Produção de bicicletas registra, em agosto, terceiro mês seguido de queda, segundo dados da Abraciclo

Em: 17 de setembro de 2022
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Marco Dassori

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A indústria de bicicletas do PIM emendou seu terceiro mês seguido de queda, em agosto. As linhas de produção do Polo Industrial de Manaus entregaram 56.644 unidades. A quantidade foi até 44,6% superior à registrada em julho de 2022 (37.780), em que pese o fato de a base de comparação estar abaixo da média do subsetor. No confronto com o agosto de 2021 (72.293), contudo, o recuo se manteve em 24,4%. Com isso, o acumulado do ano já está negativo em 14,8%, não passando de 428.168 unidades. Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta sexta (16).

O novo retrocesso nas linhas de produção reforçou o sinal amarelo no subsetor e ocorre em paralelo com a crise de abastecimento de partes e peças para a indústria, e as transformações do mercado brasileiro – em virtude do afunilamento da demanda pelas restrições orçamentárias das famílias. A queda acontece também dois meses após a entidade rebaixar suas projeções de produção para este ano. A perspectiva é fechar o ano com 750 mil unidades produzidas, o que indica um virtual empate (+0,10%) com o número de 2021 (749.320 bicicletas). Vale notar que o segmento começou o ano com a expectativa de crescer 17,44% e fabricar 880 mil bicicletas.

Em texto distribuído por sua assessoria de imprensa, o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, lembrou que a indústria enfrenta atualmente dois “grandes desafios”, sendo um deles “forte queda” na demanda por produtos de entrada. “A venda desses modelos caiu bastante. Hoje o mercado pede por modelos de médio e alto valor agregado. Foi necessário mudar todo o planejamento, reprogramar as linhas de produção e nossa cadeia logística”, reforçou. Vale observar que, assim como as vendas internas, as exportações também sofreram um novo tombo (ver boxe).

O outro entrave apontado pelo dirigente é a escassez de partes e peças, um problema global que atinge diversos segmentos industriais mundo afora, desde a eclosão da pandemia. Em divulgações anteriores, a Abraciclo havia informado que os principais componentes em falta são sistemas de freios, sistemas de transmissões, suspensões e selins, sendo que em torno de 50% deles são provenientes de fornecedores estrangeiros, principalmente do continente asiático. Em nova menção ao problema a entidade ressaltou que alguns insumos chegam a ter 100% de seu volume importado.

Para reduzir essa dependência do mercado externo, a Abraciclo reuniu, no final do mês passado, em Manaus, fornecedores de peças e componentes, fabricantes de bicicletas do PIM e entidades da ZFM, durante o 1º Encontro Empresarial Abraciclo da Indústria de Bicicletas. O objetivo foi estreitar o relacionamento entre os elos da cadeia de produção e promover oportunidades de negócios para reforçar o abastecimento de bicicletas ao mercado. “Queremos incentivar a nacionalização de produtos e estimular a produção local. Com isso, vamos também contribuir para a criação de novos postos de trabalho e o desenvolvimento da indústria na região Norte”, afiançou.

“Franca expansão”

O presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), e vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, concorda que a falta de componentes e mudança no mix de produtos são entraves consideráveis para o polo de bicicletas. Ele destaca também que as restrições nos orçamentos das famílias, por conta da inflação, restringiram as compras de bens que não sejam considerados essenciais, mas mantém o otimismo de longo prazo.

“Esse segmento vinha em franca expansão na produção e vendas. Acreditamos que, com a regionalização de bens intermediários para suprir as indústrias locais, com o controle da inflação, e com a retomada da atividade econômica e geração de empregos, esse subsetor tão importante para a economia local e nacional deve apresentar recordes de produção, como ocorriam em anos anteriores”, ponderou.

Já o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, preferiu não entrar em detalhes sobre as oscilações no segmento de bicicletas do PIM, mas elogiou o incentivo da Abraciclo à produção local de componentes. “É uma iniciativa louvável, que vem ao encontro às expectativas de todo o empresariado da ZFM. Parabéns pela ação e esperamos que possa haver em breve, repercussão positiva as empresas”, asseverou.

Moutain Bikes

Em divulgação anterior, o vice-presidente do Segmento de Bicicletas mencionou que as empresas estão retomando os ajustes em seus “estoques de segurança” e se preparando para resultados melhores no segundo semestre, especialmente no Dia das Crianças, na Black Friday e no Natal, além do “atendimento do verão”. “As inovações trazidas pelas nossas associadas vão continuar fortalecendo o mercado. As empresas estão comprometidas em investir ainda mais em tecnologia. Cada vez mais vamos trazer não só produtos de médio e alto valor agregado, mas também soluções mais acessíveis que podem caber no bolso do consumidor”, afiançou.

Em paralelo, o mercado continua apostando nas Moutain Bikes. Com 33.002 unidades e 60,04% do volume total produzido, a MTB seguiu como a categoria mais produzida, avançando 30% ante julho de 2022 (25.377), embora tenha despencado 21,7% no confronto com agosto de 2021 (42.158). Em seguida estão os modelos Urbana/Lazer (27,9% e 15.223), Infantojuvenil (7,1% e 3.907) e a Estrada (3,4% e 1.874) – que foi a outra categoria a acelera na variação mensal. A única que vinha apresentando alta anual era a mioritária Elétrica (638), que corresponde a 1,2% da produção do PIM, e que desta vez amargou retração em ambas as comparações (-39,6% e -38,8%, respectivamente).

O Sudeste foi a região que recebeu o maior volume de bicicletas fabricadas no PIM. Foram enviadas 33.395 unidades para lá, em agosto, o que corresponde a 61,1% do total fabricado. Na sequência estão o Sul (8.848 e 16,2%), o Nordeste (5.144 e 9,4%), o Norte (4.088 e 7.5%) e o Centro-Oeste (3.169 e 5,8%). O ranking foi mantido no acumulado do ano, com a diferença que o Centro-Oeste e o Norte trocaram as demais colocações.

Boxe: Exportações seguem em queda

As vendas externas amargaram um novo mês de resultados negativo, embora sigam positivas no acumulado do ano. Em agosto, os embarques não passaram de 2.939 bicicletas, o que corresponde a uma retração de 6% em relação a julho (3.125) e uma queda de 18,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado (3.618). Segundo dados do portal Comex Stat, os principais mercados foram Paraguai (1.698 e fatia de 57,8%), Uruguai (751 e 25,6%) e Bolívia (480 e 16,3%).

De janeiro a agosto, foram exportadas 16.697 motocicletas, alta de 28,7% na comparação com o mesmo período de 2021 (12.970). A mesma base de dados do Comex Stat informa que o Paraguai foi o principal destino, com 9.839 bicicletas e 58,9% do total comercializado pelos fabricantes do PIM no mercado externo. Na sequência, vieram Uruguai (3.406 e 20,4%) e a Colômbia (1.308 e 7,8%).

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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