Proteste questiona internet 4G

Em: 30 de abril de 2013
Associação de consumidores entrega ofício à Anatel questionando novo serviço de banda larga oferecido no país
Associação de consumidores entrega ofício à Anatel questionando novo serviço de banda larga oferecido no país

As suspeitas de que os consumidores que adquirirem internet móvel com tecnologia de quarta geração (4G) poderão estar sendo enganados levou a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) a questionar na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o novo serviço oferecido pelas operadoras do serviço no Brasil. A entidade entregou ontem (29) um ofício à agência no qual argumenta que a limitação de downloads tornará breve e limitará a alta velocidade da internet 4G, tão alardeada como a grande vantagem do produto.
Coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, disse à Agência Brasil que o consumidor passará por uma situação similar à de uma pessoa que “paga por uma carruagem que no meio do caminho vira abóbora”. Segundo ela, quem contrata o serviço 4G quer transmitir grande quantidade de dados de forma rápida. Portanto, se as operadoras põem um limite de quantidade de dados e decide que, ao atingi-lo, a velocidade da rede diminui, elas estariam, de certa forma, enganando o consumidor.
Isso, acrescentou a coordenadora da Proteste, pode ser caracterizado como propaganda enganosa, porque aparelhos mais caros serão usados para velocidades menores. Para piorar, os aparelhos usados atualmente para a faixa de 2,5 giga-hertz (GHz) não poderão ser usados também para a faixa de 700 mega-hertz (MHz), com previsão de serem leiloadas no ano que vem.
“Ou seja, depois de assinar o contrato de fidelidade com a operadora e se dar conta da limitação de download, o consumidor que precisa transmitir e receber grande quantidade de dados se verá na obrigação de aderir a um outro plano, certamente mais caro. Além disso, se quiser migrar para outra operadora, da faixa de 700 MHz, ele terá de adquirir outro aparelho”, explicou Maria Inês. “O problema é que nada disso está sendo informado”.
Contatada pela Agência Brasil, a Anatel informou que só se manifestará sobre o assunto após receber o ofício da Proteste.

Copa das Confederações
Com prazo para hoje (30), as quatro principais operadoras de telefonia móvel do país terão que oferecer a tecnologia 4G nas seis sedes da Copa das Confederações. O prazo foi estipulado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ao leiloar a frequência para a oferta da tecnologia.
Segundo o cronograma estabelecido pela agência, as operadoras de telefonia móvel que adquiriram espectros no leilão têm até hoje, terça-feira (30) para cobrir 50% das áreas das seis cidades-sede da Copa das Confederações: Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza.
A Claro foi a primeira empresa a lançar o serviço no Brasil. Além das cidades que sediarão a Copa das Confederações, o 4G da operadora está disponível em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Paraty, Campos do Jordão e Búzios.
A Oi anunciou na última quinta-feira (25) o início da operação de sua rede 4G no Rio de Janeiro e, nas demais cinco cidades, a pré-venda e as ofertas comerciais começarão na primeira quinzena de maio. A Oi e a TIM fizeram um acordo para compartilhamento da rede de acesso de rádio (RAN Sharing).
Nesta primeira fase, a TIM vai ofertar o serviço no Recife e a Oi será responsável por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador. Na segunda fase, para atender ao prazo da Anatel que determina ativação do 4G até 31 de dezembro nas cidades-sede da Copa do Mundo, a TIM ficará com São Paulo, Natal e Curitiba e a Oi com Manaus, Porto Alegre e Cuiabá.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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