantes, segundo informações oficiais de alguns servidores do poder central.

“Não me conformo que um ladrão seja eleito de novo para a Presidência da República”, lamentava Margel Loureiro, comerciária, que participava da concentração em frente ao CMA, na quarta-feira. “Os militares têm que fazer alguma coisa. Não é possível que vá acontecer tudo novamente”, afirmou.

Comunicado

Nessa quinta-feira (3), o CMA divulgou uma nota negando que militares tenham permitido a manifestantes a utilização de equipamentos e estrutura da instituição durante o ato público na quarta-feira, em frente ao quartel. O comando soltou o comunicado após testemunhas terem denunciado que o movimento teria recebido esse suposto apoio.

A ajuda teria sido para conexão com internet e pontos de eletricidade para recarregar baterias de celulares dos manifestantes. “Não houve nenhuma colaboração ou manifestação do Comando Militar da Amazônia em apoio a qualquer manifestação. O nosso expediente se deu de forma normal”, afirmou a nota divulgada pelo CMA.

O comando lembrou, ainda, que os portões do quartel ficaram o tempo todo fechados. “Nenhum militar tem autorização para abrir o portão para que alguém entrasse ou simplesmente entregar alguma água ou qualquer outra coisa. Não tem a mínima autorização. O bebedouro dos soldados fica a 100 metros do portão. Os soldados usam cantil para tomar água”, acrescenta a instituição.

Ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), cobrou do diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, a apresentação de “todas as informações disponíveis sobre a identificação dos líderes, em especial a identificação dos proprietários dos veículos utilizados” nos bloqueios nas estradas.O prazo é de 48 horas.

Segundo o ministro, os dados deverão ser usados para avaliar os casos e decidir pela aplicação de multa judicial, que pode chegar a R$ 100 mil por hora. Em um relatório, entregue mais cedo para o STF, a PRF informou que já aplicou 3.500 multas administrativas por infrações de trânsito desde a segunda-feira (31). Além disso, a corporação já conduziu 37 prisões por crimes como desobediência, incitação ao crime e porte ilegal de arma.

“Intime-se, com urgência e inclusive por meios eletrônicos, o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal para que apresente, no prazo de 48 horas, o relatório circunstanciado de todas as multas aplicadas em cumprimento à decisão proferida nos presentes autos, com a identificação dos veículos e pessoas autuadas”, cobrou Alexandre de Moraes.

Por MARCELO PERES

Face: @marcelo.peres  Instagram: @jcommercio

Marcelo Peres

Pesquisar