Egresso do meio acadêmico das salas de aula, o vereador Professor Samuel (PL) diz que só a educação pode transformar vidas, sendo o melhor caminho para promover o desenvolvimento de um país. Ele acrescentou que ainda não existe uma posição sobre a possibilidade de disputar uma vaga na Aleam no próximo ano. Ele ressalta que vai esperar o momento certo para anunciar a sua candidatura, se realmente decidir.
“É um desafio muito grande. Disputar uma eleição para deputado exige um armamento forte, com apoio de muitos grupos. Não sei se estou preparado para enfrentar tanta ousadia”, afirma ele.
O vereador ainda espera ter uma conversa com o ex-prefeito Alfredo Nascimento que deve disputar como deputado federal pela sigla. Antes de ser político, o Professor Samuel teve uma trajetória intensa na área de educação no Amazonas. Foi professor de várias disciplinas, ocupou cargos de gestor de escolas públicas e privadas, conhecendo de perto toda a dinâmica do setor, os seus principais problemas, e ainda estabelecendo metas para melhorar a qualidade do ensino.
“Só a educação pode transformar vidas. Ela é o maior referencial para alavancar, fortalecer, os outros setores da vida em sociedade, como a saúde, a economia, enfim, todos, indistintamente”, acrescenta o vereador.
O parlamentar faz um balanço de sua atuação na CMM (Câmara de Municipal de Manaus). E diz que o ano foi muito produtivo para os vereadores, apesar da crise causada pela pandemia. “A moçada está fazendo um bom trabalho”, destaca.
Professor Samuel comenta sobre a Lei da Infância sem Pornografia, de sua autoria, uma forma de evitar que as crianças se contaminem por conteúdos visuais e todos os tipos de publicações que não respeitem as faixas etárias dos menores, segundo ele.
“Muita gente pega financiamentos do poder público para produzir coisas que ferem esses princípios”, argumenta. Também tramita um outro projeto, de sua autoria, que propõe a instalação de faixas de pedestres e outras sinalizações de trânsito nas proximidades de escolas, creches, UBS, asilos da terceira idade na cidade, num raio de 100 metros.
O Professor Samuel participou da live ‘JC às 15h’, comandadas pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.
Jornal do Commercio – Vereador, com certeza um ano de muito trabalho….
Professor Samuel – Ser parlamentar de uma metrópole como a cidade de Manaus exige muito trabalho. Tem uma nova gestão do poder executivo que modificou muito o parlamento. Sempre pensamos em fazer o melhor por nossa população.
JC – O sr. é um dos remanescentes da última legislatura. Houve uma renovação de mais de 50%. Tem notado alguma diferença com os novos vereadores para dar mais gás à Câmara?
PS – Quando a gente entra pela primeira vez na Câmara é diferente de quem tem dois, três mandatos. Chega com aquela mente que vai resolver os problemas da cidade. Vai chegar lá e fazer as coisas acontecerem.
Mas não é assim. Manaus é muito grande. Mas a moçada está fazendo um bom trabalho. Seja quem seja o prefeito não tem como resolver todos os problemas de forma imediata. Vai dando prioridades, é como uma família.
E a turma chegou com um gás muito forte, muita gente trabalhando, fazendo, se mobilizando e mostrando os problemas.
Porque o vereador é o identificador dos problemas da cidade que são levados ao executivo pra ver e buscar a melhor forma de atender.
É uma turma boa, determinada, que quer o melhor. Quando cheguei à Câmara, fui muito orientado pelo Carijó, foi um vereador muito importante, ele me ajudou, me instruiu. Já temos um ano definido, eles já estão engajados com certeza.
E Manaus vai ficar muito forte com o novo orçamento que foi votado, um orçamento diferente. Tanto a Câmara como o executivo vão ter possibilidades de fazer mais.
JC – O vereador não tem a caneta, a chave do cofre, apenas indica para fazer, mas não pode apresentar projetos que impliquem em despesas para o executivo…..
PS – Essa é a dificuldade das pessoas de entender que quem faz as coisas acontecerem é o executivo. O legislativo faz os projetos, aprova, e fiscaliza o executivo.
Nós não podemos fazer projetos que causem despesas ao executivo. Só fazemos a indicação ao executivo.
Nesse período de Covid, com a minha emenda destinei, naquele ápice da doença, 309 mil reais para o combate à pandemia porque o momento era de dificuldades.
Agora, apresentei tanto para o poder público municipal quanto para o estadual uma compensação financeira para as pessoas que perderam familiares médicos, enfermeiros e trabalhadores de saúde que estavam na linha de frente contra a Covid e perderam suas vidas.
Fiz apenas uma indicação porque essa proposta vai dar despesas ao executivo.
JC – Em geral, um vereador para ser eleito tem uma representatividade de determinados grupos que o apoiaram, tornando-se seu representante. Como sugere o próprio nome, o seu forte é na educação?
PS – Lógico. Como professor e pedagogo, já dei aula de história, geografia, artes, OSPB, Moral e Cívica, já fui do Colégio Militar do Exército, trabalhei no Camões na época do Lázaro, já trabalhei na sede da Seduc.
Então, a minha identidade ficou como professor. E foi o que usei no primeiro período de campanha. Em 2000, fui candidato, também em 2004 e 2008. Tive oportunidade de perder três vezes.
Posteriormente, por três vezes fui eleito graças à população de Manaus. Como professor, eu nunca neguei que o mundo só pode ter uma transformação com a educação.
Quando você insere a educação dentro de um bojo maior de investimentos, as outras coisas acontecem naturalmente. Temos muitas vagas de empregos, só não temos pessoas preparadas. A educação é primordial.
Tenho muitas entradas, muitas amizades, muitos colegas professores, gestores, tanto no Estado como na prefeitura, na rede privada também, trabalhei também até no Denizard Rivail.
Meu lastro de relacionamento com a educação é muito forte. Embora a gente se limite porque o número de professores é muito grande. A gente sempre lutou. É lógico que professores, educadores, amigos meus me ajudam muito.
E também a igreja, sou da Igreja Adventista, já tenho 11 anos ou 12 anos na igreja. Temos vários projetos. Tem o Calebe – é aquele no mês de julho, de férias, em que jovens, as pessoas envolvidas, vão fazer algo diferente nas comunidades.
JC – Uma outra abordagem é com relação à inclusão das crianças com deficiência na hora da diversão, brincadeira. O sr. tem um projeto sobre isso?
PS – Tenho esse projeto que é de dimensão muito importante. Já estou lutando há muito tempo sobre a necessidade de disponibilizar brinquedos adaptados nos parques de diversões públicos ou privados.
Para que uma criança com deficiência possa ser incluída nesses momentos de diversão. Temos um grande número de pessoas com deficiência no Brasil todo. E em Manaus não é diferente.
A Câmara tem uma coisa interessante. Todo gabinete tem que ter uma pessoa com deficiência. Então, eu vendo isso, essa necessidade. Já presenciei fatos dessa natureza.
E apresentei esse projeto. E espero que consiga isso até o momento de deixar a Câmara. Esses brinquedos serão readaptados para várias deficiências. E quem ganha são as famílias que têm esses problemas com a inclusão.
JC – Hoje, a vulnerabilidade no entorno das escolas é muito grande. Existe o assédio da criminalidade. Há questões ainda sobre a segurança no trânsito. Isso também está previsto em seus projetos?
PS – Com certeza. Nós temos um projeto que obriga o poder executivo a priorizar faixas de pedestres, sinais, o que for preciso de sinalização, nas proximidades, mais ou menos em 100 metros, das escolas, creches, dos hospitais, das clínicas, das casas de repouso da terceira. Tornar essa questão obrigatória.
Porque passa um grande fluxo de pessoas por essas áreas. Poderíamos copiar as lombadas suspensas que existem no Nordeste. E você é obrigado a parar.
Estive no Nordeste e vi, é interessante. Inclusive colocar tinta neon que dá uma visibilidade muito grande, e percebe-se de forma antecipada que tem uma creche.
JC – A Guarda Municipal armada também ajuda um pouco….
PS – Ajuda. Nós conseguimos instalar mais uma comissão, a comissão de segurança dentro da Câmara. E essa comissão é presidida, inclusive, pelo Carpê, que tem uma experiência maior. É um dos projetos do poder executivo de armar a guarda.
No Nordeste. Fortaleza e Rio Grande do Norte já têm guarda armada. E o que é preciso para armar? A cidade tem que ter, no mínimo, 500 mil habitantes. E já extrapolamos bastante. O que vai ser bom.
Com a Guarda Municipal armada, vamos poder prevenir o que aconteceu na Praça das Letras, na Compensa, nos bancos, onde destruíram caixas eletrônicos.
JC – Recentemente, Manaus rodou um vídeo pelas mídias sociais sobre uma cuidadora tratando mal o seu paciente. O sr. também criou um projeto de lei em cima dessa preocupação….
PS – A gente quando nasce, precisa de muito carinho e proteção. E quando vai ficando velho também.
A gente vê a fragilidade e a decadência do idoso. A criança e o jovem progridem. O idoso regride.
Temos que ter uma preocupação maior com o idoso. O projeto obriga as casas de idosos terem câmaras externas para as pessoas saberem o que acontece dentro das casas de repouso.
Como vimos aquele caso daquela profissional que cuidava de um autista que desviou totalmente a sua conduta. O meu projeto pro idoso é justamente sobre uma preocupação maior com os idosos. E isso precisa. Temos tecnologia e mecanismo pra fazer.
JC – Esse projeto foi, inclusive, sancionado pelo prefeito. Houve até uma certa polêmica, diziam que estavam invadindo a privacidade dos cuidadores. Mas avançou?
PS – Sim, avançou. É que existem alguns vereadores que têm umas bandeiras diferentes. Tem um projeto que está em andamento que não é meu.
Projeto pra selar os alimentos que são entregues nas residências. Teve vereador que foi contra. Eu fui completamente a favor.
Quando compro uma pizza, eu quero que ela venha selada. Porque o rapaz que entrega pode fazer maldade, colocar alguma coisa. Agora, vou comprar um alimento, por que não deve vir selado?
Tirou o selo perde a garantia do alimento. É um negócio interessante.
O projeto é do vice-presidente Wallace Oliveira. E disse a ele que vou subscrever porque isso já era pra existir desde antes.
JC – Já existe a Lei da Infância sem Pornografia. A ideia é proteger as crianças, mas a sexualização é muito precoce, alguns movimentos até incentivam essa situação. Qual a proposta dessa legislação?
PS – Sem pornografia. É o que temos que lutar bastante sobre isso. Existe até aquele caso de uma imagem que aconteceu em São Paulo ou no Rio, onde as crianças passavam e apalpavam o corpo representado de uma mulher.
Então, a proposta é impedir investimentos públicos em escolas e praças públicas em ações que contrariem os princípios da idade das crianças.
Ou seja, um menino de 10 anos não pode estar numa feira de ciências e ter de pegar num corpo de um homem ou de uma mulher, pegar nas partes íntimas. Isso não é ciência. Não se pode pegar uma criança e manipulá-la.
JC – O sr. tem andado muito nas comunidades, invasões, na periferia. Quais são as principais demandas dos moradores ?
PS – É, a gente tem andado muito. Este ano, não andei tanto quanto os outros anos porque tivemos a pandemia. Mas tivemos muitas ações
Sou muito de andar nas ruas. As maiores demandas são tapa-buracos, esgoto, drenagem, limpezas de igarapés.
Temos conversado essas questões com as comunidades. Tiramos fotos, fazemos as solicitações à prefeitura, e eles vão executando.
Temos agora o secretário Sabá Reis que tem dado uma repaginada com relação às praças, logradouros, a gente tem visto a diferença, e também o avanço na limpeza dos igarapés. As pessoas também têm muitas dificuldades de emprego, a gente orienta se houver vagas em escolas, e às vezes a pessoa consegue. Mas temos dificuldades quando é emprego porque a demanda cresceu muito.
JC – As invasões pararam mais um pouco em Manaus?
PS – Eu acredito que têm diminuído. Mas é uma situação que precisa de um estudo grande, de uma reflexão do poder executivo, das organizações.
JC – A aprovação do reajuste da Cota do Exercício Parlamentar gerou um pouco de polêmica. Mais que dobrou o valor, passou de R$ 18 mil para R$ 38 mil….
PS – Isso tudo é decidido em Brasília que tem a cota parlamentar do deputado federal.
A do deputado estadual é 75% da cota do federal. E o municipal é 75% do estadual. Agora, não é obrigado você gostar, pode gastar ou não.
Pode gastar mil reais, cinco mil. Aquilo ali é a disponibilidade que a lei manda, que a lei determina. É o gasto limite que o vereador tem do que foi votado em Brasília
Foi colocado o percentual que a lei diz. Então, foi apenas um alinhamento. Tem vereador que não gasta nenhum real, outros gastam, e aí fica a critério de qualquer um.
JC – O dinheiro da cota que o vereador não gasta, fica para qual finalidade?
PS – Fica para a Câmara Municipal. Se a Câmara terminar o ano e não usar esse dinheiro para alguma despesa, vai para o poder executivo e ele determina o repasse para alguma secretaria, e ele vai acabar do mesmo jeito. O dinheiro que vem pra Câmara é um percentual da prefeitura e a Câmara usa como achar que é melhor.
JC – Houve um aumento do orçamento da prefeitura….
PS – Subiu para sete bilhões de reais. Tudo é percentual.
JC – Vereador, o sr. continua no mesmo partido?
PS – É, estou no PL, partido que agora é de Bolsonaro (rsss).
JC – Vai sair também candidato….?
PS – É difícil dizer agora. A gente pra ir a uma luta para estadual, federal, requer um armamento bem grande. É difícil. Não é só o trabalho, o trabalho só não resolve.
Na minha opinião, devem sair da Câmara de três a cinco deputados estaduais, talvez um federal ou dois.
Mas não adianta a gente sonhar que todo mundo que é candidato vai ser deputado porque não vai.
JC – Boa parte dos vereadores será candidata….
PS – A maioria será candidata
JC – O sr. já disputou alguma vez para estadual?
PS – Nunca disputei.
JC – E agora poderá ser a primeira vez para deputado….
PS – Eu não tenho a resposta pra dizer agora que vou disputar. Depende da conversa que eu possa ter com o ex-prefeito Alfredo Nascimento que, provavelmente, venha a se candidatar a deputado federal.
É lógico que o Bolsonaro chegou recentemente ao partido e a gente vai ver como é que as coisas vão funcionar. Não vou dizer que não.
Eu tenho uma dificuldade grande porque pra eu chegar a deputado estadual vai ter que buscar 20 mil votos, em média, podem ser mais. Não é fácil, é um trabalho árduo, tem que ter um padrinho forte. E não tenho padrinho forte. Sempre tudo que tenho pedido a Deus, Ele sempre me atendeu. Eu fui muito atacado. Mas graças a Deus, consegui sobreviver. Continuo a fazer filantropias dentro dos meus limites.
Penso que o fundamento do ser humano nesta terra é ajudar o próximo. Temos aqui uma passagem. Perdi dois irmãos com a Covid. É lógico que tenho dois filhos com os quais me preocupo. É mais provável que eu não seja candidato. Quero cumprir meu mandato, poder fazer por Manaus alguma coisa que ainda não tenha feito e pelo ser humano que precisa de ajuda. Tem muita gente passando dificuldades, isso dói no coração, e a gente precisa olhar esse lado aí e ajudar as pessoas.






