A indústria do Amazonas obteve em junho um avanço de 2,4% na produção em relação ao mês anterior, na série livre de influências sazonais, após recuar 2,3% em maio. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que pesquisou o desempenho do setor em 14 unidades federativas. Apenas cinco delas registraram alta.
Nos índices de junho frente ao mesmo mês de 2009, o quadro também foi positivo para o Estado, que avançou 22,8%. A diferença explica-se pelos acréscimos em dez dos 11 segmentos pesquisados, com destaque para material eletrônico e equipamentos de comunicações (45,2%), alimentos e bebidas (25%). Nesse cenário salienta-se o aumento na fabricação de televisores e telefones celulares e de preparações em xarope e em pó para elaboração de bebidas.
Outros sub-setores, como os de máquinas e equipamentos, produção de álcool e refino de petróleo, também acompanharam os demais com 27% e 51,8%, respectivamente. Ambos tiveram como principais impulsionadores a fabricação de aparelhos de ar condicionado e fornos microondas, no primeiro plano, e óleo diesel e gasolina no segundo. Contudo, o impacto negativo veio de edição e impressão -5,5%, influenciado em parte pelos decréscimos no polo de mídias.
O indicador do acumulado no ano avançou 28,2% impulsionado pelo desempenho positivo de nove segmentos, em especial material eletrônico e equipamentos de comunicações (39,5%); e alimentos e bebidas (35,5%). Esses segmentos foram impulsionados pelas linhas de TVs, celulares e preparações para bebidas. Em oposição está ainda à edição e impressão (-4%) e produtos químicos (-3,5%), em virtude da menor produção de CDs e de papel fotográfico.
O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques Pinto Lima, considera que a performance da manufatura regional foi positiva e aguarda números mais generosos nos próximos meses. “O resultado é bom, mas não é melhor que 2007, quando tivemos um ótimo desempenho. Mas, a tendência é de melhora. Geralmente é nestes meses que a produção tende a aumentar, pois datas como o Dia das Crianças e as festas de fim de ano movimentam todo o setor. Já temos pedidos de todo o Brasil”, ponderou.
Pedras no caminho
O dirigente salienta, no entanto, que há pedras no caminho desse crescimento. Conforme o presidente a Aficam, lojistas de Brasília estariam fazendo pressão para que o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), um dos pilares da ZFM (Zona Franca de Manaus), seja estendido para os demais estados, minando a competitividade do modelo. “Se isso acontecer, é o mesmo que liquidando a Zona Franca de Manaus. O tributo é o que garante a sobrevivência do polo. Estamos nos mobilizando para que isso não aconteça”, desabafou.
Para o economista e assessor da Fecomercio/AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira, a tendência da produção é crescente já que o mercado está em pleno vapor com a chegada do fim do ano, saindo da desestabilização causada pelo apagão do Teca (Terminal de Cargas) do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, que reduziu o ritmo de atividade da indústria até maio.






