Pesquisa com 10 mil respondentes revela que 94% das pessoas querem investir em educação este ano. Os desejos são por idiomas, graduação e pós-graduação. Falta de recursos financeiros é um dos empecilhos
As empresas procuram por mão de obra qualificada, mas pouco têm feito para minimizar os efeitos da escassez de talentos. É o que aponta pesquisa inédita sobre Educação & Carreira realizada pela VAGAS Tecnologia, empresa líder em e-recruitment, com mais de 7,5 milhões de currículos cadastrados no site VAGAS.com.br. Segundo o levantamento, somente 3% dos respondentes recebem algum apoio da empresa para subsidiar seus estudos. Desses 3%, apenas 1% custeia integralmente a educação de seus colaboradores enquanto 2% pagam parcialmente as despesas com ensino de seus profissionais. A pesquisa também revela que 94% dos consultados pretende investir em educação neste ano.
Dessa maioria, quando questionados sobre qual tipo de curso pretendem investir, os participantes responderam por múltiplas escolhas suas preferências: idioma (50%), ensino superior (35%), pós-graduação (25%), curso técnico (17%), cursos livres de curta duração (14%), MBA (11%), tecnólogo (7%), mestrado (6%), ensino médio (2%), doutorado (2%) e certificações (0,5%).
“Existe um grande desejo, especialmente das classe C, D e E, de melhorar sua qualificação profissional. Entre os empecilhos estão os recursos financeiros limitados e o alto endividamento. Também existe uma grande expectativa para conseguir financiamentos públicos e privados, bolsas de estudo e auxílio educação das empresas”, observa Fabíola Lago, coordenadora do estudo.
O levantamento foi realizado em todo o país de 11 a 13 de fevereiro por meio da base de currículos cadastrados no portal de carreira vagas.com.br. Dos 10 mil respondentes, a maioria é composta por mulheres (66%) e desempregados (62%), idade em torno de 29 anos, pertencente às classes B e C e com nível superior completo, atuação em cargos auxiliares e operacionais e com renda declarada variável de R$ 1.866 a R$ 3.118.
A pesquisa revelou ainda que 94% dos brasileiros estão dispostos em investir em educação neste ano. Dos 6% que declararam não incluir despesas com ensino em seu orçamento em 2014 alegaram os seguintes motivos: 39%, não têm recursos para essa finalidade; prorrogar os estudos para o próximo ano somaram 20%. Pagar dívidas é a prioridade de 17%. Falta de tempo é a razão de 8%. Há 7% informando que já estudou o suficiente. Para 6%, não é possível conciliar trabalho e estudo e 4% explicitaram não querer estudar neste ano. Dessa mesma massa que informou não ter orçamento para despesas com educação para este ano (6%), foi questionado a ela se estudaria caso tivesse apoio financeiro. Para 34%, somente se recebesse subsídio integral. Outros 25% aceitariam se tivessem 50% de desconto na mensalidade. Se a empresa se dispusesse a bancar metade das despesas, 20% aceitariam estudar. Com desconto de 30% na mensalidade, 5% estudariam. Auxílio da empresa com 30% dos gastos foi o pedido de 3%. E 13% não demonstraram interesse em estudar.
“É um indicador que revela o quanto é difícil o brasileiro ter acesso ao ensino público. O estudo mostra que quase que a totalidade dos consultados quer investir em educação, mas dispõem de recursos limitados”, analisa Fabíola Lago.
O levantamento procurou saber da base consultada qual o principal motivo para investir em educação neste ano. Para 27%, é ter conhecimento técnico, independente da ascensão na carreira. Ter uma remuneração melhor foi o desejo de 25%. Há 20% à procura de uma profissão, bastante concentrada nas classes C, D e E.
Já os que querem um novo emprego somam 9%. Mudar de profissão e necessidade de fluência em língua estrangeira no trabalho é realidade para 6%. Trabalhar fora do país é uma necessidade para 3%. Ser promovido na empresa ou tornar-se chefe é uma aspiração de 2%. “A busca por promoção ou cargos de chefia está longe das prioridades de investimento em educação. Os brasileiros querem mesmo é buscar um conhecimento mais específico, técnico, para ter mais acesso ao mercado e às oportunidades. Eles querem dominar um segundo idioma e ampliar sua bagagem em cursos técnicos ou de extensão universitária”.
Qualificação é dever de empresas
Em: 22 de julho de 2014
Empresas reclamam de mão de obra desqualificada, mas pouco investem em educação
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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