Quase 50 mil demitidos no Amazonas, aponta Sebrae e Fecomércio

Em: 24 de abril de 2020
Medidas de apoio aos pequenos empreendedores amazonenses é centro de diálogo entre entidades para evitar maior prejuízo
Acervo JC

Ao menos 169 mil empreendimentos do Amazonas estão fechados em virtude da crise pandêmica, tendo que demitir mais de 49 mil pessoas. Os dados estatísticos foram apresentados pelo o Sebrae-AM (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no  Amazonas) e a Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), em conversa com o deputado federal Sidney Leite (PSD), na manhã desta quinta-feira (23).

O objetivo da conversa teve como pano de fundo amenizar a crise enfrentada por estes tipos de negócios que são responsáveis por empregar mais de 300 mil pessoas. As percepções das entidades demonstram a dimensão da crise financeira no Estado, e o impacto disso para os pequenos negócios. 

“O deputado se colocou à disposição para resolver alguns entraves, especialmente no que se refere a renegociação de dívidas tributárias e facilidades de acesso ao crédito para os pequenos negócios”, informou a gerente da unidade e gestão estratégica do SEBRAE/AM, Socorro Corrêa.

De acordo com levantamento do Sebrae-AM, na primeira semana de abril, de quase 170 mil pequenos negócios no Estado, 147 mil que são do comércio e serviços, 57% estão com as portas fechadas. Outros 34% estão funcionando, mas as com vendas por delivery e online. E para completar existe a questão da queda do faturamento que atinge cerca de 86% dos pequenos negócios. A perda na receita chega a 60% impactando diretamente na capacidade de pagamento e de liquidez das empresas. 

“Isso gera um problema econômico porque a empresa passa a ter débito junto com  fornecedores, funcionários, banco, governo por conta dos impostos e isso gera um situação bem desconfortável para o pequeno negócio e pode levar ela fechar definitivamente e se tiver empregados demiti-los”.

Essa mesma pesquisa, conforme Socorro,  leva a um número de que 24% dessas empresas tiveram que demitir funcionários ‘a gente está falando só da microempresa e empresa de pequeno porte. O alto índice de demissões gera um outro problema social que é a  baixa capacidade de consumo das pessoas que por sua vez geram dívidas, além disso, terão problemas financeiros, com alimentação, vestuário, educação dos filhos, etc.”. 

De acordo com a gerente do Sebrae, entre as soluções encontradas está a necessidade de um trabalho de recuperação financeira dessas empresas. “Como se faz isso? com renegociação de dívidas, prolongamento de prazos de pagamentos e créditos que cheguem com uma taxa des de juros muito barata e chegue rápido para que ele possa colocar dia suas contas e se restabeleça novamente dentro do mercado”.

O Sebrae fez uma reavaliação dos produtos focados nesse momento em que pessoa precisa está vendendo pela internet e precisa está disponibilizando seus produtos e serviços em redes sociais, além de prestar assessoria jurídica e consultoria financeira. Em breve, estarao lançando consultoria de recuperação financeira que vai envolver levantamento de perdas, renegociações, busca de crédito. “Nós estamos adequando  todos os nossos produtos  e serviços para o que é necessário no momento para a pequena empresa”, enfatizou Socorro Corrêa.

Dentre as alternativas apontadas está a de prorrogar os prazos para recolhimento dos tributos durante o estado de calamidade, cancelar as multas aplicadas pela Secretaria da Fazenda e liberar os recursos destinados a estas empresas, mesmo se houver algum tipo de inadimplência. Estes, segundo os especialistas que participaram do bate papo, são alguns dos mecanismos que podem ajudar a minimizar os efeitos da crise causada pela Covid-19.

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, que participou da conversa, considerou os aspectos sobre a paralisação do comércio e a atividade comercial a respeitos das medidas que devem ser tomadas em função da pandemia. “Detalhamos ao deputado que é necessário que houvesse uma série de medidas de pacto com o governo do estado no sentido de aliviar essa situação de dificuldade. São mais de 600 lojas fechadas e isso dificulta porque cria um quadro de instabilidade na economia e esse cenário vai aos poucos perdendo o equilíbrio, e isso pode desaguar num processo de desemprego intenso que é grave também. É muito doloroso”, lamentou o representante da entidade reforçando a importância de criar mecanismos de alívio neste grave momento de crise. “Não só aliviar esse momento, mas acima de tudo, não agravar um quadro que está ficando mais difícil”.  

A iniciativa em debater sobre a questão, foi transmitida por meio de uma Live,  na página do deputado federal Sidney Leite. Ele informou que pretende  buscar o diálogo com o governo do estado para ver o que pode ser feito em relação a intermediação em respeito aos tributos estaduais, principalmente o ICMS.  “Fica mais claro a necessidade de votarmos urgentemente a ajuda do governo federal aos estados”.

Fonte: Andreia Leite

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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