Produção Industrial do Amazonas apresentou melhor desempenho do setor no Brasil na virada do ano

Em: 13 de março de 2024

A indústria amazonense começou 2024 com o pé direito. Sua produção escalou 16,7% na virada de dezembro para janeiro, apresentando o melhor desempenho do setor em todo o país nesse tipo de comparação. Em sintonia com a subida dos rios e o encerramento da crise logística aberta pela vazante histórica, a manufatura do Estado avançou 11,7% frente ao mesmo mês do ano passado, em ritmo mais que suficiente para recuperar a perda anterior (-1,5%). O resultado foi positivo em 80% das linhas de produção, com destaque positivo para o polo eletroeletrônico. 

Os números são da Pesquisa Industrial mensal e foram divulgados pelo IBGE, e foram divulgados nesta quarta (13). A mesma sondagem ainda mostra, no entanto, a dimensão dos impactos da estiagem histórica na atividade. Em 12 meses, a taxa de expansão acumulada pela indústria amazonense não passou de 2,1%, sendo favorecida por apenas cinco dos dez segmento listados pelo órgão de pesquisa – especialmente derivados de combustíveis, “produtos de metal” e o polo de duas rodas. O Amazonas superou a média nacional do setor (-1,6%, +3,6% e +0,4%, respectivamente) em todas as comparações.

A progressão de 16,7% ante dezembro fez o Amazonas subir do segundo para o primeiro lugar do ranking nacional, com a única taxa de dois dígitos da lista. Em um mês com apenas seis quedas entre as 17 unidades federativas investigadas pelo IBGE, o pior desempenho veio do Espírito Santo (-6,3%). Com a alta de 11,7% na variação anual, o Estado galgou da 13ª para a segunda posição, em um rol liderado pelo Rio Grande do Norte (+30,6%) e encerrado pelo Maranhão (-6,6%). Em 12 meses, a manufatura amazonense (+2,1%) caiu da oitava para a nona colocação, em um rol que teve o Rio Grande do Norte (+17,4%) e o Maranhão (-6,2%) igualmente nos extremos.

Eletroeletrônicos e informática

Na comparação com janeiro de 2023, a indústria extrativa (óleo bruto de petróleo) do Amazonas cresceu 4%, superando o desempenho capturado no levantamento anterior (+2,8%). Já a indústria de transformação escalou 12,3%, e somente duas de suas divisões acompanhadas mensalmente pelo IBGE – de produtos químicos (metais preciosos, inseticidas, nitrogênio e desinfetantes, com -8%) e de bebidas (-4%) – fecharam o mês no vermelho.

Em contraste, oito dos dez segmentos da indústria de transformação sustentaram a alta. As melhores performances vieram de máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com +43,8%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com +28,4%); equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares, computadores e máquinas digitais, com +19,5%); e “outros equipamentos de transportes” (motocicletas e suas peças, com +10%). 

Os subsetores de produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear, estruturas de ferro, com +7,1%); combustíveis (gás natural, com +5,3%); borracha e material plástico (+4%); e de “produtos diversos” (artefatos de joalheria, isqueiros, lentes oculares, lápis, e fitas para impressoras, com +1,1%) também avançaram no mês.

No acumulado dos 12 meses, a indústria de transformação expandiu 2,2% e a extrativa cresceu 0,3%. Os incrementos foram menos disseminados e se restringiram às atividades de petróleo e combustíveis (+17,2%); produtos de metal (+13%); “outros equipamentos de transporte” (+9,1%); “outros equipamentos de transportes” (+7,5%); produtos químicos (+6,9%); e máquinas e equipamentos (+1,2%). No outro extremo ficaram “produtos diversos” (-7,6%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,7%); bebidas (-2%); equipamentos de informática e produtos eletrônicos e ópticos (-1,3%); e borracha e material plástico (-1%).

“Seca severa”

O coordenador de Divulgação do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, assinala que ainda é cedo para prever “com segurança” se os próximos meses também serão de crescimento para a indústria do Amazonas. “Principalmente levando em conta as circunstâncias econômicas de momento. Mas, tomando como base a média dos últimos três meses, é provável que os resultados de fevereiro mostrem novo aumento na produção”, ponderou.

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, aponta que a queda de 1,6% na variação mensal da produção da indústria brasileira foi registrada após cinco meses sem resultados negativos. “Há um ganho acumulado de 2,9%, e isso representa uma estratégia da própria indústria para equalizar o comportamento de oferta e demanda. É um movimento natural em relação aos meses anteriores que também é observado regionalmente”, amenizou.

O pesquisador confirma que o Amazonas exerceu o maior impacto positivo sobre a indústria nacional, no âmbito da sondagem. “A maior influência para esse resultado veio do setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos. Entre setembro e novembro, a seca severa no Estado afetou a logística da indústria local, tanto no que tange ao escoamento da produção quanto ao abastecimento de insumos. Isso gerou custos adicionais, que resultaram na redução do ritmo de produção. A partir de dezembro, houve melhora no cenário”, explicou, acrescentando que a indústria amazonense já acumula alta de 30,3% em dois meses.

Volatilidade e prudência

O presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, ressaltou que as estatísticas de produção de janeiro vieram em linha com as avaliações preliminares aguardadas pela indústria amazonense. No entendimento do dirigente, há um movimento de acomodação, passado o momento mais grave da crise gerada pela vazante histórica. Ele salienta, no entanto, que a conjuntura – marcada por níveis elevados de juros e de restrições à renda das famílias – ainda se mostra incerta para o setor.

“Os dados representam a natural inflexão positiva observada após o período de queda em decorrência dos problemas oriundos da estiagem do final do ano passado. O mercado, todavia, ainda se apresenta de forma volátil, de modo que devemos avaliá-lo com a devida prudência. Nossas expectativas para o Polo Industrial de Manaus são de que os números se mantenham em patamar positivo, ainda que em níveis menores que o constatado nessa virada de ano”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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