A crescente produção brasileira de mel, que saltou de 38 mil toneladas em 2009 para 50 mil toneladas em 2010, colocou o país na 11ª posição no ranking dos produtores mundiais. O Brasil é o quinto maior exportador do produto. Programas de incentivo à produção apícola e capacitação de agricultores envolvidos com a cadeia produtiva são os responsáveis pelo destaque do setor nos últimos anos. Segundo o pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Ricardo Camargo, uma das principais alternativas para o aumento da produção nacional de mel é a parceria entre a apicultura, a fruticultura e a silvicultura.
Alguns Estados brasileiros, como Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais, têm projetos em andamento. Em Minas Gerais, uma das boas experiências nessa área é a de uma associação de apicultores que trabalha em com silvicultores. Como resultado da parceria, em 2010, houve um aumento no faturamento da associação de produtores e na produção de mel. A produtividade média das colmeias registrada na região foi de 55 a 60kg/colmeias/ano em 2009 e 2010, com valores acima da média nacional, que é de 25Kg/colmeia/ano.
“Graças à união com uma empresa multinacional produtora de celulose, cerca de 46 municípios mineiros estão sendo beneficiados com o sistema de integração apicultura-silvicultura”, explica Ricardo Camargo. Ele também atua como consultor técnico da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Mel e de Produtos Apícolas do Ministério da Agricultura. Atualmente, 58 produtores de mel utilizam áreas reflorestadas e nativas de floresta. Essa participação corresponde a 100 mil ha com 14,6 mil colmeias (todas orgânicas) instaladas em apiários georeferenciados, o que permite a identificação do mel produzido nessas áreas.
Como parte do projeto, a empresa multinacional concedeu áreas para o desenvolvimento do sistema e financiou a aquisição de uma série de equipamentos para a montagem dos armazéns de mel. Os apicultores foram capacitados para combater incêndios e atuam de forma preventiva e na identificação de possíveis focos de incêndios.
Expansão da cadeia
O pesquisador ressalta que a CBA (Confederação Brasileira de Apicultura) e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) pretendem elaborar um plano de parcerias padronizado. O objetivo é expandir a cadeia produtiva de florestas e promover a inclusão social dos apicultores envolvidos. “Com a definição dos requisitos técnicos a serem considerados e os modelos de convênios entre as duas cadeias, imagina-se que as empresas de reflorestamento terão maior interesse em abrir espaço para esse tipo de parceria”, destaca Camargo. Dessa forma, pretende-se aumentar a abertura de negócios para o setor apícola nacional.







