Antes de desenvolvermos o assunto acima, gostaríamos de fazer rápidas considerações acerca do debate entre Serra, Dilma, Marina e Plínio Arruda, todos candidatos à Presidência da República. Analisando as propostos apresentadas, ficou claro que os três primeiros candidatos querem um capitalismo menos selvagem. Em outros termos: querem mudança e não transformação. Por isso, podemos classificá-los como mudancistas, termo utilizado pela professora Regina Vinhares Gracindo, quando criou uma tipologia para classificar os partidos políticos no seu livro intitulado O Escrito, O Dito e o Feito: os partidos políticos e a educação. O programa de governo de Serra, Dilma e Marina são convergentes. Não diferem entre si. Já a proposta do candidato Plínio Arruda é divergente. Ele apresentou um plano de governo que caminha na direção da transformação e não da continuidade de um governo que não respeita suas crianças, seus idosos (estes morrem nas filas dos hospitais), que não valoriza os profissionais da educação tanto do ensino básico quanto da educação superior, pagando um salário indecente a essa categoria. O mesmo acontece com os trabalhadores das indústrias, haja vista que o salário mínimo pago aos operários não atende às suas necessidades mais elementares, contrariando o disposto no art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, que diz “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender as suas necessidades vitais básicas e às de sua família como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, transporte e previdência social […]”. O salário mínimo é ou não é uma indecência?
Com relação aos políticos (senadores e deputados federais), com raras e nobres exceções, estes representam, no parlamento, não os interesses do povo, mas os dos grupos econômicos que financiam suas campanhas, e assim pode-se afirmar que a democracia passa a ser uma farsa, pois as regras passam a ser ditadas por aqueles que são os detentores do poder político e econômico, dentro dos escritórios dos empresários que vão determinar o que deve ser produzido no País, quanto deve ser o salário mínimo, quanto dever ser investido na educação ou na construção de obras (pontes, escolas, postos de saúde etc.), cujos orçamentos são, via de regra, superfaturados, quanto deve ser o percentual de reajuste salarial dos professores universitários, objetivando garantir margens de lucro que compensem os gastos com o financiamento do processo político-eleitoral. Entendemos que em virtude do abuso do poder econômico, que permite a eleição dos candidatos que defendem os interesses da burguesia, a representação do povo fica comprometida, pois os eleitos passam a defender especialmente os interesses de grupos econômicos que financiaram a campanha daqueles que enganam e sempre enganarão o povo com promessas impossíveis de realização.
Eleitos os senadores e os deputados federais, a imensa maioria dos eleitores dependentes e inconscientes terá votado, na verdade, exclusivamente por mercadoria, e mediante contato com os cabos eleitorais locais. Se o eleitor vender seu voto, não terá como cobrar dos políticos as promessas feitas em campanha porque os eleitos pagaram o preço ajustado pelo voto; assim, o mandato de representação que deveria ser exercido em nome do povo, e em beneficio dele, desaparece no momento mesmo de sua outorga, no ato de votar, na colocação do voto na urna. E quem são os eleitores que votam nos políticos que se encontram no poder e que querem se perpetuar no mesmo? São as camadas mais pobres e menos informadas e instruídas, diferentemente dos representantes das classes médias e altas de maior capacidade crítica e análise. Como o Brasil é um País que possui elevados índices de analfabetismo e pobreza, espalhados principalmente nas zonas rurais das regiões Norte e Nordeste e nas periferias das grandes cidades do Sudeste e do Sul, as pessoas com nível de escolarização baixo são as mais fáceis de ser manipuladas.
Para finalizar, devemos dizer que o poder econômico é a utilização, nas campanhas eleitorais, de fabulosas somas de dinheiro, seja para propaganda, seja para própria compra de votos. Como o povo sabe, através dos veículos de comunicação, quanto ganham os que exercem cargos eletivos, formulo a seguinte afirmação: se gastam tanto, e ganham menos do que gastam, é para se locupletar que querem se eleger, e somente se locupletando, conseguem recuperar o que gastaram nas campanhas eleitorais. Assim, parece que ser político, na atual conjuntura, significa uma estratégia de ascensão socioeconômica para aqueles que não conseguem, por seus próprios méritos, ingressar competentemente no mercado formal de trabalho.
Quem os políticos representam no parlamento?
Em: 13 de agosto de 2010
Antes de desenvolvermos o assunto acima, gostaríamos de fazer rápidas considerações acerca do debate entre Serra, Dilma, Marina e Plínio Arruda, todos candidatos à Presidência da República
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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