Pró-Cotista, bom mas não o suficiente

Em: 4 de janeiro de 2018
A Caixa disponibiliza R$ 4 bilhões de recursos para quem deseja subsídio no financiamento
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A Caixa disponibiliza R$ 4 bilhões de recursos para quem deseja subsídio no financiamento

Com a retomada da linha de empréstimo imobiliário Pró-Cotista, efetuado pela caixa na última terça-feira (2), especialistas explicam que a elevação de 50% para 70% da cota do financiamento, ainda não é suficiente para alavancar o subsídio de imóveis usados na cidade de Manaus. Segundo a presidente do Sindimóveis-AM (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas), Márcia Chagas, os preços elevados para regularizar as documentações das propriedades estão entre os principais entraves para o processo junto aos bancos.

Márcia Chagas ressaltou que é preciso haver a junção dos cartórios, prefeitura e governo para criar mecanismos de facilitação. “É muito bom ter esse financiamento de volta para movimentar o mercado imobiliário, mas é necessário outros incentivos para que as pessoas possam ter seu imóvel regularizado. Enquanto não houver um consenso entre os cartórios de dar uma mexida nessa tabela de emolumento, e as pessoas terem condições de fato de registrar o imóvel e fazer uma escritura, vamos sempre ter a questão de imóveis irregulares que acabam ficando de fora por não estarem aptos para financiamento”, disse.

Atualmente, a Caixa disponibiliza R$ 4 bilhões de recursos para quem deseja subsídio no financiamento, com a taxa de juros que varia de 7,85% a 8,85% ao ano. No Amazonas, a linha atende a propriedades de até R$ 800 mil.

Márcia explica que outros fatores são importantes para adequar a questão do financiamento junto ao imóvel. Um deles é atual situação econômica que o país atravessa que gera desconforto e insegurança na hora de investir. O outro, é o atual cenário político com a corrida eleitoral, que segundo ela, pode influenciar de forma direta o mercado.

“O mercado em Manaus está morno, não está como todo mundo gostaria que estivesse, mas está atendendo dentro da expectativa. Acredito que em 2018 será muito mais lento devido as eleições presidenciais que, de certa forma, afetam a economia do país. E o setor de vendas no mercado ele se movimenta de forma lenta, tanto para questões de imóveis novos como imóveis usados. E como em 2017, esse ano não temos expectativas de novos lançamentos”, disse.

Por pouco

Em setembro do ano passado a Caixa havia aumentado o teto de financiamento de 30% para 50%. O advogado Luiz Bezerra estava com o processo 80% aprovado, na primeira instância junto ao banco, e pleiteava a aquisição de um apartamento de alto padrão de 140 metros quadrado, no bairro de Vieiralves. “Mesmo com potencial de compra e todos os processos encaminhados, com linha de crédito e documentação, tive meu processo retido no último momento do financiamento devido ao fim da cota e o início da nova regra. Sem querer perder a oportunidade de adquirir o bem, recorri a um banco privado, onde paguei uma taxa de juros maior. Mas, graças a minha boa linha de crédito junto ao banco, ainda assim consegui negociar uma boa taxa. Mas, meu caso foi atípico, imagina as pessoas que deixaram de comprar seu imóvel devido a essa situação”, disse ele.

Oportunidade para locação

Se por uma lado a expectativa para esse ano é baixa, em relação a venda de imóveis usados e a aquisição de novos, estudos mercadológicos de 2017 projetaram um bom 2018 para o segmento de locação.

Segundo a corretora de imóveis, Tatiane Licata, com a regra dos 50% estabelecidos pela caixa ano passado, muitas pessoas optaram pela alternativa de morar alugado e economizar, retendo o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para conseguir uma boa quantia financeira e investir.

“Pouca gente tem 50% para comprar um imóvel. As pessoas optaram em alugar um imóvel antes de comprar, para economizar. No imóvel de aquisição houve uma queda devido a essa regra, a procura reduziu, porém quem realmente estava querendo uma compra segurou o FGTS, segurou dinheiro e economizou. Hoje pelo fato da insegurança na economia existem muitas pessoas alugando”, disse.

Tatiane ressaltou, que apesar da boa movimentação para locação, muitos donos tiveram que se adequar à uma nova realidade de mercado, diminuindo os preços de aluguel para não perder dinheiro.
“O mercado de aluguel está bom, mas para se manter os donos tiveram que se adequar e diminuir os preço do aluguel. Para não deixar o imóvel parado ele teve que reduzir preços. Por exemplo, um imóvel 100% mobiliado de 140 metros quadrado no Adrianópolis que se alugava por R$ 7 mil, ano passado teve que ser anunciado por R$ 4,5 mil”, disse ela.

Quem pode emprestar?

Segundo números da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) a Caixa Econômica tem 40,4% do direito de realizar empréstimos. Itaú Unibanco 18,5%, Bradesco 18,2%, Santander Brasil 13,8% e Banco do Brasil 5,9%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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