Queda chega a 9,8% no semestre

Em: 9 de agosto de 2012
Crise internacional, guerra com produtos importados asiáticos, rigor na liberação do financiamento bancário para compra de motocicletas
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Crise internacional, guerra com produtos importados asiáticos, rigor na liberação do financiamento bancário para compra de motocicletas

Crise internacional, guerra com produtos importados asiáticos, rigor na liberação do financiamento bancário para compra de motocicletas. Esses foram alguns dos fatores que levaram o PIM a fechar o primeiro semestre de 2012 com queda de quase 10% no faturamento.
De acordo com os indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) divulgados ontem, de janeiro a junho desse ano, os 23 segmentos que compõem o polo faturaram juntos US$ 17,86 bilhões, queda de 9,84% em relação ao mesmo período do ano passado.
Isolado, o mês de junho registrou resultado ainda pior. Com ganhos de US$ 2,89 bilhões, a retração do parque industrial pulou para 15,61% frente ao mesmo mês de 2011. Apenas no confronto com maio deste ano, quando a produção das fábricas somou US$ 2,99 bilhões, a perda foi mais discreta (-3,43%).
“Em função de todos os problemas que afetaram o setor de duas rodas e consequentemente os componentistas do PIM nos primeiros seis meses do ano e da guerra travada para conter o ataque asiático, as férias coletivas atingiram mais trabalhadores esse ano o que afetou de maneira evidente o resultado de junho e do semestre como um todo”, justificou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
De acordo com o Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), só o polo de duas rodas concedeu férias coletivas a 20 mil funcionários a partir de junho, o que equivale a 80% do setor, evidenciando desaquecimento da produção..
Já o superintendente em exercício da Suframa, Gustavo Igrejas, aposta no desempenho do segundo semestre para compensar a retração dos primeiros meses do ano. “O primeiro semestre não chega a representar 40% do total de faturamento do PIM em um ano. Setores como linha branca e duas rodas estão retomando a produção neste segundo semestre e a expectativa é superar o faturamento do ano passado”, declarou em nota.
Périco rebate. “Mesmo que o polo consiga recuperação e alcançe os 60% que faltam no segundo semestre, ainda assim, teríamos um déficit desses 10% já perdidos nos primeiros meses do ano. Por isso, o cenário é delicado”, destacou.
E não para por aí. Segundo ele, julho e agosto já terão o resultado afetado. “Várias categorias, como os auditores da receita federal e mais recentemente servidores do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) entraram em greve. As fábricas estão mudando os seus calendários em função das paralisações, e tudo isso já deve refletir no faturamento desses dois primeiros meses do segundo semestre”, apontou.

Segmentos

Somente sete dos 23 segmentos que compõem o PIM apresentaram variações positivas no acumulado do primeiro semestre.
Entre eles, destaque para a indústria de isqueiros, canetas e barbeadores descartáveis que faturou US$ 395,49 milhões, acréscimo de 8,11% sobre mesmo período de 2011.
Novamente, o maior crescimento percentual foi verificado no setor de beneficiamento da borracha que com US$8,60 milhões, cresceu 264,33% sobre igual intervalo do ano passado.
Em contrapartida, os outros 16 segmentos anotaram retrações.
O polo eletroeletrônico somados aos bens de informática totalizaram US$ 8,06 bilhões entre janeiro e junho, queda de 5,90% no confronto com o primeiro semestre de 2011.
O setor e duas rodas, por sua vez, faturou US$ 3,88 bilhões, 12,56% a menos no comparativo com o ano passado.
Segundo os indicadores, a produção de motocicletas que no ano passado foi de 1,08 milhão de unidades, caiu este ano para 974,93 milhões, retração de 9,99%.
A maior queda percentual, entretanto, ocorreu no polo metalúrgico (ligado ao setor de duas rodas) que com o faturamento de US$ 898,52 milhões registrou recuo de 39,81% sobre igual intervalo do ano anterior.
Empregos
Quanto a mão de obra, os dados da Suframa apontam para uma leve recuperação em junho no comparativo ao mês imediatamente anterior. Foram 116.765 empregos (108.997 efetivos, 3.523 temporários e 4.245 terceirizados) contra 116.063 em maio, avanço de 0,60%.
Já no confronto com junho do ano passado, quando 120.123 trabalhadores estavam empregados, houve queda de 2,79%.
Os setores com maior número de empregos registrados no semestre foram eletroeletrônico (49.821), duas rodas (20.876) e termoplástico (10.792).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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