“Não vou mentir e não vou contar além do que sei, vou dizer a verdade e não vou me deixar influenciar pelo meu passado de militante do Partido Comunista do Brasil”, declarou ao Jornal do Commercio o deputado Marcelo Ramos, hoje membro do PSB (Partido Socialista Brasileiro) e uma das principais testemunhas do processo em tramitação no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) em que a senadora Vanessa Grazziotin e o seu marido, ex-deputado estadual Eron Bezerra, ambos pertencentes ao PCdoB, são acusados de abuso do poder econômico e compra de votos durante as eleições de 2010 em que Eron perdeu a vaga de deputado na Assembleia Legislativa e Vanessa venceu a disputa com o então senador Arthur Virgílio Neto, do PSDB.
Há um mês o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) autorizou o TRE-AM a intimar Vanessa e o secretário de Estado da Produção Rural, Eron Bezerra, suspeitos de haverem cometido diversas infrações eleitorais. O TSE também autorizou que fossem intimados o deputado estadual Marcelo Ramos e o cidadão João Gadelha de Oliveira, funcionário de Marcelo na ALE-AM como testemunhas de acusação.
Marcelo Ramos infoma que vive a expectativa de uma nova intimação por parte da Justiça Eleitoral para depor no processo que tem como relator o juiz Victor Liuzzi. O depoimento do parlamentar deveria ter acontecido em audiência marcada para o dia 30 de agosto, data em que, por motivo de viagem, Marcelo não pôde comparecer. Ele conta que, por iniciativa da senadora, a audiência foi adiada para o dia 12 de setembro. “Marcaram a audiência exatamente para o dia de uma nova viagem de trabalho minha, cheguei em Manaus às 17 horas do dia 12 e corri para o TRE”, sustenta, dizendo que se apresentou ao juiz Vasco Pereira do Amaral e ao procurador Edmilson Barreiros, “mas a audiência havia sido encerrada e me disseram que as testemunhas já ouvidas seriam suficientes”.
No entanto, o deputado diz que está à disposição da Justiça Eleitoral para uma nova audiência sobre o processo Vanessa/Eron. “Estou à disposição da Justiça Eleitoral que pode me intimar novamente desde que assim entenda ser necessário, e asseguro que direi somente aquilo que sei a respeito do processo”, destaca, garantindo que nada tem a esconder do TRE. “Apesar do meu passado de militante do PCdoB, não guardo mágoa e procederei com retidão se a Justiça me intimar”, frisa.
Segundo denúncia do MPE (Ministério Público Eleitoral), Vanessa Grazziotin e Eron Bezerra teriam usado Programa Zona Franca Verde com fins eleitoreiros em 2010, bem como teriam abusado de Caixa 2 e realizado gastos não declarados à Justiça Eleitoral durante a campanha em que Vanessa se elegeu senadora, mas Eron não conseguiu vaga na Câmara Federal.
O MPE também acusa o casal de ter manipulado ilegalmente a estrutura do IDAM (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Estado do Amazonas), vinculado a Sepror, para captar votos por meio da distribuição de implementos agrícolas no interior do Estado em 2010.
Cargos
O PCdoB de Vanessa e Eron é o terceiro partido com cargos políticos no governo estadual. O partido está no comando da SEPROR (Secretaria de Estado da Produção Rural) com Eron Bezerra, que retornou ao comando da secretaria depois de perder seu mandato de deputado estadual nas eleições de 2010. Júlio César Soares, filiado ao PCdoB, comanda a Sejel (Secretaria de Estado de Esporte e Lazer ).







