Produção de agrovilas abastece Porto Velho

Em: 18 de maio de 2009
Produtores de seis agrovilas instaladas no assentamento Joana D’Arc III, em Porto Velho (RO), fornecem produtos essenciais para a mesa dos consumidores da cidade
Produtores de seis agrovilas instaladas no assentamento Joana D’Arc III, em Porto Velho (RO), fornecem produtos essenciais para a mesa dos consumidores da cidade

Produtores de seis agrovilas instaladas no assentamento Joana D’Arc III, em Porto Velho (RO), fornecem produtos essenciais para a mesa dos consumidores da cidade. Quinze mil quilos de farinha de mandioca consumidos no mês de abril na capital vieram das agrovilas Chico Mendes, Vencedora, Pequena Vanessa, Padre Ezequiel, União dos Camponeses e Manoel Rodrigues. Além da farinha, são fornecidos macaxeira, banana, maracujá, mamão, entre outros, dentro do programa Sabor do Campo, da prefeitura de Porto Velho.
Distantes cerca de 140 quilômetros do centro da cidade, as seis agrovilas foram demarcadas pela superintendência do Incra/RO, em dezembro de 2003, para atender um grupo de famílias lideradas à época pelo MCC (Movimento Camponês Corumbiara). As famílias desbravaram as terras para atingir a área demarcada pelo Incra. “Viemos seguindo o mapa. Foram 28 dias de travessia, com pessoas de 0 a 60 anos”, contou o assentado Otávio Medeiros de Souza. “Ninguém acreditava que a gente ia ficar. Hoje temos estrada, assistência e escola”, afirmou.

Moradia e produção

Como a família de Otávio, outras 140 habitam as seis agrovilas, em lotes com tamanho aproximado de 25 hectares. É da agricultura familiar que provém a maior parte da renda de seus moradores. Otávio, que tem seu lote na agrovila União dos Camponeses, estima uma renda mensal entre R$ 2.000 e R$ 3.000 com sua lavoura de banana e macaxeira e com a criação de gado.
Já Frank Sinatra de Oliveira, que vive na agrovila Padre Ezequiel com sua esposa e seis filhos, afirma que a renda depende da disposição de trabalhar de cada pessoa. Com sua plantação de oito mil pés de café ele tem uma renda média de R$ 5.000 por ano, chegando a R$ 10 mil com as demais lavouras.
O Incra/RO investiu recursos para o desenvolvimento das agrovilas, especialmente em estradas e crédito para o início das atividades produtivas e construção das moradias. Segundo o superintendente regional do Incra, Carlino Lima, foram construídos 13 quilômetros de estradas vicinais através de convênio com a prefeitura e da iniciativa privada, com um investimento de cerca de R$ 350 mil. O Incra também concedeu créditos a cada família no valor de R$ 7.000 para compra de materiais de construção e R$ 2.400 para apoio à produção, totalizando R$ 843 mil.
Os assentados da reforma agrária têm linhas de financiamento para investir em sua produção e crescer com o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Nas agrovilas do Joana D’Arc III, 34 famílias receberam o Pronaf A, com créditos que variam de R$17 mil a R$ 21,5 mil, totalizando R$ 630 mil.
Ydhaty Cardoso de Almeida já recebeu os créditos instalação e o Pronaf A. “A turma reclama da terra, mas tudo o que eu plantei, colhi bastante. Rodo o dia inteiro aqui dentro. Pinto a cerca, pinto a casa, eu cuido mesmo, sozinha. Para mim, eu consegui vencer”, comemora uma das primeiras moradoras do Joana D’Arc III.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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