Rainha do Arrocha de volta aos palcos de Manaus

Em: 1 de outubro de 2019
Amada pelos amantes do brega, Kayza Marques está de volta depois de um ano se tratando
https://www.jcam.com.br/Upload/images/Noticias/2019/2Sem/09Setembro/28/kayza(1).jpg
Amada pelos amantes do brega, Kayza Marques está de volta depois de um ano se tratando

Uma vida dedicada a cantar, músicas que o povão gosta, de dançar, de remexer, e na sexta-feira passada a cantora Kayza Marques, a Rainha do Arrocha, teve um motivo a mais para estar feliz enquanto cantava. Depois de praticamente um ano longe dos palcos devido a problemas de saúde, Kayza voltou fazendo o pré-show do cantor Fernando Mendes, no Clube Municipal.

Kayza é de Urucurituba, no interior do Amazonas, e foi lá que começou sua carreira, com apenas oito anos acompanhando o pai, o violonista Tertuliano.

“Hoje a gente chama de banda, mas naquela época era conjunto. Desde muito pequena ele me levava para as suas apresentações. Me deixava sentada num banquinho, ao lado do palco, até que um dia resolveu que chegara a hora de eu começar a cantar. E eu cantei”, contou.

E Kayza não parou mais de ser a vocal do conjunto do pai, daqueles típicos, existentes até os dias de hoje, viajando de barco pelas cidades e comunidades do interior. Onde tem uma festa, um arraial, uma comemoração, tem que ter um conjunto, quer dizer, agora, uma banda, animando. A performance destes grupos não interessa muito. O importante são as músicas, obrigatoriamente dançantes.

“Cantávamos forró, samba, beiradão, brega”, lembrou.

Quando Kayza estava com 12 anos, seus pais resolveram se mudar para Manaus e continuaram com a música.

“Onde nos pagassem um cachê, lá fazíamos nossa apresentação, em aniversários, barzinhos, clubes”, disse.

Em Manaus, o teclado passou a integrar as apresentações de Kayza e seu pai e eles incluíram o eletrorítmo nas suas performances nos clubes noturnos da cidade.

“O teclado pode acompanhar qualquer ritmo e, para shows mais baratos, é indicado porque não precisa de uma banda”, informou.

Shows por toda a Amazônia

Adulta, Kayza quis alçar vôos mais altos. Foi para São Paulo, seguindo o mesmo caminho de vários outros artistas locais que acharam Manaus pequena demais para suas pretensões: Nino Gato e Abílio Farias (em período distintos, chegaram a fazer sucesso no programa do Chacrinha), Teixeira de Manaus (foi para Fortaleza), Adelson Santos e Eliana Printes (seguiram para o Rio. Eliana continua até hoje entre Rio e Manaus).

“Em São Paulo conheci o Raul Gil e, durante dois anos, integrei a Caravana do Raul Gil, viajando para várias cidades do país em apresentações que reuniam grande público”, falou.

Mas, o primeiro problema de doença foi um empecilho na carreira de Kayza.

“Minha mãe ficou doente, em Manaus e, como ela estava só, tive que voltar para cuidar dela. Fui ficando e não voltei mais para São Paulo”, lamentou.

Aquele revés, no entanto, abriu caminho para um novo rumo na carreira de Kayza.

“Há 17 anos conheci o Carlos Gato, que se tornou meu marido e empresário. Graças a ele, pude novamente dar continuidade à minha carreira de cantora, mesmo em Manaus. Gato empresaria Wanderley Andrade nos shows que ele realiza pela Amazônia e fez o mesmo comigo. Nesses últimos 17 anos viajei por toda a Amazônia e fiquei conhecida como a Rainha do Arrocha”, explicou.

O arrocha é um gênero musical brasileiro, originado na Bahia, que mistura seresta, música romântica, axé e forró. Dançante e sensual, faz sucesso entre aqueles que buscam clubes noturnos para dançar.

Kayza faz questão de frisar que compõe as próprias músicas e canta qualquer ritmo: lambada, cumbia, carimbó, pop rock, romântica, bolero, xacundum.

Nunca desanimou

Há um ano, mais uma vez o destino tirou Kayza do caminho dos palcos.

“Tive problema nos rins e passei a fazer hemodiálise. Só quem faz esse tratamento sabe como se fica debilitado após cada sessão. Não tive mais condições de fazer shows. Eu que sempre realizei, duas a três vezes por ano o show ‘Vozes do Bem’, para angariar mantimentos para mulheres com câncer agora estava como elas, dependente de tratamento sério”, revelou.

“Esse tempo todo temos nos mantido graças aos shows que fecho com outros cantores no mesmo estilo de Kayza”, falou Carlos Gato, “mas tenho certeza que a Kayza vai sair dessa, porque é uma batalhadora. Este ano todo fazendo o tratamento, que é intenso e desgastante, não a desanimou. Ela sempre falou em voltar para os palcos”, contou o marido empresário.

E o retorno aconteceu na sexta-feira, fazendo o pré-show de ninguém menos que Fernando Mendes. Ainda debilitada, Kaysa se produziu durante o dia todo, arrumando a roupa, os cabelos, a maquiagem. De noite conseguiu cantar por mais de uma hora.

“Durante a hemodiálise, observo as inúmeras outras pessoas fazendo aquele penoso tratamento. Quero servir de exemplo para elas, para que não desistam. Daqui a um mês devo fazer o transplante de um rim e espero ficar curada. Antes disso me apresento, no dia 6, no Luar do Sertão; e no dia 12, no Ipanema Show Clube”, garantiu.

A rainha que não perde a majestade.                    

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar