Produção industrial do país recua 1,7% frente a setembro

Em: 2 de dezembro de 2008
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), informou ontem que a produção industrial do país recuou 1,7% em outubro frente ao mês anterior, após crescimento de 1,5% em setembro (dado revisado)
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), informou ontem que a produção industrial do país recuou 1,7% em outubro frente ao mês anterior, após crescimento de 1,5% em setembro (dado revisado)

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), informou ontem que a produção industrial do país recuou 1,7% em outubro frente ao mês anterior, após crescimento de 1,5% em setembro (dado revisado). Foi a maior queda observada em relação ao mês anterior desde novembro de 2007, quando a indústria apresentara queda de 2,1%.
Segundo o IBGE, houve queda em todas as categorias de uso. O resultado foi influenciado pela indústria automobilística que teve férias coletivas decretadas em várias unidades, em função da crise financeira.
Em relação a outubro do ano passado, foi verificada alta de apenas 0,8%, o que indica um quadro de 28 altas consecutivas nesse dado comparativo. No acumulado dos últimos 12 meses, a produção industrial tem crescimento de 5,9%. No ano, a indústria tem incremento de 5,8%, em relação ao verificado de janeiro a outubro de 2007. A Pesquisa Industrial Mensal demonstra que houve recuo na produção em 15 dos 27 ramos pesquisados em setembro, na comparação com o mês anterior.
A principal influência veio do setor de outros produtos químicos (-11,6%). Também apresentaram queda os setores de refino de petróleo e produção de álcool (-9%), máquinas e equipamentos (-5,2%) e da indústria automobilística (-1,4%). Por outro lado, os principais resultados positivos vieram das produções de outros equipamentos de transporte (2%) e alimentos (0,7%).
Entre as categorias de uso, os bens de capital tiveram queda de 0,5% em outubro. Os bens de consumo semi e não-duráveis registraram redução de 2,2% na produção. A produção de bens intermediários caiu 3%. Os bens de consumo duráveis têm recuo de 2,8%.
Na comparação outubro 2008/setembro 2008, a redução no ritmo produtivo alcançou todas as categorias de uso. A queda mais acentuada foi observada em bens de consumo duráveis (-4,7%), segmento que apresentara dois meses consecutivos de expansão com ganho acumulado de 2,1%, seguido por bens intermediários (-3,0%), que acumula perda de 6,0% nos três últimos meses. No setor de bens de consumo semi e não-duráveis, o recuo ficou em 2,2%, após avanço de 1,7% no mês anterior, enquanto bens de capital (-0,5%) obteve taxa acima da média geral da indústria.
Com a redução da atividade industrial em outubro, o índice de média móvel trimestral interrompeu a trajetória de crescimento presente há quatro meses e registrou recuo de 0,6%, na passagem de setembro para outubro.
Essa inversão de sinal é confirmada em bens de consumo semi e não-duráveis (de 0,5% para -0,3%).
Bens intermediários apresentou a queda mais aguda (de -0,5% para -2,0%), enquanto bens de consumo duráveis (-0,9%) manteve o mesmo ritmo entre os dois meses. Setorialmente, há queda em 14 das 27 atividades. Por outro lado, a produção de bens de capital (0,8%) reduziu o ritmo, mas sustentou crescimento pelo quinto mês consecutivo, acumulando um ganho de 8,3% nesse período.

Queda já era prevista

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a queda de 1,7% na produção industrial reflete uma desaceleração da economia brasileira que já era esperada para o último trimestre do ano.
Mantega afirmou também que não acredita em um crescimento de 2,8% para o país em 2009, conforme previsto pelos economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus. A previsão do governo continua em 4%.
“Nós tivemos um bom desempenho da economia até setembro deste ano. A partir de outubro, a crise financeira internacional trouxe alguns problemas para o Brasil. É natural que nos meses de outubro, novembro e dezembro haja uma desaceleração da economia’’, afirmou Guido.
O ministro disse também que a situação no Brasil é diferente da registrada nos EUA, que devem entrar em recessão. “Essa desaceleração era prevista, eu mesmo já tinha falado, porém, será uma desaceleração lenta. Não há uma desaceleração brusca, como ocorre nos EUA, que vão entrar em recessão’’.
Mantega manteve o otimismo até mesmo ao comentar as notícias sobre a recessão nos EUA. O Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica) afirmou que o país entrou em recessão em dezembro do ano passado. O ministro afirmou que a definição dada pelo grupo composto por economistas independentes de prestígio está “equivocada’’.
“Os Estados Unidos não estão em recessão, é um equívoco. Quem diz que está em recessão se equivocou. A recessão é quando você tem dois trimestres consecutivos com o PIB negativo. Eles só têm um trimestre’’, afirmou o ministro da Fazenda Guido Mantega.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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