Dos 2002 trabalhadores inscritos no Sine Manaus (Sistema Nacional de Emprego), apenas 849 conseguiram uma vaga em setembro. O motivo para a pouca mão de obra aproveitada não foi a falta de trabalho, pois estavam disponíveis mais de 1.500 postos. O problema, segundo o coordenador geral do Sine Manaus, Murilo Cunha, foi a falta de qualificação, principalmente, para as vagas destinadas à construção civil.
“Nossa maior demanda está sendo para as áreas desse segmento. Pessoas nós temos, mas o que as empresas querem, sobretudo no canteiro de obras, são profissionais especializados em um tipo de área como pedreiro de acabamento, por exemplo”, esclarece Cunha.
Para o presidente do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Eduardo Lopes, o problema já é antigo e afeta não apenas Manaus, mas todas as capitais que vão sediar a Copa de 2014.
“Além de pedreiro de acabamento, também precisamos de carpinteiros. Há muitas vagas, mas o nosso maior obstáculo é na qualificação desses profissionais. Para tentar solucionar a questão, muitas empresas adotam cursos de qualificação dentro do próprio canteiro de obras”, explica Lopes.
O entrave é justamente no tempo médio de formação desses profissionais. Fazer um curso e garantir a qualificação exigida pelas empresas pode levar de três a cinco anos. E, segundo Lopes, o mercado precisa desse tipo de mão de obra o mais rápido possível para atender à demanda de empreendimentos para a Copa.
“Mercado cresceu”
Já o presidente da Sintracomec/AM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil no Amazonas), Roberto Bernardes, alega que o problema não é a falta de qualificação, pois de acordo com ele, o mercado cresceu mais que a oferta de profissionais.
“Manaus tem pessoas para as funções específicas, mas o que aconteceu na cidade é que está havendo um aumento no número de construções. E o que tudo indica deverá continuar em um ritmo aquecido e precisando de mais profissionais. Infelizmente, não estávamos preparados para esse crescimento”, contrapõe.
O dirigente afirma que, além dos cursos oferecidos pelas empresas, há outra forma de qualificar a mão de obra. “Às vezes, algumas empresas optam por pegar um servente que tenha experiência ou vocação e acabam treinando. Mas, mesmo assim, isso demanda tempo. A parte teórica dura de dois a três meses e a prática pode levar até cinco anos”, frisou.
Além dos projetos de treinamento nos canteiros de obras, e de cursos oferecidos por órgão públicos, a construção também deverá demandar profissionais de outros Estados para tentar suprir a carência de trabalhadores.
“Já é fato que algumas construtoras estão pegando gente de outros lugares. Tem muita gente que está vindo do Maranhão e conseguindo emprego aqui. Mas, geralmente, esses trabalhadores vêm de cidades que não são sedes de jogos da Copa”, finalizou Bernardes.







