Produtores participam de seminário

Em: 6 de junho de 2008
A associação também é a maior exportadora de mangas do Brasil para a Mallet Azulay, grande importadora de frutas tropicais certificadas em Comércio Justo.
A associação também é a maior exportadora de mangas do Brasil para a Mallet Azulay, grande importadora de frutas tropicais certificadas em Comércio Justo.

Mais de 200 produtores e fornecedores do semi-árido nordestino participaram nesta sexta-feira, do 1º Seminário Internacional sobre Comércio Justo, na cidade de Mossoró. O encontro reuniu produtores do setor de frutas, verduras e castanhas do Piauí, Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte para debater os conceitos do movimento no país e as formas de acesso a esse mercado diferenciado.
Durante o evento, os participantes ouviram especialistas sobre o assunto, que também esclareceram dúvidas sobre os requisitos para a comercialização, a certificação e a importância do Sebrae como apoiador de sua inserção no mercado. “Identificamos que a maior dificuldade do produtor é a venda. E como vender seu produto com dignidade? Assim, estamos desenvolvendo diversas ações para ajudar a plantar um futuro sustentável para esses produtores”, disse a coordenadora nacional do Comércio Justo pelo Sebrae, Louise Machado.
Segundo ela, o grande empecilho para o início do movimento é a falta de organização coletiva dos grupos. “Sem organização dos produtores não dá para acessar mercado nenhum, nem no exterior, nem no Brasil, nem em Mossoró”, disse.
A representante da FLO (Fairtrade Labelling Organization), Darana Souza, fez uma breve apresentação da missão da entidade e deu informações sobre as principais exigências da organização. Segundo Darana, para promover o desenvolvimento social, econômico e ambiental e melhores condições de trabalho, previstos no Comércio Justo, os produtores devem passar por um longo processo de avaliação.
De acordo com a representante, o tempo para se obter a certificação no Brasil leva de seis meses a um ano e os custos para o licenciamento neste primeiro ano chegam a 1,9 mil euros, cerca de R$ 6 mil. “É um processo fácil de entrar e difícil de manter, mas que facilita a vida do produtor. É a única situação em que o produtor dita os preços de sua própria mercadoria”, disse o presidente da Associação de Produtores do Núcleo 6 de Petrolina (PE), Antonio Rosa.
Referência como grupo exportador de Comércio Justo no Brasil, a associação trabalha com o envio de mangas certificadas pelo movimento desde 2005. Dentro da comunidade, toda a produção é desenvolvida com a preocupação da não utilização de mão-de-obra infantil, preservação do meio ambiente e preços justos de oferta no mercado. Com a renda obtida, a associação pretende, no futuro criar um posto médico e um ambulatório para atender as pessoas da comunidade.
A associação também é a maior exportadora de mangas do Brasil para a Mallet Azulay, grande importadora de frutas tropicais certificadas em Comércio Justo do mercado inglês. Entrando no quarto ano de importação das mangas brasileiras, a empresa espera agora o melão certificado da comunidade de Pau Branco, em Mossoró (RN), para entrar para a lista de produtos.

Desafios
e caminhos
O representante da empresa, John Anderson, reforçou a idéia de que ainda existem muitos desafios e caminhos a serem trilhados mesmo depois da certificação do Comércio Justo, como a educação do produtor quanto à qualidade dos produtos a serem exportados, a questão nutricional dos alimentos e o controle do uso dos agrotóxicos. “Não se pode relaxar porque a fruta foi certificada pelo contrário, é a partir daí que se deve ter maior atenção em relação aos princípios”, afirmou.
Durante o encontro, a Associação de Desenvolvimento Agroindustrial Potiguar (Adap) de Mossoró assinou, com a Mallet Azulay e o Sebrae, um termo de intenção de compras para a venda dos melões certificados da região. “É a prova do compromisso da empresa inglesa, que está garantindo a compra do melão no Comércio Justo”, disse o diretor-técnico do Sebrae no Estado, João Hélio.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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