Queda da produção faz indústria local fechar com retração de 36,70% no faturamento

Em: 8 de setembro de 2015
O faturamento da indústria amazonense fechou janeiro em US$ 1.39 bilhão, caindo 36,70% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o polo industrial alcançou US$ 2.19 bilhões
O faturamento da indústria amazonense fechou janeiro em US$ 1.39 bilhão, caindo 36,70% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o polo industrial alcançou US$ 2.19 bilhões

O faturamento da indústria amazonense fechou janeiro em US$ 1.39 bilhão, caindo 36,70% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o polo industrial alcançou US$ 2.19 bilhões. De acordo com os indicadores industriais divulgado na quinta-feira pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), os números da retração são os maiores registrados na série histórica da pesquisa e retratam uma realidade que alguns setores ainda tentavam esconder.
Dos 21 setores pesquisados, doze efetuaram demissões em volume considerável, dentre os quais os da produção de material de limpeza/velas (86,53%), eletroeletrônicos (19,38%), madeireiro (12,53%), metalúrgico (10,87%) e termoplástico (10,68%) foram os que mais puxaram essa involução. Na comparação com janeiro de 2008, a retração do emprego atingiu 11,15%. Com isso, o indicador já inicia o ano de 2009 com um saldo negativo em torno de 4.900 postos de trabalho.
O superintendente interino da Suframa, Oldemar Ianck, explicou que os números refletem os efeitos da crise econômica internacional, que restringiu o crédito ao consumidor e a efetivação de novos investimentos. Para o executivo, devido ao elevado valor agregado dos principais produtos do parque fabril, a queda nas vendas financiadas afetou diretamente o desempenho do PIM (Polo Industrial de Manaus).
Na onda da retração industrial, até mesmo setores considerados âncoras foram afetados. A produção de motocicletas, por exemplo, caiu de 204,77 mil unidades em janeiro do ano passado para 85,23 mil unidades no primeiro mês desse ano, queda de 58,38%. Ianck observou, entretanto, que a quantidade vendida (107,16 mil unidades) pelos fabricantes nesse mesmo mês foi maior que o volume produzido. “Continuamos monitorando o desempenho do PIM, trabalhando na melhoria de Processos Produtivos Básicos e subsidiando os governos em ações que visam a fortalecer a indústria local”, frisou.
Diante dos números das exportações, que também seguiram o mesmo patamar de queda do faturamento, passando de US$ 92.75 milhões para US$ 57.30 milhões, recuo de 38,22%, o presidente do Sinmem (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano, argumentou que os resultados da pesquisa confirmam o viés de redução da produção industrial esperado pelo setor neste início de 2009, já em reflexo dos impactos da crise internacional.
Mariano disse que a crise “realmente, mostrou todos os dentes em janeiro”, mas que apesar dos números negativos, há possibilidade de recuperação ainda no início do segundo semestre. “A questão é que o processo vai ser lento. A gente percebe que há luz no fim do túnel. A própria competitividade da indústria local aponta para isso”, afirmou.
Diante do destacado desempenho do setor industrial, o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, pareceu desolado ao afirmar que ‘o pessimismo emplacou tempo suficiente no meio empresarial para efetivar a retração’. Com relação à onda de demissões, o executivo disse que o poder público deve encarar a crise como uma oportunidade para realizar as reformas estruturais que o Brasil precisa, entre elas, as reformas tributária, previdenciária e também a fiscal, “que tende a remodelar o perfil dos gastos públicos”. “A situação existe e tem um componente psicológico muito forte que é a credibilidade do consumidor que se retrai, evitando o consumo. Sem consumo não há demanda e sem demanda não atividade industrial, gerando fatalmente o desemprego”, observou.
Apesar da retração do consumo, determinadas linhas de produtos, que vinham em forte expansão, continuaram em alta em janeiro. É o caso dos televisores da nova geração tecnológica. A produção de TVs com tela de plasma aumentou 134,56% (de 10.879 para 25.518 unidades, com vendas chegando a 36.162 em janeiro desse ano) e a de cristal líquido (LCD) passou de 109.525 para 244.101 no mesmo período analisado, conferindo uma alta de 122,87%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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