Procura por autotestes em alta

Em: 30 de junho de 2022

Andréia Leite

Insta: @andreia-leite   Twitter: @JCommercio

Muitos amazonenses estão comprando os autotestes e procurando o serviço de testagem rápida para detectar a Covid-19 nas farmácias da capital. Em algumas drogarias representa crescimento 30% maior somente no mês de junho em comparação a maio. 

De acordo com a coordenadora farmacêutica da rede Santo Remédio, Sabrine Cordeiro, nas duas últimas semanas, a demanda quase que dobrou. “No que se refere a procura por testes rápidos para Covid-19 em junho já registra crescimento de mais de 50% na comparação com maio. Sendo que, nas duas últimas semanas, a demanda quase que dobrou.  Sobre a positivação dos testes, a rede Santo Remédio tem registrado neste mês de junho, em média, 22% de casos positivos em relação ao número de testes realizados”, detalhou.

Com relação ao abastecimento, a rede  informa que está reforçando seus estoques para qualquer eventual demanda emergencial. O acompanhamento é feito diariamente.

O autoteste de covid-19 realizado pela rede é vendido por R$ 48,99, embalagem individual, a embalagem com três unidades custa R$ 119,99.

O gerente regional de operações da farmácia Pague Menos, Edixardson Ferreira, disse que o  aumento nas vendas de autoteste para Covid-19 foi de 1,150% em junho comparado com o mês anterior. “Todas as unidades da rede têm disponibilidade do produto e também possuem os testes de Covid-19 feito por farmacêuticos e com laudo no Clinic Farma”. 

Conforme a empresa, o autoteste pode ser realizado em duas situações: para pessoas com sintomas gripais, do 1º ao 7º dia do início dos sintomas; e para indivíduos sem sintomas, a partir do 5º dia de contato com o paciente infectado com covid-19. De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), este tipo de teste não deve ser feito para definição de diagnóstico, pacientes com graves sintomas, comprovação de exame negativo em viagens internacionais e afastamento laboral.

Desde o início da pandemia, as drogarias do país têm sido parceiras na função de testagem de contaminação da doença.

Com a resolução RDC N° 377, de 28 de abril de 2020, expedida pela Anvisa, o paciente que quiser realizar o autoteste em casa pode fazê-lo em caráter excepcional e temporário. 

Assim, qualquer cidadão pode comprar um deles em farmácias e drogarias autorizadas pela vigilância sanitária para vender esses itens e fazer a testagem por conta própria. Porém, se a pessoa precisar de um laudo para uma viagem ou para fazer uma cirurgia, por exemplo, terá que agendar um exame com um profissional habilitado.

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Lembramos que os testes podem acabar sendo vendidos para clínicas licenciadas ou para comércio varejista de artigos médicos. E-commerces e plataformas que façam a venda “por fora” estão agindo ilegalmente, correndo o risco de vender um produto falso.

Vale lembrar que o autoteste comercializado pela Santo Remédio, por exemplo,  tem um QR Code, disponibilizado pelo fabricante, com um tutorial explicando como fazer o procedimento, que é bem simples.

O atendente de uma drogaria ouvido pelo Jornal do Commercio, afirmou que o estabelecimento tem vendido uma média 9 unidades do autoteste  por dia . “A busca está bem significativa e  deve aumentar, pois muita gente voltou do Festival de Parintins com sintomas do vírus”, frisou Neto Nunes. 

Confiabilidade

Em meio a uma possível quarta onda da Covid 19, a busca pelo autoteste disparou. À Rede Brasil Atual, o epidemiologista da Fiocruz  (Fundação Oswaldo Cruz) destacou que a principal vantagem do produto é que o teste pode ser feito em casa, com resultado após 15 minutos. Assim, o paciente que testou positivo deve iniciar imediatamente o período de isolamento, de modo a evitar a transmissão da doença para outras pessoas. Mas, da maneira como está sendo usado no Brasil, o procedimento também traz problemas.

Isso porque os autotestes não foram incorporados ao SUS, o que praticamente inviabiliza o acesso para a população mais pobre. Outro erro grave é que não há uma ferramenta disponível para computar oficialmente os resultados obtidos dentro das casas das pessoas. Dessa maneira, é praticamente consenso entre os especialistas que os autotestes vêm contribuindo para a subnotificação dos casos de covid-19 no Brasil.

“As propriedades técnicas (sensibilidade e especificidade) dos autotestes variam de acordo com o fabricante. No entanto, o maior dos problemas pode não ser exatamente a “confiabilidade” ou o preço dos autotestes e, sim, a forma como o teste é manuseado. Isto inclui a forma de coleta da amostra e a interpretação correta do resultado do teste. Ademais, não se avalia apenas o resultado que aparece na placa do teste, mas também a seu significado no nível individual, avaliando o contexto de exposição da pessoa testada, sintomas e data de início dos mesmos e tantos outros que só um trabalhador de saúde habilitado pode fazer de forma segura”. 

Registros

Na última quarta-feira (29), as autoridades de saúde do Amazonas emitiram um comunicado de risco alertando sobre o aumento na média diária de casos de Covid-19 no estado. Conforme o documento, nos últimos 14 dias, de 14 a 27 de junho, o número de casos confirmados passou de 26 para 123. Somente ontem foram 222 novos casos. 

No interior, o aumento na média diária foi de 8 para 20 casos diários. A capital do estado tem 62% dos casos registrados nesses últimos dois meses.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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