O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, informou ontem, em São Paulo, que houve uma melhora nas condições da produção agrícola, em relação aos efeitos da crise financeira internacional. No entanto, segundo ele, há dificuldades para o socorro ao setor da agroindústria. Apesar da aprovação pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), no mês passado, da liberação de linha de crédito no valor de R$ 10 bilhões para o setor, nem todos que precisam do dinheiro para manter as atividades têm tido acesso aos recursos.
“A dificuldade que estamos tendo, no momento, é fazer com que o dinheiro chegue, efetivamente, à ponta, por conta de questões operacionais dos bancos”, destacou Stephanes, logo após participar do encontro Perspectivas para o Agribusiness em 2009 e 2010, promovido pela Bolsa Mercantil e de Futuros e Bolsa de Valores de são Paulo (BM&F/Bovespa), em conjunto com o ministério.
Ele observou que, assim como os empresários, o governo defende a necessidade de se agilizar a liberação. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com Stephanes, já disse que “não adianta socorrer o doente depois que ele morreu”.
Colheita de grãos
O ministro Reinhold Stephanes fez ontem uma projeção otimista sobre o desenvolvimento da produção agrícola, estimando um crescimento entre 3% a 4% na colheita de grãos da safra 2009/10. Ele observou, porém, que essa estimativa poderá ser alcançada, desde que não haja interferências por motivos climáticos.
Os últimos levantamentos divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicam a previsão de 137,57 milhões de toneladas de grãos para a atual colheita, um pouco abaixo do recorde obtido na safra anterior (144,13 milhões de toneladas).
De acordo com Stephanes, no começo deste ano o governo federal trabalhava com cenário ruim em relação aos efeitos da crise financeira internacional sobre a agricultura brasileira. “Mas os sinais foram se modificando e não bateram com a força que estávamos imaginando”, destacou ele, informando que já há sinalizações de recuperação.
A questão crucial, no entanto, para o desenvolvimento da produção agrícola que é o acesso ao crédito, ainda é um empecilho, conforme admitiu Stephanes. Ele explicou que existem embaraços operacionais, por exemplo, que têm dificultado a liberação dos R$ 10 bilhões, aprovados no mês passado pelo CMN para o setor da agroindústria, voltados para frigoríficos, usinas processadoras de cana-de-açúcar, entre outros segmentos.
A definição das linhas de crédito rural para o financiamento da próxima safra deve ser anunciada em meados de junho, segundo previu o ministro. Ele deu essas informações logo após participar do encontro Perspectivas Para o Agribusiness em 2009 e 2010, realizado na sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, em promoção conjunta do ministério e Bolsa Mercantil e de Futuros/Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F/Bovespa).
No pronunciamento que fez no encontro, o ministro voltou a defender a necessidade de aprimoramento da legislação ambiental e o investimento na produção de fertilizantes. Neste caso,o objetivo é reduzir a alta dependência que o país ainda tem da oferta externa. Ele previu que, dentro de cerca de oito anos, o Brasil poderá conquistar a autosuficiência na produção de fertilizantes.
“Trata-se de uma questão estratégica importante”, destacou Stephanes, referindo-se à necessidade de redução dos custos de produção. Só a demanda interna por potássio, por exemplo, leva à importação de mais de 90% do que é usado.






