As constantes falhas no fornecimento de energia elétrica em Manaus, que têm se repetido a cada verão nos últimos anos, estão causando muitos prejuízos na cidade. No caso da indústria e de vários tipos de empresa, essa situação já tornou obrigatório o investimento em geradores elétricos automáticos para evitar paralisação da produção e perdas de dados durante interrupções no serviço.
O equipamento, dependendo do tipo, pode custar R$ 30 mil por um gerador com capacidade de 63 kva. Mas nem todos os estabelecimentos têm condições de comprar os geradores com potência e autonomia necessária, ficando vulneráveis à queima e outros defeitos de aparelhos elétricos, além de atrasos e incômodos no trabalho.
De acordo com o analista fiscal da Cisper da Amazônia S/A, Francisco Carlos, a fábrica de vidros não sofre tantos danos com a falta de energia elétrica. “Como possuímos um gerador próprio, não temos tantos prejuízos assim, e o motor é capaz de suportar a falta de luz por algumas horas”, afirmou.
Na opinião do analista, seria interessante que cada indústria possuísse um gerador para que não ocorram problemas nas capacidades operacionais. “Independentemente de cada uma das dificuldades financeiras, é sempre bom ter um aparelho desses. Aumenta o gasto no óleo diesel, mas pelo menos não afeta e não prejudica a área de produção das empresas”, salientou.
Mesmo com as constantes falhas e pedidos públicos de desculpas da Amazonas Energia publicados nos veículos de comunicação da cidade, o Procon (Programa Estadual de Proteção e Orientação ao Consumidor) ainda não registrou nenhuma queixa contra a estatal que fornece energia elétrica.
Segundo a costureira Waldenízia Medeiros, que mora no bairro Aparecida, as falhas no serviço da Amazonas Energia também estão prejudicando o seu trabalho.
A máquina utilizada por Waldenízia é elétrica e na tarde da última sexta-feira, 31 de julho, a costureira não conseguiu entregar boa parte de suas encomendas por conta da falta de energia elétrica e ainda perdeu mais de R$ 200 por não conseguir entregar as peças.
Prejuízos à população
A população em geral também têm sofrido com esse quadro, principalmente no que diz respeito aos eletrodomésticos. De acordo com a dona de casa Nazaré Magalhães, moradora do bairro Alvorada, com as quedas de energia a geladeira de sua residência teve que ser trocada. “Foi um grande prejuízo porque o aparelho estava praticamente novo e agora que eu terminei de pagar”, afirmou.
Na avaliação de Nazaré, não adianta levar o eletrodoméstico para o conserto, pois o serviço vai ser caro, já que a geladeira estava nova. Para ela, a melhor coisa a ser feita é comprar outro produto. “O problema é se as quedas continuarem, porque desse jeito se corre o risco de perder mais eletrodomésticos. Está sendo uma falta de respeito com os consumidores”, declarou.
A equipe de reportagem do JC procurou a assessoria de imprensa da Amazonas Energia e questionou sobre o assunto, mas não obteve nenhum retorno.







