Psicologia explica comportamentos dos jogadores do mundial

Em: 1 de julho de 2014
Estudo acredita que craques demais no mesmo time diminui desempenho do grupo
Estudo acredita que craques demais no mesmo time diminui desempenho do grupo

Sabemos que muita gente está chateada com a vitória apertadíssima (nos pênaltis!) do Brasil sobre o Chile. Uma nova pesquisa revelou que, em alguns casos, colocar craques demais no mesmo time é o problema.
O estudo indica que, após certo ponto, adicionar mais supertalentos a uma equipe piora o desempenho do grupo. Os resultados foram publicados no Psychological Science, um jornal da Association for Psychological Science.
Liderada pelo professor Roderick Swaab, a análise mostra que a presença de muitos indivíduos talentosos diminui a disposição dos jogadores de se coordenarem, o que compromete a eficácia da equipe. “A maioria das pessoas acredita que a relação entre talento e desempenho da equipe é linear —quanto mais sua equipe está repleta de talentos, melhor o que eles vão fazer”, diz Swaab.
“No entanto, nossa pesquisa mais recente documentando o ‘efeito talento demais’ mostra que para equipes que exigem altos níveis de interdependência, como futebol e basquete, o talento facilita o desempenho da equipe… Mas só até certa medida. Além desse ponto, os benefícios diminuem e, eventualmente, prejudicam o desempenho da equipe, porque ela não consegue coordenar suas ações”, afirma.
Adicionar talentos demais a uma equipe piora o desempenho do grupo. Mas não é todo o tipo de esporte que sofre o efeito. Ele só aparece em jogos que exigem alto nível de interdependência entre os atletas. No caso de esportes mais individualistas, como o beisebol, “níveis elevados de talento” não prejudicam o desempenho.
A pesquisa usou dados das partidas da Copa do Mundo de 2010 até o período de elimina-tórias para o Mundial de 2014, além de informações de jogos da NBA e da MLB, a Major League Baseball.

Inteligência para os gols
Se ‘acumular’ tantos talentos no mesmo time pode prejudicar o time, o fato é que na hora do jogo, é difícil não se impressionar com o que os jogadores fazem em campo. Muitas vezes, até parece que os atletas têm acesso a talentos que vão além da própria consciência deles. Mas acredite: momentos mágicos como alguns gols realizados pelos craques, têm muito a ver com inteligência.
Quando dizemos que, nos gramados, jogadores agem somente por instinto, força do hábito ou devido a seu treinamento, esquecemos que esse tipo de “memória muscular” também é armazenada no cérebro. Segundo o psicólogo Tom Stafford, em um artigo para a BBC, isso iguala as habilidades esportivas a qualquer outro tipo de memória.
Estudos sobre a forma como o cérebro incorpora novas habilidades podem ajudar a compre-ender o cenário. Sabemos que atletas praticam durante anos até participarem de um evento como o Mundial. Depois de um tempo, os movimentos são absorvidos com menos esforços e os atletas têm mais controle sobre o que fazem.
“Isso não significa que nós pensamos menos quando estamos altamente qualificados”, diz Stafford. “Pelo contrário, esse processo chamado de ‘automatização’ significa que pensamos de forma diferente.” Ou seja, o jogador pode não precisar calcular os movimentos de seus pés, mas direciona a atenção para outros fatores: o vento, a aproximação dos adversários, a localização de seus colegas de time.
“Talvez gostamos de pensar que jogadores de futebol não pensam porque queremos nos sentir bem em relação a nós mesmos, e muitos jogadores de futebol talvez não sejam tão articulados como alguns dos intelectuais que tradicionalmente associamos à inteligência. Mas todas as evidências sugerem que os feitos que vemos na Copa do Mundo têm uma imensa quantidade de pensamento por trás deles”, afirma Stafford.
O psicólogo compara a atividade com dirigir um carro. Não é só porque a condução depende de habilidades automáticas que você não esteja pensando. “Os melhores condutores, assim como os melhores jogadores de futebol, estão fazendo mais escolhas cada vez que mostram seus talentos, não menos”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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