A produção industrial desacelerou em março ao registrar alta de 0,7% na comparação com fevereiro, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em fevereiro sobre janeiro, pelo dado revisado ontem pelo órgão, a alta tinha sido de 1,9%.
Em relação a igual período em 2008, a indústria teve retração de 10%. No acumulado dos últimos 12 meses, a produção industrial tem recuo de 1,9%. De janeiro a março, a produção industrial acumulou queda de 14,7% ante o mesmo período de 2008 –a maior desde o primeiro trimestre de 1991 (-15,2%).
Já em relação ao quarto trimestre do ano passado, a produção industrial teve queda de 7,9%, e teve um ganho acumulado de 4,8% na comparação com o desempenho de dezembro do ano passado.
Nos últimos dois trimestres do ano passado, a indústria teve uma perda acumulada de 16,7%. É a queda mais forte desde o primeiro e segundo trimestres de 1990.
A Pesquisa Industrial Mensal demonstra que houve aumento de produção em 11 dos 27 ramos pesquisados em março, na comparação com o mês anterior. O principal destaque ficou por conta da indústria de veículos automotores (7%). Por outro lado, os principais resultados negativos foram constatados nas produções de outros equipamentos de transporte (-15,2%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,3%). Por categoria de uso, a produção de bens de capital registrou queda de 6,3% na comparação com fevereiro. Os demais itens tiveram alta, entre eles os de bens de consumo duráveis (1,7%), bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (0,8%) e bens intermediários (0,3%).
O investimento na indústria, medido pela produção de bens de capital, despencou no primeiro trimestre e, após 22 altas trimestrais consecutivas, registrou queda de 20,8%. Foi a redução mais significativa desta categoria –que abrange a produção de máquinas e equipamentos –desde o primeiro trimestre de 1996, quando o tombo chegara a 29,7%, informou na terça-feira o IBGE.
No acumulado dos últimos dois trimestres, desde o agravamento da crise econômica, a produção de bens de capital também foi a mais afetada, com redução de 26,9%, acima das quedas observadas entre os bens de consumo duráveis (-24,2%), bens intermediários (-17,6%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-5,2%).
Investimento na indústria despenca após 22 altas trimestrais consecutivas
“A queda na produção de bens de capital vem se acentuando, porque é um segmento que reflete diretamente a decisão de adiamento dos investimentos em função da crise econômica. No início desse período ruim, era o segmento que menos sentia, só que os efeitos estão chegando depois”, afirmou o coordenador da Pesquisa Industrial Mensal, Silvio Sales.
Em relação ao quarto trimestre de 2008, a produção de bens de capital caiu 19,3%. O movimento foi bem mais intenso do que os de outros setores, como o de bens intermediários (-8%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-2,1%).
Os bens de consumo duráveis registraram alta de 0,7% na produção, na comparação o trimestre imediatamente anterior. Essa reação foi puxada pela produção de veículos automotores, que inclui a produção de automóveis e autopeças.
Desde dezembro, a produção dessa linha subiu 56,7%. Esse movimento, no entanto, não foi suficiente para recuperar o nível da produção anterior à crise. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a retração é de 27,2%.
“A produção de veículos automotores vem liderando a reação entre os bens duráveis. Esse resultado é consequência do mercado interno. Isso pode ser resultado de uma conjugação de fatores, como a manutenção da renda e a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)”, observou o coordenador Sílvio Sales, lembrando que os setores mais dependentes do mercado externo continuam em baixa.







