Ele está ‘engatinhando’, mas tem demonstrado um grande potencial dentro de um novo mercado. A busca por tratamentos naturais com produtos orgânicos e veganos tem sido a mola de investimento no setor de beleza no Amazonas.
Um estudo realizado em 2017 pela consultoria americana Grand View Research aponta que até 2025, o mercado de cosméticos orgânicos deve movimentar US$ 25,1 bilhões no mundo. O estudo analisou cerca de 30 países e identificou que o Brasil está entre o que possui maior potencial de crescimento na América Latina.
Explorando esse nicho, a Aracy Company, empresa no ramo de depilação, limpeza facial, clareamento e massagem, inaugurou o espaço utilizando em seus serviços 80% produtos veganos. “Já fazíamos as ceras naturais, mas como conseguimos bastante feedback positivo de clientes, resolvemos inovar com uma gama de produtos que acabaram dando bem mais certo do que imaginávamos”, conta o proprietário da empresa, Barney Braz.
Conforme Braz, a empresa usa marcas com a certificação da Peta (People for the Ethical Treatment of Animals). Para certificar quais produtos são cruelty-free e/ou veganos, eles estão em contato direto com as empresas para garantir que os produtos não contém derivados de animais.
“Os produtos naturais ajudam no cuidado da pele já que não contêm substâncias químicas e tóxicas, derivados de petróleo, metais pesados e conservantes sintéticos”. Entre a gama de produtos veganos e cruelty-free estão argilas faciais, ceras depilatórias, Cremes hidratantes, Esfoliantes corporais, sabonetes em barra de argila, sabonetes líquidos e esmaltes veganos e cruelty-free,

Com o mesmo apelo, o grupo Amanda Beauty, inaugurou um salão exclusivo para atendimento com produtos naturais, o Espaço Amanda Natural. “Percebemos que o natural a cada dia é mais valorizado. E como na nossa essência está um valor muito forte da nossa fundadora, que é fazer o cliente feliz, se tornou nosso dever, pesquisar, entender e implantar um salão para encantar o cliente que valoriza o Natural”, explica Kecia Mahely, franqueada do grupo.
O crescimento dessa tendência está acontecendo em todos mercados. A prova disso na área de Cosméticos é a Natura (referência mundial em sustentabilidade) adquiriu marcas globais como Body Shop e Avon. “E nós que atuamos principalmente na venda de serviços percebemos que o cliente entende como novo luxo, o uso de produtos naturais. Além disso, o cliente quer não somente o cabelo bonito. Ele quer, cada vez mais, um cabelo saudável”.
Segundo Kecia, a proposta é possibilitar que o cliente faça serviços deixem o cabelo, os pés, mãos e pele bonitos e principalmente saudáveis, não utilizando produtos como amônia, progressivas, acetonas e outros produtos químicos. Com produtos 100% FREE dessas substâncias danosas à saúde.
A empresa investe em tratamentos terapêuticos totalmente naturais, com a linha Prévia, da marca italiana de tratamento capilar, com shampoos, condicionadores e máscaras com ativos orgânicos. Bulbo Raiz, que é também de tratamento voltado ao couro cabeludo. Além da linha Dermanail, esmaltes hipoalergênicos. “A função desses produtos naturais é de devolver a vitalidade dos fios, da pele entre outros. Também temos produtos veganos para tratamento corporal, produtos naturais para tratamento de cutículas e unhas”.

A empresa investe em tratamentos terapêuticos totalmente naturais, com a linha Prévia, da marca italiana de tratamento capilar, com shampoos, condicionadores e máscaras com ativos orgânicos. Bulbo Raiz, que é também de tratamento voltado ao couro cabeludo. Além da linha Dermanail, esmaltes hipoalergênicos. “A função desses produtos naturais é de devolver a vitalidade dos fios, da pele entre outros. Também temos produtos veganos para tratamento corporal, produtos naturais para tratamento de cutículas e unhas”.
Empresária há dois anos, Cleice Costa, idealizadora do Universo Cacheado, primeiro espaço naturalista em Manaus, observou um mercado próspero no ramo de produtos naturais e abriu um espaço voltado para o cuidado natural dos cabelos com cachos. O diferencial era a aposta nos serviços direcionados a produtos com formulações livres de ingredientes tóxicos. Especialmente produtos orgânicos, veganos, livre de teste em animais e menos agressivos ao meio ambiente, dentro de uma filosofia mais saudável.

“Hoje as pessoas estão mais engajadas e conscientes e buscam melhor qualidade e sustentabilidade naquilo que se consome. No universo da beleza também se vê essa preocupação em buscar serviços e produtos com ingredientes naturais”
Ela defende a importância de ofertar um ambiente saudável para o público, dando-lhes opções de serviços que, diferente dos produtos convencionais, vão realmente devolver a saúde aos cabelos.
O salão trabalha com várias marcas voltadas para cuidado do cabelo com cachos, como exemplo a KAH-NOA, empresa que faz produtos naturais, ricos em manteigas, óleos e umectantes naturais, ideais para seguidoras da rotina saudável No Poo / Low Poo e não faz testes em animais. E a ARVENSIS que também seguem essa filosofia com produtos cuidadosamente elaborados com extratos naturais e orgânicos, livre de ingredientes com corantes, petrolatos/óleo mineral e parabenos e 100% veganos.
A tricologista e terapeuta capilar, Carolina Pestana, que trabalha no Tereza Cunha Hair Therapy, relata que atualmente o mercado está envolvido com uma vida mais saudável e isso diz respeito aos cuidados com os cabelos também. O uso de produtos orgânicos e veganos estão ganhando força “é importante ressaltar que os conceitos não são os mesmos, afinal, é possível ser orgânico e não ser vegano”, esclarece.
Conforme Carolina, no Brasil, não existe uma regulamentação que determine um cosmético "natural", ela alerta que é necessário conhecer a idoneidade das empresas que comercializam este produto, pois muitos usam isso apenas como apelo de marketing. Para ser um produto orgânico, é necessário que a sua composição tenha em sua formulação, produtos naturais e orgânicos sintéticos e principalmente conservantes artificiais, entre outros.
Já os produtos veganos são ativos de um processo produtivo livre de toda e qualquer origem animal, como a cera de abelha, o leite e etc; priorizando a utilização de ervas aromáticas, extratos vegetais e nao sendo testado em animais.
Ainda existe um outro conceito em alta que se encaixa muito bem nesse mercado, que são os cosméticos fitoterápicos, onde seus ativos principais são óleos essenciais, extratos de plantas com ação terapêutica, e não necessariamente sendo orgânico ou vegano.
“A vantagem de ser adepto a essas lindas de tratamento capilar, é a biocompatibilidade com a pele, logo eles exercem respostas positivas de maneira mais rápida, desde que escolhidos, priorizando a necessidade individual de cada indivíduo, ou seja, um atendimento mais personalizado.
Ela acrescenta que é importante diferenciar as necessidades. O couro cabeludo é diferente dos fios. A pele está submetida a saúde interna, como hormônios, endócrino, nutrição e ansiedade, são apenas alguns dos fatores que atingem o couro cabeludo, já os fios são submetidos a modificações externas, calor, químicas, poluição. Os ativos indicados para esses tratamentos são infinitos, como por exemplo, argila, óleos essenciais, detergentes mais hidratantes, reconstrutores e etc.
“Trabalhamos esse conceito tanto nos procedimentos de embelezamento (coloração, pré e pós-química) como nos serviços de terapia capilar (tratamentos reparativos e/ou preventivo da saúde do couro cabeludo e dos fios), todos mediante a avaliação.
Ela também confirma que o mercado é próspero e a procura tem sido crescente. Ela orienta que o segredo para um tratamento de sucesso, é procurar profissionais qualificados a essas ações terapêuticas, quanto a qualidade dos produtos. “Não se pode acreditar apenas em propagandas. Conhecer ingredientes básicos de uma formulação fazem a diferença na hora da escolha dos produtos e a confiabilidade do fabricante”, orienta.
Adeptas
Há pouco mais de cinco meses, a advogada Mariana Monte Giovanazzi, 28, começou se interessar por produtos naturais. Atualmente a advogada utiliza uma grande linha de produtos que vão da higiene diária até alguns cosméticos como maquiagens e esmaltes. “Tenho me adaptado muito bem. Têm marcas específicas que uso e já estou acostumada”.
A preocupação com o impacto dos ingredientes químicos à saúde, associados em alguns estudos como causadores de câncer e outras doenças, levou Mariana a se adaptar ao novo estilo de vida. “O mercado tem crescido muito, já existem muitas opções. Eu compro muito quando eu viajo e em sites. Aqui em Manaus já temos locais que vendem uma gama de produtos que vão da maquiagem a creme dental”.
A funcionária pública, Camila D`Angelo, também embarcou na onda dos tratamentos por meio dos produtos naturais. “Mas ainda estou em desconstrução gradativa”. Ela também defende que as novas pesquisas acabam influenciando e atraindo mais adeptos a produtos com cada vez menos elementos artificiais, pois sua grande maioria é nocivo à saúde.
“Hoje quando compramos um dermocosmético, por exemplo, o maior destaque na embalagem é dizer que não contém parabenos, sal, e outros elementos que já foram comprovadamente indicados como ruins”, destaca Camila, que busca utilizar, especialmente para tratamentos, aquilo que seja o mais isento possível dessas substâncias, e acabamos assim, conhecendo e usando com mais frequência os produtos veganos.
Para Camila, o mercado ainda é novo no Brasil, mas vem ganhando força no norte desde o ano passado. “Em virtude de ser algo diferente, ainda tem um valor um pouco mais alto e lugares pontuais em que se encontre. Mas vejo uma tendência positiva no ganho de mercado, e, quem sabe um dia tenhamos opções mais saudáveis em mais estabelecimentos”.
Entenda
Apesar de muitas pessoas confundirem esses produtos, há uma grande diferença entre cada um deles. Segundo a Ecocert e o IBD, os produtos orgânicos para cabelo são aqueles que possuem 95% de ingredientes orgânicos (vegetal e de origem vegetal) em sua fórmula, enquanto os produtos naturais para cabelo são aqueles que possuem apenas 50% desses ativos vegetais orgânicos em sua composição.
Já os produtos veganos possuem ativos 100% vegetais, ou seja, não utilizam quaisquer ingredientes de origem animal na sua composição. Sabendo disso, é válido dizer que nem todo produto natural é orgânico e, ainda, que nem todo produto natural ou orgânico é vegano.
Os produtos cruelty-free, por sua vez, são aqueles não testados em animais. O que significa que todo produto natural, orgânico ou vegano só será considerado cruelty-free se não for testado em animais.







