A produção industrial subiu em oito das 14 regiões pesquisadas em março, na comparação com o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As principais altas foram notadas no Rio de Janeiro (5,4%), Pernambuco (5,1%) e Minas Gerais (3,4%). Por outro lado, recuaram as produções no Espírito Santo (-4,2%), Paraná (-2,3%), Goiás (-1,1%) e Rio Grande do Sul (-0,9%).
Na comparação com março de 2008, a produção da indústria caiu em 13 das 14 regiões avaliadas, com exceção do Paraná, onde a alta chegou a 4,1%. As quedas mais significativas ocorreram no Espírito Santo (-32%), Minas Gerais (-18%) e Amazonas (-14,7%).
Em março, a produção industrial do Amazonas ficou estável (0,0%) frente ao mês anterior, sem influências sazonais, acumulando recuo de 8,4% desde o início do ano. A média móvel trimestral caiu 2,9% entre março e fevereiro, acumulando perda de 16,3%.
Na comparação com março de 2008, a retração ficou em 14,7%, quinta taxa negativa consecutiva. Houve decréscimo em oito dos 11 setores pesquisados, com destaque para material eletrônico e equipamentos de comunicações (-33,3%), outros equipamentos de transporte (-34,1%) e produtos de metal (-15,2%). Sobressaíram as quedas de fabricação de telefones celulares e televisores; motocicletas e suas peças e acessórios; e aparelhos e lâminas de barbear. O principal impacto positivo ocorreu em alimentos e bebidas (18,0%).
O indicador acumulado nos últimos 12 meses atingiu -3,6% em março, menor taxa desde abril de 2007 (-3,7%). Nos indicadores trimestrais, a produção no primeiro trimestre de 2009 caiu 19,4% frente a igual período de 2008 e 9,7% na comparação com o trimestre imediatamente anterior – série ajustada sazonalmente.
Na quarta-feira, o IBGE havia informado que a produção industrial brasileira desacelerou em março ao registrar alta de 0,7% na comparação com fevereiro. Em fevereiro sobre janeiro, pelo dado revisado hoje pelo órgão, a alta tinha sido de 1,9%.
Em relação a igual período em 2008, a indústria teve retração de 10%. No acumulado dos últimos 12 meses, a produção industrial tem recuo de 1,9%. De janeiro a março, a produção industrial acumulou queda de 14,7% ante o mesmo período de 2008 -a maior desde o primeiro trimestre de 1991 (-15,2%).
Atividade na indústria cresce
O uso da capacidade instalada da indústria brasileira (utilização do total de suas máquinas e equipamentos) voltou a crescer em março deste ano, após cinco meses seguidos de queda. Segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a indústria trabalhou com 78,7% da sua capacidade, maior patamar deste ano.
Apesar da recuperação, o indicador ainda está abaixo dos patamares recordes registrados em 2008, antes da crise. Em março do ano passado, por exemplo, a indústria operava com 83% da capacidade.
O nível de utilização da capacidade instalada é usado como um indicador do quanto a indústria pode crescer sem gerar inflação. Quanto menor o uso, maior a possibilidade de a indústria atender a um crescimento de demanda sem provocar aumento nos preços. Porém, em momentos de crise, como agora, a queda no uso sinaliza um desaquecimento da economia, e a alta, uma retomada da atividade industrial.
Os indicadores divulgados na quinta-feira pela CNI também mostram uma desaceleração na queda das vendas.
O faturamento da indústria subiu 2,9% em relação a fevereiro, segunda alta seguida nesse tipo de comparação. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve queda de 1,6%. Apesar de negativo, o resultado é o melhor desde outubro, último mês em que houve crescimento.
No trimestre, a queda acumulada foi de 7,6%. Desde janeiro, o resultado acumulado no ano vem sendo o pior da série histórica da CNI, iniciada em 2003. A queda é menor, no entanto, do que a redução acumulada até fevereiro, que era de 10,9%.
“Os indicadores industriais da Confederação Nacional da Indústria referentes a março mostram uma atividade industrial reprimida no primeiro trimestre do ano, mas com alguns sinais de recuperação”, diz a entidade em nota.
A melhora nesses dois indicadores não foi acompanhada por uma recuperação do emprego, que caiu 0,7% em relação a fevereiro -quinta queda seguida. Na comparação com março do ano passado, a queda foi de 2,5%. No trimestre, houve recuo de 1,4%. Os dois últimos dados são os piores da série histórica.







