Quando mentiras viram verdades

Em: 20 de maio de 2013
A senadora publicou em seu site uma nota desmentindo a “notícia”
A senadora publicou em seu site uma nota desmentindo a “notícia”

O leitor com certeza nunca ouviu falar em um blogueiro chamado Joselito Muller. Pois ele causou verdadeiro rebuliço no meio político nacional esta semana ao postar “notícia” em seu blog dizendo que o Senado havia aprovado projeto de lei que concedia bolsa de dois mil reais mensais a garotas de programa.
Em tempos de Facebook, Twitter e mais um sem número de mídias sociais, a postagem teve uma repercussão enorme (ela pode ser conferida no endereço http://joselitomuller.wordpress.com/2013/05/10/senado-aprova-pagamento-de-bolsa-mensal-de-r-2-00000-para-garotas-de-programa/.
No texto, ele afirma que o tal projeto era de autoria da senadora Ana Rita, do PT do Espírito Santo, mas depois, dada a repercussão, modificou o nome da suposta autora para “Maria Rita”.
A senadora publicou em seu site uma nota desmentindo a “notícia” (aqui o link: http://www.anarita.com.br/index.php/nota-de-esclarecimento/) e disse ainda que colocaria a Polícia Federal no encalço do autor.
Solícito, ele disse à senadora pelo twitter que poderia informar seu nome completo e localização “para poupar trabalho à PF”, admitiu que agiu levianamente, que sua conduta é passível de reparação, mas não quis se retratar, soltando a seguir uma declaração que é uma pérola para se entender a irreponsabilidade que campeia a internet mundo a fora:
“Queria expressar minha preocupação com o fato de que mentiras descabidas, redigidas em linguagem supostamente jornalística são verossímeis atualmente no Brasil”, disse ele. E acrescentou: “Isso é um sintoma de que algo vai mal na política nacional, e demonstra que representantes dos poderes da República vêm protagonizando atos capazes de deixar o povo estarrecido. Por isso qualquer absurdo se torna crível no Brasil de hoje em dia!”
O tal blogueiro faz um “jornalismo” cada vez mais presente na rede, onde reinam os “fakes”, mas pelo menos assume o erro. O mais comum, entretanto, têm sido boatos jogados ao vento, sem qualquer regulamentação que preveja punição para estes crimes.
Está na hora de começar a discutir a ética na internet com mais intensidade e seriedade. Afinal, está difícil discernir hoje o que é notícia ou boato.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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