Produtos Básicos são 50% das exportações

Em: 8 de julho de 2014
Produto básico já representa mais de 50% das exportações, segundo governo Brasileiro
Produto básico já representa mais de 50% das exportações, segundo governo Brasileiro

Apesar da queda generalizada dos preços de commodities, a concentração das exportações brasileiras em produtos básicos atingiu o ponto mais alto em três décadas e meia. Pela primeira vez desde 1980 (último dado disponível), mais da metade dos embarques ao exterior no primeiro semestre foi de bens primários, como soja e minério de ferro. De janeiro a junho deste ano, os básicos representaram 50,8% de tudo o que o país exportou. Essa proporção era de 25% em 2002 e já havia subido para 47,5% no mesmo período do ano passado.
Enquanto isso, os produtos manufaturados encolheram sua participação para o menor nível também desde 1980 e hoje equivalem a 34,4% das vendas totais, em um movimento que o governo atribui à lenta recuperação econômica nos principais mercados. “O quadro geral da economia mundial neste ano ainda é muito desfavorável”, reconheceu o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, ao anunciar ontem os números da balança comercial de junho. Ele ressaltou uma série de aspectos positivos: foi o mês com maior superavit e maior média diária de exportações em todo o ano até agora.
Em junho, o saldo positivo chegou a US$ 2,365 bilhões. Esse resultado, porém, foi insuficiente para reverter o deficit acumulado no primeiro semestre: US$ 2,490 bilhões. De qualquer forma, garantiu evolução sobre o resultado verificado em igual período do ano passado, quando a entrada de importados havia superado as exportações em US$ 3,074 bilhões. De posse dos números, Borges manteve a postura de evitar projeções exatas, mas continuou apostando na “perspectiva” de fechar o ano no azul. Timidamente, mencionou até o objetivo de melhorar o desempenho de 2013, quando houve superavit de US$ 2,56 bilhões. “Há um nível de incertezas sobre a economia mundial que torna impossível fazer uma previsão para a balança.”
A conta-petróleo, que mede a diferença entre exportações e importações de óleo bruto e derivados, ajudou no resultado do primeiro semestre. O deficit nessa conta retrocedeu de US$ 11,9 bilhões para US$ 8,7 bilhões. A redução está em linha com a expectativa do governo, mas contrasta com um aumento de 43% nas importações de petróleo e combustíveis em junho, isoladamente.
A crise argentina continua afetando em cheio a indústria brasileira.
Houve queda de 25,5% nas vendas ao país vizinho em junho e de 19,8% no acumulado do primeiro semestre. Cauteloso, o ministro disse que a Argentina deve registrar “crescimento menor” neste ano e frisou a importância do acordo recém-fechado no setor automotivo, lembrando que ele mantém o comércio administrado de veículos, mas retira travas como as declarações juradas de importação aplicadas em Buenos Aires. Borges afastou a possibilidade de um novo mecanismo de financiamento ao comércio bilateral e garantiu que “não está na mesa” qualquer discussão sobre eventual ajuda para reforçar as reservas internacionais do parceiro no Mercosul. “O governo brasileiro está ajudando a Argentina do ponto de vista diplomático”, resumiu o ministro, destacando a atuação na OEA (Organização dos Estados Americanos).
Curiosamente, apesar de toda a desaceleração argentina e das preocupações da indústria brasileira, o Brasil manteve superavit no comércio com o vizinho – ele só caiu de US$ 523 milhões para US$ 384 milhões -porque as importações também encolheram.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Daniel Godinho, destacou a importância da retomada do crescimento das exportações aos Estados Unidos. Em nove dos últimos 11 meses, segundo ele, o mercado americano -tradicional destino de produtos industrializados -aumentou suas compras do Brasil. Houve avanço de 3,5% em junho, na comparação com igual mês do ano passado, e de 11,4% no acumulado do primeiro semestre. Em sua análise sobre a balança de junho, Godinho minimizou a dependência dos produtos básicos, preferindo ressaltar o aumento das quantidades exportadas pelo setor primário. Quase todas as commodities relevantes tiveram redução de preços no primeiro semestre.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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