O mel amazonense pode chegar ao mercado italiano e oriental a partir de março do próximo ano com a obtenção do selo de inspeção fitossanitária e das operações iniciais do entreposto de Boa Vista do Ramos, município a 270 km de Manaus na calha do Baixo Amazonas. A abertura de mercado, divulgada no último fim de semana pelo presidente da Acaiá (Associação dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia), Jair Rodrigues Arruda, pode beneficiar 150 meliponicultores rurais.
De acordo com Arruda, o município absorve a produção melípona de pelo menos quatro outras localidades amazonenses, o que vem resultando em bom desempenho da cadeia produtiva de mel, mas pode apresentar melhores gráficos na coleta. O presidente lembrou ainda a capacidade e a qualidade do mel produzido em Boa Vista do Ramos obtido a partir de flores silvestres, o que será determinante para a chegada do produto no Japão e na Itália após o registro no SIF (Serviço de Inspeção Federal) em meados de abril do próximo ano.
Mas, apesar do alto valor agregado e da representatividade dos produtos com selo verde, a entrada do mel amazônico no mercado europeu e asiático tem exigido altos investimentos dos produtores, de acordo com o presidente da Acaiá, algo em torno de R$ 250 por colônia. “A primeira florada, encerrada em outubro, foi determinante para os bons resultados do período, já que resultou em 500 quilos de mel. Esperamos, entretanto, alcançar 800 quilos nas coletas de dezembro e janeiro”, explicou Arruda, acrescentando que, com o início das atividades do entreposto, os associados planejam explorar o máximo de colônias permitidas por lei, 50 unidades por produtor.
Merenda escolar
O presidente da ADS, Valdelino Cavalcante, disse que o Estado tem interesse em absorver parte da produção melípona, a qual seria destinada para composição da merenda escolar. Entretanto, o executivo considerou a importância de um estudo nutricional mais aprofundado e o preço final a ser discutido com a Acaiá para efetivar essa inserção já a partir de janeiro de 2008, o que ampliaria a renda dos 150 meliponicultores locais para, pelo menos, R$ 380.
“É preciso um levantamento do volume possível a ser produzido para a concretização desse projeto. Mas desde já o governo tem interesse de incluir o mel entre os 39 itens da merenda escolar”, assegurou Cavalcante.
Segundo o presidente da Acaiá, a coleta nas 7.500 colônias mais a produção obtida em quatro outros municípios que já acenaram com interesse para os investimentos meliponicultores no próximo ano poderão efetivar a obtenção de 500 toneladas de mel em 2008, recorde histórico no Estado.
Dados da Abemel (Associação Brasileira de Exportadores de Mel) apontam um cenário internacional de comércio favorável à produção brasileira. As vendas externas, segundo a entidade, deverão fechar 2007 com 20% a mais de negócios em comparação com o ano passado, mesmo com o embargo da UE (União Européia) aos produtos brasileiros. A projeção, na avaliação da associação é de que a cadeia produtiva de mel feche o ano com a movimentação de quase R$ 3 bilhões, entre 35 mil e 45 mil toneladas, para vendas de mel, própolis, geléia real, polinização e produtos relacionados ao segmento.






